Primeiro aliado a pisar a fortaleza de Monte Castelo, na Itália, em 21 de fevereiro de 1945, era um mineiro de Caratinga. Humberto Gerarão Moretzsohn Brandi entraria para a história como o homem que abriu caminho para a vitória brasileira na Linha Gótica, em um dos momentos mais emblemáticos da atuação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial.

Filho de imigrantes alemães e italianos, cresceu em Minas Gerais sob influência de culturas que anos depois estariam em lados opostos do conflito. Ainda jovem, participou da Revolução de 1930 e do movimento constitucionalista de 1932. Rompeu com Getúlio Vargas em 1937 e consolidou um discurso em defesa da democracia. A formação política moldou seu posicionamento; o Exército consolidou sua disciplina.

Paralelamente à vida militar, cultivava outra vocação. Venceu concursos na Rádio Nacional, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e trabalhou com nomes da lírica internacional. Definia-se assim: “Sou um guerreiro, mas, além disto, um artista”.Em setembro de 1944, no dia do próprio aniversário, embarcou para a Itália. A primeira ofensiva brasileira contra Monte Castelo, em novembro, terminou em recuo sob forte resistência alemã. Três meses depois, na ofensiva decisiva, Brandi liderou seu pelotão da 3ª Companhia do Regimento Sampaio sob fogo inimigo, ultrapassou posições americanas e alcançou a fortaleza. “Meu pelotão foi a primeira tropa brasileira e aliada que, sob fogo inimigo, pisou a fortaleza e ocupou-a”, registrou.

A conquista marcou a afirmação da FEB na campanha da Itália, mas deixou marcas físicas permanentes. Estilhaços de granada atingiram seu rosto e peito. Passou por 14 hospitais e recebeu Cruz de Combate, Citação de Combate e Medalha Sangue do Brasil, além de promoção por bravura.

Após a guerra, deixou a carreira militar, formou-se em direito e atuou como servidor público. Monte Castelo tornou-se símbolo nacional — e Brandi, o mineiro que marcou seu nome na história brasileira.marcou seu nome na história brasileira.