Uma mochila pequena e um passe anual permitiram que um adolescente transformasse estações e vagões em parte da rotina diária. O plano nasceu após uma mudança inesperada nos estudos e acabou durando muito mais do que o previsto. Entre noites em movimento, trabalho remoto e poucos objetos, a experiência abriu caminho para uma profissão ligada ao mesmo lugar.
Quem é o jovem que passou a viver nos trens?
O jovem é o alemão Lasse Stolley, morador da região de Fockbek, no norte da Alemanha. Ele terminou o ensino básico em 2022 e pretendia começar uma formação profissional na área de programação.
Quando a vaga foi cancelada pouco antes do início, Stolley procurou outro plano. Inspirado por uma reportagem sobre uma pessoa que havia vivido em trens, ele comprou uma BahnCard 100 e começou a viagem em 8 de agosto de 2022.
Em seu relato pessoal sobre o início da rotina, ele conta que a decisão foi tomada em menos de duas semanas. A família ficou preocupada com o sono, a segurança e a falta de um endereço fixo.

Como ele transformou os vagões em casa?
Stolley usava trens noturnos para dormir e grandes estações como pontos de apoio. A rotina exigia planejamento diário, porque atrasos, mudanças de plataforma e viagens lotadas podiam alterar o local onde ele passaria a noite.
O dia a dia era organizado assim:
- Sono: ele escolhia trens noturnos que cruzavam a Alemanha durante várias horas.
- Alimentação: usava salas de espera e comprava refeições durante as paradas.
- Banho: recorria a piscinas públicas e outros locais disponíveis nas cidades.
- Trabalho: programava pelo computador enquanto viajava durante o dia.
- Bagagem: carregava roupas, eletrônicos e itens de higiene em uma única mochila.
- Destino: decidia a rota conforme o clima, os compromissos e os trens disponíveis.
Como o passe permitia uma vida sem endereço fixo?
A BahnCard 100 funciona como um passe anual para viagens ilimitadas em grande parte da rede ferroviária alemã. O produto permite usar trens rápidos, regionais e vários serviços urbanos cobertos pelas regras da Deutsche Bahn.
O estilo de vida exigia poucos objetos. A lista de equipamentos mantida por Stolley mostra roupas, itens de higiene, carregadores, computador, cobertor e travesseiro guardados em uma mochila de 35 litros.
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O que mudou depois de cerca de três anos?
A experiência sobre trilhos acabou levando Stolley para uma carreira ferroviária. Em agosto de 2025, ele começou uma formação de seis meses na empresa privada TRI Train Rental.
A mudança não apagou totalmente a rotina antiga. Ela reduziu o tempo vivido nos vagões e acrescentou turnos, hotéis e responsabilidades profissionais.
| Fase | Como era a rotina |
|---|---|
| Agosto de 2022 | Início das viagens com a BahnCard 100 e sem moradia fixa. |
| Primeiros meses | Sono ruim, trens perdidos e retornos frequentes à casa dos pais. |
| Vida nômade | Trabalho como programador, noites nos vagões e tudo em uma mochila. |
| Agosto de 2025 | Início da formação profissional para trabalhar dentro dos trens. |
| Janeiro de 2026 | Conclusão do curso e começo do trabalho ferroviário em várias regiões da Alemanha. |
Qual trabalho ferroviário ele passou a exercer?
Stolley concluiu a formação em janeiro de 2026 e passou a trabalhar como responsável pela preparação e pelo atendimento dos trens. A função alemã usada por ele é Zugführer, ligada à operação e à coordenação do serviço, e não à condução da locomotiva.
No perfil atualizado pelo próprio jovem, ele afirma que trabalha em diferentes partes da Alemanha. A paixão que começou como uma forma de morar acabou virando emprego.
Ele abandonou completamente a vida nômade?
Não completamente. Stolley afirma que já não vive em trens durante todo o tempo, mas continua usando a BahnCard 100 e passa várias noites nos vagões quando está de folga.
O trabalho mudou o ritmo e trouxe períodos em hotéis e bases ligadas às escalas. Ainda assim, os trens continuam sendo transporte, interesse pessoal e parte importante de sua forma de viver.
Depois de anos usando os vagões como casa, ele passou a cuidar das viagens de outras pessoas.
