Quando as pessoas dormem, o corpo não simplesmente “desliga”. Ao longo da noite, ele alterna entre fases de recuperação profunda e momentos de intensa atividade cerebral. É nesse cenário que surge o sono REM, estágio em que os sonhos mais vívidos e estranhos acontecem.
Sonhar que está voando, misturar pessoas de épocas diferentes ou viver situações ilógicas é algo comum, e tem explicação biológica. Durante o REM, o cérebro funciona de forma diferente da vigília, priorizando emoção e memória e deixando a lógica em segundo plano.
O sono é dividido em ciclos
O sono ocorre em ciclos que duram, em média, de 90 a 120 minutos. Cada ciclo alterna entre:
- sono não REM (três estágios, do leve ao profundo);
- sono REM (Rapid Eye Movement).
No sono não REM, o corpo entra em modo de recuperação. A frequência cardíaca diminui, a respiração desacelera e a atividade cerebral fica mais lenta. É nessa fase que ocorrem processos importantes, como:
- liberação de hormônios ligados à recuperação física;
- consolidação de parte das memórias;
- restauração energética.
Já o sono REM marca uma virada fisiológica importante.
O que acontece no corpo durante o sono REM
O sono REM costuma surgir cerca de 90 minutos após o adormecer e se repete várias vezes ao longo da noite, com duração maior nos ciclos finais.
Cérebro altamente ativo
Durante o REM, a atividade elétrica cerebral se aproxima da observada quando estamos acordados. Ficam bastante ativas áreas ligadas a:
- emoções;
- memória;
- processamento visual.
Por outro lado, regiões associadas ao raciocínio lógico e ao controle crítico reduzem sua atividade. Essa combinação ajuda a explicar por que os sonhos parecem reais, mas ao mesmo tempo ilógicos.
Por isso, o sono REM também é chamado de sono paradoxal: o corpo está dormindo, mas o cérebro apresenta padrões semelhantes aos da vigília.
Atonia muscular: o corpo fica “desligado”
Enquanto o cérebro está ativo, os músculos voluntários entram em quase completa paralisação,fenômeno chamado atonia muscular do REM.
Isso impede que você execute fisicamente o que está sonhando. Sem esse mecanismo, seria possível levantar, correr ou reagir aos eventos do sonho.
Os únicos movimentos visíveis são:
- movimentos rápidos dos olhos;
- pequenos espasmos ocasionais.
Alterações na respiração e no coração
No REM, a respiração pode ficar mais irregular e a frequência cardíaca pode variar. O corpo apresenta oscilações que lembram mais o estado de alerta do que o sono profundo. Esse ambiente fisiológico favorece experiências internas intensas, os sonhos vívidos.
Por que os sonhos parecem sem sentido
A sensação de “caos” nos sonhos tem relação direta com o modo como o cérebro funciona durante o REM. Com o enfraquecimento das áreas responsáveis pela lógica e planejamento, o cérebro passa a combinar:
- fragmentos de memória;
- rmoções recentes;
- imagens armazenadas;
- experiências antigas.
O resultado é uma narrativa que pode unir elementos sem conexão aparente,como estar na casa da infância conversando com alguém que conheceu ontem.
Processamento emocional
O sono REM está associado ao processamento de experiências emocionais. Situações marcantes do dia podem reaparecer transformadas nos sonhos.
Esse mecanismo pode ajudar o cérebro a:
- reduzir a carga emocional de eventos intensos;
- integrar experiências à memória de longo prazo;
- reorganizar aprendizados.
O conteúdo pode parecer estranho, mas o processo tem função biológica.
Por que esquecemos quase tudo
Mesmo sonhando todas as noites, raramente lembramos de mais do que pequenos fragmentos. Isso acontece porque, durante o REM, os sistemas cerebrais ligados à formação de memórias conscientes não estão totalmente ativos.
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A lembrança tende a ocorrer quando despertamos no meio ou logo após um episódio de REM. Caso contrário, o conteúdo se perde rapidamente.
