O mercado de autopeças econômicas sempre desperta dúvidas entre consumidores e mecânicos. Marcas europeias, como Ridex, Topran, Triscan e Jakoparts frequentemente aparecem em lojas on-line com preços significativamente menores que as opções originais. Mas seriam essas peças alternativas viáveis ou escondem riscos relacionados à qualidade?
O mercado de autopeças falsificadas movimenta cifras alarmantes. Segundo o Escritório Europeu de Propriedade Intelectual (EUIPO), 2,2 bilhões de euros são perdidos anualmente com pneus contrafeitos e 180 milhões com baterias. Nos Estados Unidos, dados do Departamento de Comércio e da OCDE indicam impacto financeiro superior a 3 bilhões de dólares por ano. A Alfândega dos EUA apreendeu mais de 211 mil peças contrafeitas em 2024.
Marcas econômicas: uma alternativa legítima
A AUTODOC, que processa cerca de 15 milhões de pedidos por ano na Europa, trabalha com aproximadamente 820 marcas diferentes. Segundo informações da empresa, as marcas de países europeus, como Ridex, Topran, Triscan e Jakoparts representam alternativas legítimas no mercado de reposição, com qualidade comparável às originais e preços mais acessíveis.
A Triscan A/S é uma fabricante dinamarquesa, enquanto a Topran é uma empresa alemã consolidada no mercado europeu, o que reforça sua atuação formal no setor.
Problemas históricos e evolução
Historicamente, o comércio eletrônico facilitou a entrada de produtos contrafeitos. Conforme relatório do Conselho Antifalsificação Automotivo (A2C2), plataformas de e-commerce adotaram inicialmente abordagens menos rigorosas na verificação de vendedores.
Dados mais recentes, no entanto, sugerem avanços importantes. Uma pesquisa da AUTODOC no Instagram revelou que 39% dos clientes classificaram a qualidade como “muito alta” e 35% como “alta”, enquanto apenas 5% reportaram qualidade baixa. Em relação à correspondência com especificações técnicas, 54% afirmaram correspondência total.
Alexandru Lazariuc, especialista técnico em seleção de autopeças da AUTODOC, abordou o tema em publicação no LinkedIn, destacando que um levantamento interno apontou que 81% dos clientes avaliaram positivamente peças adquiridas de fornecedores verificados.
Lazariuc também ressaltou dados preocupantes: 17% das avarias que resultam em acidentes são causadas por peças falsificadas de baixa qualidade, e 37% das oficinas relataram ter encontrado peças contrafeitas em 2024.
O setor tem demonstrado evolução positiva, com avanços nos sistemas de controle e fiscalização
Principais causas de incompatibilidade
Segundo informações de plataformas de venda, os problemas mais comuns relacionam-se a:
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Erros de seleção: consumidores não verificam adequadamente ano de fabricação, motor ou versão do veículo;
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Substituições não comunicadas: em caso de indisponibilidade de estoque, alguns fornecedores enviam peças alternativas sem notificação prévia;
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Informações desatualizadas: catálogos online nem sempre refletem mudanças nas especificações;
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Problemas logísticos: transportadoras podem entregar produtos trocados ou danificados.
O problema dos prazos de entrega
Um desafio específico enfrentado por lojas on-line brasileiras é o atraso nas entregas. Segundo a Proteste, em 2020 houve aumento de 84,6% nas reclamações sobre atrasos em comparação a 2019. Na Black Friday de 2021, conforme o Procon-SP, 25% das reclamações estavam relacionadas a atrasos. O portal E-Commerce Brasil também aponta que problemas de devolução figuram entre os grandes desafios do setor automotivo no país.
Como evitar problemas
Para minimizar riscos, algumas práticas são fundamentais:
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Consulta profissional: mecânicos experientes identificam peças de qualidade duvidosa antes da instalação;
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Atenção a preços irreais: descontos superiores a 60% ou 70% podem indicar produtos contrafeitos;
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Documentação completa: manter registros detalhados, incluindo números de série e notas fiscais;
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Canais estabelecidos: dar preferência a distribuidores que ofereçam garantias e políticas claras de devolução;
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Verificação de prazos: confirmar prazos realistas de entrega e acompanhar o rastreamento do pedido;
A evolução do controle de qualidade
O mercado tem implementado melhorias progressivas. Grandes plataformas intensificaram a verificação de vendedores, enquanto órgãos governamentais ampliaram a fiscalização. Segundo o Centro Nacional de Coordenação dos EUA, existem cerca de 40 investigações em curso sobre peças contrafeitas.
Distribuidores legítimos também passaram a investir mais em rastreabilidade. A AUTODOC, por exemplo, oferece garantia de 200 dias, segundo informações divulgadas em seu site.
Marcas econômicas como Ridex, Topran, Triscan e Jakoparts não são necessariamente falsificações, mas alternativas legítimas no mercado de reposição. Os principais problemas observados decorrem de erros na seleção, falhas de comunicação ou questões logísticas.
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O setor tem demonstrado evolução positiva, com avanços nos sistemas de controle e fiscalização. A responsabilidade, no entanto, recai também sobre o consumidor, que deve pesquisar, comparar e optar por canais confiáveis. Com informação e cautela, é possível economizar sem comprometer a segurança.
