"Estranha a falta de destaque ao crescimento do candidato Renan Santos (Missão-SP) nas pesquisas eleitorais para o Planalto. Se em maio, no levantamento AtlasIntel/Bloomberg, ele aparecia com 6,9% das intenções de voto, na pesquisa divulgada na última quarta-feira, o candidato subiu para 7,8%. Ora, restando ainda cerca de 90 dias para a eleição, esse jovem – de boa formação e bem articulado –, ao ganhar mais visibilidade durante o horário político eleitoral, pode surpreender. Seu potencial de crescimento é claro diante dos 40% de eleitores que rejeitam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.

Por outro lado, Renan está bem à frente de nomes conhecidos nacionalmente. É o caso do ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 2,9%, ou quase um terço do percentual de Renan. Já Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, aparece com pífios 2%, e Joaquim Barbosa (DC) soma apenas 1%. Enquanto isso, Lula lidera a pesquisa atual com 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro. No entanto, com um governo mal avaliado e sob o peso de denúncias contra o ex-ministro petista Jaques Wagner – suspeito de receber propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master –, além do envolvimento de seu filho, 'Lulinha' (atualmente foragido na Espanha), no suposto caso de desvios do INSS, a candidatura governista pode derreter. Até porque outros nomes já citados pela imprensa podem surgir nas investigações da Polícia Federal antes do pleito.


Do outro lado, Flávio Bolsonaro também se vê encrencado por sua ligação com o 'caso Master' e não conta sequer com o apoio de sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Nesse cenário, ele corre o risco de perder o segundo lugar nas pesquisas para uma terceira via, como o ainda desconhecido Renan Santos, que vem despontando como a grande surpresa do cenário eleitoral."

Paulo Panossian
São Carlos – SP