As extremidades do corpo estão entre as estruturas mais exigidas do esqueleto e também estão sujeitas a diferentes problemas ortopédicos. Entre eles, o joanete, deformidade conhecida pelos médicos como hálux valgo, chama atenção pela frequência: uma revisão internacional publicada no Journal of Foot and Ankle Research estimou que a condição atinge 23% dos adultos entre 18 e 65 anos e mais de um terço das pessoas na faixa etária seguinte, o estudo cruzou dados de dezenas de pesquisas globais.
Nas mãos e punhos, a síndrome do túnel do carpo também está entre os problemas mais frequentes. A condição é a compressão de nervo mais comum do organismo, e um estudo populacional publicado no JAMA, uma das principais revistas médicas do mundo, calculou que cerca de 4% da população adulta convive com o formigamento e a perda de força característicos do quadro.
Embora sejam condições distintas, joanete e síndrome do túnel do carpo têm outro ponto em comum: durante décadas, foram tratados por ortopedistas gerais. Com o avanço da área, no entanto, surgiram subespecialidades com formação própria, sociedades dedicadas e técnicas diferentes das utilizadas nas cirurgias de anos atrás.
É nesse contexto que a formação específica ganha importância. Em Goiânia - Go, há profissionais com trajetória em centros de formação do Brasil e também do exterior.
Joanete e túnel do carpo: tratamentos que evoluíram
O avanço dos métodos pode ser observado em duas condições frequentes: o hálux valgo e a síndrome do túnel do carpo. No primeiro caso, a mudança mais significativa ocorreu com a cirurgia percutânea, que utiliza incisões milimétricas para realizar os cortes ósseos com auxílio de radioscopia.
Na técnica aberta tradicional, a incisão tem vários centímetros e a recuperação costuma ser mais lenta. Essa característica contribuiu, durante anos, para a percepção de que a cirurgia para correção do joanete não valeria a pena. Com a abordagem percutânea, boa parte dos pacientes consegue apoiar o pé no mesmo dia, utilizando uma sandália apropriada.
Apesar dos avanços, o resultado depende da indicação adequada e do treinamento específico do cirurgião, já que a técnica apresenta uma curva de aprendizado longa.
Na síndrome do túnel do carpo, a liberação do nervo também costuma ser um procedimento curto, geralmente realizado com anestesia local, e pode proporcionar alívio rápido do formigamento noturno. O problema está principalmente na demora para buscar avaliação, a compressão prolongada pode provocar danos às fibras do nervo mediano, transformar a dormência intermitente em permanente e causar atrofia na musculatura da base do polegar. Em estágios avançados, nem mesmo a cirurgia consegue recuperar toda a sensibilidade perdida.
Por isso, episódios de formigamento que se repetem há meses merecem avaliação, de preferência acompanhada de eletroneuromiografia, exame utilizado para medir a condução do nervo.
Quando trabalho e rotina afetam as extremidades
As mesmas estruturas também estão relacionadas a problemas provocados ou agravados pelas atividades profissionais. Lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, conhecidos como LER/Dort, estão entre as principais causas de afastamento registradas pela Previdência Social. Mãos e punhos concentram parte significativa desses diagnósticos, que incluem desde tenossinovites até a própria síndrome do túnel do carpo.
Nos membros inferiores, a permanência prolongada em pé e o transporte de peso estão associados a quadros como fascites e metatarsalgias. Já o pé diabético exige atenção de pacientes com diabetes de longa data e é apontado pelo Ministério da Saúde como a principal causa de amputações não traumáticas no Brasil.
A importância de profissionais especializados
A formação específica começa depois da residência em ortopedia. No caso da cirurgia de pé e tornozelo, o médico passa por uma especialização em serviço credenciado, com chancela da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).
Para realizar o mesmo procedimento na mão o caminho é diferente: a área é reconhecida como especialidade autônoma e conta com residência médica própria de um a dois anos, além de prova de título da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) e um segundo Registro de Qualificação de Especialista (RQE) registrado no conselho de medicina.
Essa formação também está presente em Goiânia - Go. A cidade abriga uma residência de Cirurgia da Mão e Microcirurgia mantida pela Faculdade de Medicina da UFG, o que a coloca entre os centros formadores da área no país.
O acompanhamento de um especialista pode ajudar na avaliação e no tratamento de diferentes problemas que afetam pés, tornozelos, mãos e punhos
Para quem busca atendimento, essas informações podem ser conferidas em registros públicos. O RQE está disponível para consulta no Conselho Federal de Medicina, enquanto os quadros de membros da ABTPé e da SBCM também podem ser consultados.
Essa verificação ajuda a entender a trajetória e a área de atuação de cada profissional. A regra vale para as duas especialidades: quanto mais específica a certificação, maior a possibilidade de que o cirurgião atue com frequência na estrutura relacionada à queixa.
9 profissionais com atuação em pé e mão em Goiânia - Go
A relação abaixo reúne cirurgiões com atuação consolidada na capital goiana, considerando registros públicos, títulos informados em sociedades médicas e avaliações de pacientes em plataformas de agendamento.
A ordem não representa uma classificação: a escolha depende da estrutura afetada e do quadro apresentado por cada paciente.
1. Dr. Bruno Air
Mestre e doutor, o médico tem mais de 16 anos de atuação em cirurgia do pé e tornozelo (CRM-GO 16354, RQE 8226) e formação internacional pela Harvard Medical School e pela Rush University, em Chicago. É referência em cirurgia de joanete em Goiânia - Go, incluindo a técnica percutânea, que corrige a deformidade por meio de incisões de poucos milímetros. Também trata fascite plantar, deformidades dos dedos, lesões do tendão de aquiles e fraturas do tornozelo.
2. Dr. Henrique Bufaiçal
Especialista em cirurgia da mão (CRM-GO 11627, RQE 7911), é membro da SBOT e realizou fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main, na França e em Luxemburgo. A instituição é considerada um dos centros reconhecidos da especialidade na Europa. Entre os procedimentos realizados estão o tratamento da síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, lesões de tendão e fraturas do punho, com uso de técnicas minimamente invasivas e artroscopia.
3. Dr. Rodrigo Alvarenga Nunes
Formado em Ortopedia pelo Instituto Ortopédico de Goiânia, especializou-se em cirurgia do tornozelo e pé no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Integra o grupo de tornozelo e pé do Hospital de Acidentados e é membro da SBOT, da ABTPé e da SBRATE. Também publicou trabalhos sobre neuroma de Morton e metatarsalgia.
4. Dr. Max Maury Lopes Júnior
Cirurgião da mão do Instituto Ortopédico de Goiânia (CRM-GO 9028, RQE 5578 em ortopedia e RQE 7303 em cirurgia da mão), fez residência na área pela USP de Ribeirão Preto e fellowship na Cleveland Clinic, nos Estados Unidos. É membro titular da SBCM e da SBOT, já dirigiu a regional Norte-Centro-Oeste da sociedade da especialidade e coordena o serviço de residência médica em ortopedia do IOG.
5. Dr. Rafael Ferreira Silva
Especialista em cirurgia do pé e tornozelo, tem formação pela Associação Beneficente Nossa Senhora do Pari, em São Paulo, e é sócio do Hospital Ortopédico de Goiânia. Atua no tratamento de fraturas, lesões ligamentares, hálux valgo, metatarsalgias, neuroma de Morton e deformidades dos dedos.
6. Dr. Ricardo Pereira da Silva
Especialista em cirurgia da mão, reúne 20 anos de experiência e formação pela USP. É membro titular da SBOT, da SBCM e da Sociedade Brasileira de Microcirurgia Reconstrutiva, onde também tem especialização. Atua no Hospital de Acidentados e supervisiona a residência de Cirurgia da Mão e Microcirurgia da Faculdade de Medicina da UFG.
7. Dr. Grimaldo Martins Ferro
Integra o corpo clínico do Instituto Ortopédico de Goiânia na área de pé e tornozelo. O serviço está entre os mais tradicionais da capital, com residência médica própria e atendimento de casos clínicos e cirúrgicos relacionados à articulação.
8. Dr. Mário Kuwae
À frente da residência de Cirurgia da Mão e Microcirurgia da Faculdade de Medicina da UFG, chefia o serviço responsável pela formação de novos cirurgiões da área em Goiás. Sua atuação reúne assistência, ensino e pesquisa na especialidade.
9. Dr. Delio C. Santana Junior
Atende no Instituto Ortopédico de Goiânia, com atuação em procedimentos do pé e tornozelo e em trauma ortopédico. Também possui experiência em traumatologia esportiva, área que complementa sua prática cirúrgica.
Como avaliar a escolha do profissional
Depois de conhecer as diferentes áreas de atuação, alguns critérios podem ajudar na busca por atendimento. O primeiro é consultar o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no portal do Conselho Federal de Medicina. No caso da cirurgia da mão é necessário observar também o registro específico da especialidade.
Outro ponto é verificar o título da sociedade médica correspondente: a ABTPé para profissionais de pé e tornozelo e a SBCM para cirurgia da mão. Também é possível perguntar sobre a quantidade de procedimentos daquele tipo realizados anualmente e os hospitais onde o médico atua.
Esses cuidados ajudam a compreender a experiência do profissional diante da queixa apresentada. Ainda assim, nem todo problema precisa chegar ao centro cirúrgico. Fascite plantar, tendinites, entorses leves e casos iniciais de dedo em gatilho podem responder a tratamentos como fisioterapia, órteses e infiltrações.
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Nesse contexto, o papel do subespecialista também está em identificar quais situações podem ser conduzidas no consultório e quais exigem cirurgia, direcionando cada caso para a abordagem mais adequada.
