Em quase todo lugar do Brasil, apelido é assunto de infância e some com a idade adulta. Em Cláudio, no centro-oeste de Minas Gerais, ele substitui o nome de registro até na lista telefônica, publicada todo ano com as alcunhas em vez dos nomes de cartório. A mesma cidade, de pouco mais de 30 mil habitantes, concentra uma das maiores redes de fundições e metalúrgicas da América Latina.
Como uma cidade inteira passou a se chamar pelo apelido?
O costume virou instituição local. Conforme o portal oficial de turismo do estado, Minas Gerais, Cláudio é a capital mineira dos apelidos, e apelidar moradores e visitantes faz parte da cultura local, a ponto de a cidade publicar anualmente uma lista telefônica organizada por alcunhas.
O hábito é tão enraizado que virou pesquisa universitária. Uma dissertação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou a Apelista, como é chamada a lista, e entrevistou 59 moradores nascidos na cidade para entender o fenômeno. O estudo classificou os nomes em categorias como apelidos e hipocorísticos, formas carinhosas de encurtar um nome, e concluiu que o costume nasce no ambiente familiar e funciona como demonstração de afeto.

Por que tantas fundições se instalaram em um município pequeno?
Pela vocação que veio junto com a fundação do lugar. Segundo a Prefeitura de Cláudio, os primeiros moradores chegaram em 1758, atraídos por notícias de minas de ouro no povoado então chamado Ouro Fala, e a lida com metal nunca deixou a região.
Hoje são mais de 80 empresas do setor, segundo o mesmo registro municipal, com destaque para móveis de alumínio e peças de ferro fundido. A escala é rara para uma cidade desse tamanho: o parque industrial abastece clientes em todo o país e responde por boa parte dos empregos formais do município e da região.

O que a cidade oferece além do barulho das fábricas
A zona rural segue com o ritmo antigo, de fazendas centenárias, queijo curado em tábua e doces feitos em tacho. Confira abaixo o que costuma entrar no roteiro de quem passa por lá:
- Usina Hidrelétrica de Cajuru: represa no Rio Pará, operada pela Cemig, que banha o município e rende paisagens de água entre morros.
- Mirante do Cruzeiro: ponto alto com vista aberta da cidade e das serras do entorno.
- Serra do Galinheiro: elevação procurada por trilheiros, listada pelo Circuito Turístico Campo das Vertentes entre os atrativos naturais locais.
- Queijo minas artesanal: produção das fazendas da região, vendida na feira e nas lojas de produtos típicos.
- Doce de leite e goiabada: fabricação caseira que acompanha as quitandas servidas no café da tarde.
- Cachaça de alambique: destilados produzidos nas propriedades rurais, tradição antiga entre as fazendas do município.
Quem quer conhecer a Terra dos Apelidos, vai curtir esse vídeo do canal CIDADES & VIAGENS, com mais de 35 mil visualizações, que conta a história e sobrevoa a cidade de Cláudio:
Quando ir e o que esperar do clima ao longo do ano?
A cidade fica a mais de 800 metros de altitude, com verão chuvoso e inverno seco de manhãs frias. Veja abaixo o comportamento de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A cidade que fundiu metal e identidade no mesmo endereço
Cláudio junta duas coisas que dificilmente aparecem no mesmo município: um parque industrial que abastece o país inteiro e um costume tão particular que precisou de metodologia acadêmica para ser explicado. Uma cidade de 30 mil moradores raramente produz dois traços tão marcantes ao mesmo tempo, algo que se repete em outros municípios mineiros de porte parecido.
Você precisa passar um fim de semana por lá, comer queijo de fazenda e aceitar o apelido que vão lhe dar, porque em Cláudio esse é o jeito local de dizer que você já pertence ao lugar.




