A RAINHA cOM O PRESIDENTE COSTA E SILVA

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Presidente do Brasil quando a coroação ocorreu, em junho de 1953, Getúlio Vargas não viajou para a cerimônia, mas fez questão de marcar presença institucional. Além do envio das joias, determinou que navios de guerra brasileiros realizassem uma salva de 21 tiros em homenagem à nova rainha, gesto que reforçava o reconhecimento oficial e o peso simbólico do momento.

O presente inicial acabou se transformando em uma coleção ao longo dos anos. Em 1958, durante visita oficial ao Brasil, Elizabeth II e o príncipe Philip receberam do presidente Juscelino Kubitschek um broche e uma pulseira com as mesmas pedras. Já em 1968, o governo brasileiro completou o conjunto, presenteando a rainha com uma tiara de águas-marinhas, consolidando uma das coleções mais marcantes de seu acervo pessoal.

 

Chateaubriand com seu filho Gilberto no Palácio de Buckingham: portador de presente

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As joias passaram a ser utilizadas em ocasiões estratégicas, especialmente em encontros com as autoridades brasileiras. Em 1997, ao receber o então presidente Fernando Henrique Cardoso, Elizabeth II escolheu peças do conjunto. O mesmo ocorreu em 2006, durante a visita de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio de Buckingham, evidenciando o valor simbólico do presente ao longo do tempo.

A origem do gesto está registrada na revista “O Cruzeiro”, edição de junho de 1953, em texto de Carlos Augusto: “Ofertado a Elizabeth II, da Inglaterra, um valioso jôgo de colar e brincos, com jóias brasileiras, doze águas-marinhas e seiscentos e sete brilhantes, feliz lembrança de um grupo de admiradores da velha Albion’’ (....) “A Inglaterra, a velha Albion de tantas e tão gloriosas tradições, jamais deixou de ser admirada pelo povo brasileiro. Foi o poderio naval britânico, exercido não apenas no ‘mare nostrum’, mas em todos eles, que assegurou a liberdade do Atlântico e a independência dos países sul-americanos. Daí justificar-se plenamente a solidez dos laços que nos ligam ao mais poderoso império do mundo’’, escreveu o repórter.

 

A rainha e o Rei do futebol, no Maracanã

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A visita única ao Brasil


A passagem de Elizabeth II pelo Brasil, em novembro de 1968, reuniu diplomacia, imprevistos e um forte apelo popular em um dos períodos mais tensos da história nacional. Em plena ditadura militar, a monarca percorreu cidades como Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Salvador, em agenda voltada ao fortalecimento das relações entre o Reino Unido e o Brasil.

 

A RAINHA cOM O PRESIDENTE COSTA E SILVA

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Recebida pelo presidente Artur da Costa e Silva, Elizabeth II participou de cerimônias oficiais, discursou no Congresso e manteve encontros institucionais. Mas a visita também ficou marcada por episódios fora do protocolo. No Rio, um apagão atingiu parte da cidade durante sua passagem, expondo fragilidades da infraestrutura em um momento de grande visibilidade internacional.

A programação incluiu ainda eventos culturais e inaugurações, como a nova sede do MASP, além de contato com manifestações populares. No Maracanã, a rainha assistiu a uma partida de futebol e encontrou Pelé, em um dos momentos mais simbólicos da viagem.

 

A RAINHA cOM O PRESIDENTE COSTA E SILVA

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A visita ocorreu semanas antes do endurecimento do regime com o AI-5, o que reforça seu caráter histórico. Cercada por forte esquema de segurança, mas acompanhada por multidões curiosas, a presença da Rainha combinou formalidade e fascínio popular. Foi a única vez que Elizabeth II esteve no Brasil, deixando um registro que mistura política, cultura e episódios marcantes.

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