A neurologista infantil Dra. Tamires Mariano (CRM 21354-CE RQE 12337) alerta para um problema cada vez mais presente nas famílias: o uso excessivo de celulares e tablets por crianças. Segundo a médica, quando a rotina da criança se resume a comer, dormir e ficar diante de telas, há sérios riscos para seu desenvolvimento cognitivo e social.
Estudos mostram que a exposição prolongada a estímulos digitais passivos está associada a atrasos de linguagem, dificuldades de atenção, irritabilidade e menor capacidade de imaginação e criatividade. O cérebro infantil precisa de movimento, interação social real e experiências concretas para se desenvolver plenamente.
Por que o excesso de telas afeta o cérebro das crianças?
O desenvolvimento saudável do cérebro depende de estímulos variados, dinâmicos e interativos. Quando a criança passa grande parte do tempo apenas consumindo conteúdos visuais e auditivos de forma passiva, áreas importantes relacionadas à linguagem, coordenação motora e habilidades sociais ficam subestimuladas.
Além disso, o uso constante de telas pode alterar o padrão de sono e aumentar a irritabilidade, prejudicando o aprendizado e a convivência familiar. Essa realidade reforça a importância de equilibrar o tempo de tela com atividades que promovam interação e movimento.
Quais sinais indicam que a criança está sendo prejudicada?
Entre os sinais de alerta observados por especialistas estão o atraso no desenvolvimento da fala, dificuldade de se concentrar em tarefas simples, isolamento social e falta de interesse por brincadeiras criativas.

A criança pode ainda apresentar queda no rendimento escolar, comportamento mais agitado e até resistência a participar de atividades fora do ambiente digital. Identificar esses sinais cedo é fundamental para reverter o quadro.
O que fazer para reduzir os impactos negativos?
Dra. Tamires sugere ajustes simples e práticos na rotina para diminuir o tempo de tela e aumentar os estímulos positivos. Uma hora ao ar livre todos os dias ajuda a melhorar a coordenação motora, a saúde física e o bem-estar emocional.
Momentos de brincadeira ativa sem telas, definidos em horários fixos, estimulam a imaginação e a socialização. E refeições em família, sem celulares para ninguém, fortalecem os vínculos e melhoram a comunicação.
Qual o papel dos pais nesse processo?
O exemplo dos pais é determinante para o comportamento das crianças. Se os adultos mantêm o hábito de usar constantemente o celular, a criança tende a reproduzir o mesmo padrão.
Criar regras claras para toda a família, como limitar o uso de dispositivos durante momentos de convivência e priorizar atividades conjuntas, mostra para a criança que a vida fora das telas também é rica e prazerosa.
Fontes oficiais consultadas:
- Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): https://www.sbp.com.br
- Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude




