“Existe chefe que adora ser necessário. Se ninguém sabe fazer nada sem ele, sente-se importante. Se alguém cresce demais, começa a incomodar. Se um funcionário aprende rápido, ele trata como ameaça. E se alguém comete um erro, lá vem a humilhação pública, porque para esse tipo de chefe o constrangimento dos outros é uma espécie de combustível para o próprio ego. Isso não é liderança.

É insegurança de crachá. Um bom líder faz exatamente o contrário. Ele cria um ambiente onde as pessoas podem errar sem serem destruídas por causa do erro. Não porque erro seja permitido sem consequência, mas porque ninguém aprende quando trabalha com medo. Quem tem medo de ser humilhado esconde problema. Quem esconde problema transforma uma pequena falha em uma grande crise. E depois o chefe aparece indignado, perguntando por que ninguém avisou antes. O verdadeiro líder também não guarda conhecimento como quem esconde comida em época de guerra. Ele ensina.

Compartilha. Abre portas. Entrega problemas para que outros aprendam a resolvê-los. Líder inseguro cria dependentes. Líder de verdade cria sucessores. E existe diferença entre elogiar alguém e prepará-lo. Quem só elogia está, muitas vezes, apenas tentando ser agradável. Quem dá feedback sincero está investindo na carreira do outro. Dizer que algo está errado não é desrespeito. Desrespeito é deixar uma pessoa incompetente continuar cometendo os mesmos erros porque ninguém teve coragem de dizer a verdade. Mentoria não é passar a mão na cabeça. É mostrar o caminho e, quando necessário, dizer que a pessoa está indo na direção errada. Também existe o reconhecimento. E não precisa de troféu, auditório ou postagem nas redes sociais. Um obrigado na hora certa pode valer mais do que uma placa.

No fundo, liderança é bastante simples. É fazer o outro crescer sem precisar diminuir ninguém. O chefe quer que dependam dele. O líder trabalha para que um dia caminhem sem ele. E talvez seja aí que mora a maior prova de grandeza de quem lidera. Quando o funcionário consegue ir muito além, você não perde espaço. Você deixa um legado. E isso vale muito mais que qualquer cargo.”

GREGÓRIO JOSÉ
Belo Horizonte