Belo Horizonte chegou a 408.994 empresas com CNPJ ativo em 2026 e vive um ciclo consistente de criação de novos negócios. Os dados são de um mapeamento da Leadjet, empresa de inteligência de dados que acompanha o universo empresarial brasileiro a partir de registros públicos de CNPJ.

Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 73.549 empresas foram abertas na capital e permanecem ativas, o equivalente a 18% de todo o estoque de CNPJs da cidade. A capital respondeu, sozinha, por 17,9% das aberturas de Minas Gerais no período.

BH chega a 408,9 mil empresas com CNPJ ativo

Belo Horizonte tem 408.994 empresas com situação cadastral ativa na edição de agosto de 2026 da base de dados, a maior concentração de CNPJs de Minas Gerais.

Desse total, 73.549 empresas têm menos de 12 meses de atividade, o que dá à capital mineira um tecido empresarial em renovação constante: a cada 100 CNPJs ativos na cidade, 18 nasceram no último ano.

O peso da capital no estado ajuda a dimensionar o número. Minas Gerais inteira registrou mais de 410 mil aberturas nos mesmos 12 meses, e quase uma em cada cinco saiu de Belo Horizonte.

Para um estado com 853 municípios, é um grau de concentração que reforça o papel da capital como porta de entrada do empreendedorismo mineiro, ao mesmo tempo em que deixa espaço expressivo para o interior, responsável pela maior parte das novas empresas.

Primeiro trimestre marca avanço na abertura de empresas em BH

O calendário das aberturas conta uma história própria. Dezembro de 2025 foi o mês mais fraco do período, com 4.457 novas empresas. Em janeiro de 2026, veio um salto de 78%, para 7.954 aberturas, e março cravou o pico da série, com 7.980.

Somado, o primeiro trimestre de 2026 registrou 22.685 novas empresas, ou 30,8% de tudo o que abriu nos 12 meses analisados.

Parte do desenho é sazonal: novembro e dezembro costumam ser fracos para formalização, e janeiro concentra decisões represadas da virada do ano, de quem transforma renda extra em atividade principal ou antecipa o registro para começar o ano operando.

Juntos, os dois meses mais fracos do período, novembro e dezembro de 2025, somaram 9.203 aberturas, bem menos da metade do que o primeiro trimestre de 2026 entregou sozinho.

O que chama atenção em 2026, porém, é o novo patamar. Todos os meses completos do ano ficaram acima de 6,7 mil aberturas, com julho somando 7.609, um ritmo que o fim de 2025 não alcançou em nenhum mês.

Em vez de um pico isolado seguido de acomodação, a série mostra um degrau: a cidade passou a abrir empresas em volume consistentemente maior, mês após mês.

Centro e Savassi lideram concentração de empresas em BH

Pelos registros ativos, o Centro lidera a distribuição por bairro, com 17.937 empresas, seguido pela Savassi, com 14.400, e pelo Buritis, com 7.602. Centro e Savassi formam o eixo tradicional de serviços e comércio da capital, enquanto o Buritis representa o avanço dos negócios de vizinhança em regiões de forte adensamento residencial.

Na prática, a economia belo-horizontina combina um núcleo central denso com polos de bairro cada vez mais ativos, um mapa que interessa a quem planeja desde políticas públicas de apoio ao pequeno negócio até a expansão de redes de comércio e serviços.

Quase sete em cada dez novas empresas são MEI

O perfil de quem abre negócio na capital é majoritariamente individual: cerca de 69% das empresas criadas nos 12 meses nasceram como MEI, e 92,5% do total de novas empresas optaram pelo Simples Nacional. É o retrato de uma formalização puxada por autônomos e pequenos prestadores de serviço, com decisor único e estrutura enxuta.

Na outra ponta, as aberturas que não são MEI passam de 22 mil no período, um contingente relevante de sociedades e estruturas maiores que também escolheram a cidade para operar.

Logística e serviços administrativos puxam as aberturas

Na classificação por atividade principal, o líder nominal é o CNAE de promoção de vendas, com 4.373 aberturas, cerca de 6% do total. O dado mais revelador, porém, aparece quando atividades afins são somadas: os quatro CNAEs ligados a entregas e logística, do serviço de malote à entrega rápida, acumulam 8.481 novas empresas, quase o dobro do primeiro colocado isolado.

É o efeito do comércio eletrônico e da economia de aplicativos sobre a estrutura produtiva da capital, que segue acompanhado de perto pelos serviços administrativos e de apoio a escritórios.

Os números completos, com a série mês a mês e o recorte por setor e perfil tributário, estão no levantamento de empresas abertas em Belo Horizonte.

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Metodologia: o levantamento considera apenas CNPJs com situação cadastral ativa, na edição de agosto de 2026 da base de dados da Leadjet, organizada a partir de registros públicos oficiais. Os números de agosto de 2026 são parciais, pois os registros do mês entram nas estatísticas com defasagem. Percentuais calculados sobre o total de aberturas do período.

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