Em 1988, o Sudário de Turim foi submetido ao exame mais aguardado de sua história: a datação por carbono-14. Três laboratórios independentes – na Universidade de Oxford, na Universidade do Arizona e no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique – participaram da análise, considerada à época um marco na tentativa de determinar a idade do tecido.
O resultado foi direto: o linho teria sido produzido entre os anos de 1260 e 1390. A conclusão, publicada na revista científica Nature, indicava uma origem medieval, o que colocaria em xeque a hipótese de que o sudário teria envolvido o corpo de Jesus Cristo no século I.
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Entre os cientistas envolvidos estava o químico britânico Edward Hall, de Oxford, que defendeu a confiabilidade do método e classificou o resultado como conclusivo. Para ele, a técnica utilizada representava o padrão mais avançado da época. No entanto, a repercussão não foi de consenso. Críticas começaram a surgir logo após a divulgação. Um dos principais questionamentos partiu do químico americano Raymond Rogers, membro do STURP. Em estudos posteriores, Rogers argumentou que a amostra analisada não representava o tecido original, mas sim uma área que teria passado por reparos após o incêndio de 1532.
Segundo ele, fibras de algodão e corantes encontrados na amostra indicariam uma intervenção posterior, o que poderia ter alterado significativamente o resultado da datação. A hipótese levantou dúvidas sobre a validade do exame como referência definitiva.
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Anterior à Idade Média
Outro nome importante nesse debate é o pesquisador italiano Giulio Fanti. Utilizando métodos alternativos, como análise mecânica e espectroscopia, Fanti sugeriu que o tecido poderia ser muito mais antigo, com possível origem anterior à Idade Média. Seus estudos reacenderam a discussão dentro da comunidade científica.
Além das questões técnicas, especialistas também apontaram possíveis contaminações ao longo dos séculos. O sudário foi exposto a fumaça, calor intenso, manipulação humana e diferentes condições ambientais, fatores que podem interferir na precisão da análise por carbono-14.
Apesar das divergências, o exame de 1988 continua sendo uma das referências mais citadas quando se discute a autenticidade do sudário. Ao mesmo tempo, permanece cercado por controvérsias que impedem um consenso definitivo.
Hoje, mais de três décadas depois, a questão segue aberta. Para alguns, o resultado confirma a origem medieval do objeto. Para outros, ele representa apenas uma etapa de um debate ainda longe de ser encerrado.
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Datação por carbono-14
A datação por carbono-14 é um método científico que mede a quantidade do isótopo radioativo presente em materiais orgânicos para estimar sua idade com base em sua taxa de decaimento. No caso do Sudário de Turim, testes realizados em 1988 por laboratórios independentes indicaram que o tecido foi produzido entre 1260 e 1390, na Idade Média. O resultado gerou intenso debate, já que possíveis contaminações, incêndios históricos e remendos medievais podem ter alterado a composição da amostra analisada.
