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A filosofia por trás de “Vale Tudo”: Odete Roitman mostra por que se vingar não encerra a dor, apenas muda seu alvo

Gabriel Martins Por Gabriel Martins
18/07/2026
Em Notícias
A filosofia por trás de “Vale Tudo”: Odete Roitman mostra por que se vingar não encerra a dor, apenas muda seu alvo

Reações impulsivas a injúrias perpetuam conflitos destrutivos impedindo evoluções humanitárias - Créditos: Globo / Divulgação

“A vingança é a melhor estação do ano, os dias todos são lindos!” — a frase de Odete Roitman em Vale Tudo continua ecoando porque traduz, de forma irônica, um mundo em que o ressentimento parece sinônimo de poder. A personagem transforma qualquer conflito em campo de batalha, fazendo da revanche um estilo de vida que, à primeira vista, soa espirituoso e sedutor, mas que revela um modo de existir preso à ferida e à necessidade constante de punir.

O que a vingança de Odete Roitman revela sobre o ser humano

Na perspectiva filosófica, a vingança aparece como reação imediata a uma ferida: alguém ataca, e surge o desejo de devolver na mesma moeda. Em Vale Tudo, Odete encarna esse impulso levado ao extremo, transformando um estado emocional corrosivo em clima permanente, como se a vida só tivesse graça quando há um inimigo a derrotar.

Ao longo da história, pensadores relacionam esse movimento ao ressentimento: em vez de elaborar a dor, ela é mantida acesa, usada como combustível para decisões e alianças. O que parece força é, na verdade, dependência do rival; sem alguém a quem punir, o cotidiano da personagem perde sentido, e a “beleza” da estação é apenas apego à própria ferida.

A filosofia por trás de “Vale Tudo”: Odete Roitman mostra por que se vingar não encerra a dor, apenas muda seu alvo
Fixações rancorosas escravizam mentes gerando dependências psicológicas crônicas de rivais – Créditos: Globo / Divulgação

Qual é a diferença entre justiça e vingança

Tomada ao pé da letra, a frase sugere que a vingança cria um tempo agradável e luminoso. Na análise filosófica, ocorre o oposto: a vingança não inaugura uma nova estação, apenas prolonga o inverno da ofensa inicial, mantendo a pessoa girando em torno do mesmo acontecimento e organizando a rotina em função dele.

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A distinção central é entre justiça e vingança. A justiça busca restabelecer equilíbrio coletivo, investigando, estabelecendo responsabilidades e limites. Já a vingança é guiada pelo desejo pessoal de ver o outro sofrer, mesmo quando o retorno parece “merecido”, sem compromisso real com reparação ou proteção da comunidade.

Por que a vingança prolonga o sofrimento em vez de trazer paz

Estudos em filosofia moral, psicologia e comportamento humano mostram que alimentar a revanche tende a ampliar o sofrimento interno e externo. Na novela, os planos frios de Odete detonam novas perdas, alimentam uma cadeia de reações imprevisíveis e envolvem pessoas que não tinham relação com o conflito original.

Alguns mecanismos costumam aparecer com frequência quando alguém passa a viver em função da vingança:

  • Foco constante na ferida: o episódio doloroso é revisto mentalmente, reforçando o mal-estar e a sensação de humilhação.
  • Identidade definida pelo conflito: a pessoa se enxerga como “a que revida”, e não como alguém livre para construir novos projetos.
  • Escalada de danos: cada ato de revanche gera nova resposta, tornando difícil qualquer forma de encerramento ou reconciliação.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Globoplay Novelas mostrando trechos da novela “Vale Tudo” onde Odete critica a tudo e todos.

Como a vingança cria uma armadilha emocional sedutora

A declaração de que “os dias todos são lindos” quando se vive pela vingança oferece uma promessa enganosa: a de que o sofrimento causado por uma injustiça será compensado pela dor do outro. A trama mostra que isso não acontece; a personagem permanece em alerta constante, cercada de tensão, alianças frágeis e medo de retaliações.

Do ponto de vista ético, a frase transforma uma disposição autodestrutiva em suposta fonte de vitalidade. Em vez de encarar a dor e buscar caminhos estruturados — jurídicos, relacionais, terapêuticos —, a pessoa se mantém presa ao ofensor, dependente de cada gesto dele para reforçar a própria narrativa de revide, num clima em que nenhuma ferida cicatriza de fato.

O que aprendemos com Odete Roitman sobre vingança e paz interior

A fala de Odete Roitman não descreve felicidade, mas um círculo vicioso em que o sofrimento não acaba, apenas muda de alvo. Ao colocar essa visão extrema na boca de uma vilã, Vale Tudo expõe o fascínio que a vingança exerce e, ao mesmo tempo, a solidão e o vazio que ela produz em quem a cultiva como projeto de vida.

Se a “melhor estação do ano” é aquela em que ninguém encontra paz, talvez seja hora de romper com essa lógica e escolher outro clima emocional para viver. Use a história de Odete como alerta: se você se reconhece preso à revanche, busque ajuda agora — seja em diálogo, terapia, comunidade ou caminhos de justiça legítima — antes que a vingança tome conta dos seus próximos capítulos.

Tags: FilosofiaOdete RoitmanVale Tudo

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