Brigitte, em Quem Ama Cuida, cresce praticamente sem colo e sem muita margem para erro. Mais do que a falta de abraços, pesa a sensação constante de que, se não se virar sozinha, ninguém vai aparecer para ajudar. Já adulta, essa mesma lógica atravessa suas relações: dificuldade em confiar, medo de depender de alguém e uma vigilância permanente para não ser abandonada de novo, mostrando como certas dores da infância não ficam no passado; elas só encontram novos jeitos de se manifestar.
Como a teoria do apego explica a dor de não ter tido colo
A teoria do apego, proposta por John Bowlby, parte de uma ideia simples: o ser humano nasce precisando desesperadamente de alguém que o acolha. Não é só comida e proteção física; é também olhar, toque e atenção emocional.
A forma como essa necessidade é atendida vai construindo um modelo interno de como as relações funcionam. A criança aprende, na prática, se o mundo é um lugar onde pode pedir ajuda ou se é melhor não contar com ninguém, como parece ter acontecido com Brigitte.

Quais são os principais estilos de apego e onde Brigitte se encaixa
De forma resumida, costumam ser descritos três padrões principais: seguro, ansioso e evitativo. Cada um nasce do jeito como a criança foi recebida em suas necessidades afetivas, especialmente nas situações de medo, dor ou frustração.
No apego evitativo, por exemplo, demonstrar necessidade traz rejeição, crítica ou indiferença. Em resposta, a criança aprende a engolir o choro, esconder a carência e se mostrar “forte” o tempo todo, algo que Brigitte parece repetir na vida adulta.
- Apego seguro: confiança básica, abertura para pedir e oferecer apoio.
- Apego ansioso: medo de abandono, busca intensa por confirmação do outro.
- Apego evitativo: dificuldade em se abrir, tendência a afastar quem chega perto.
A infância determina tudo ou ainda é possível escolher novos caminhos
O modelo de apego construído na primeira infância funciona como um mapa emocional, indicando o que parece seguro e o que dispara alerta. Sem um olhar mais consciente, a tendência é seguir esse mapa antigo no automático, mesmo quando ele já não faz sentido.
Reconhecer o próprio padrão é um passo essencial. Em vez de se enxergar apenas como “fria” ou “difícil de se relacionar”, a pessoa pode perguntar: quem ensinou, lá atrás, que pedir colo era demais? Não é sobre culpar, mas sobre ganhar contexto para experimentar respostas diferentes.
- Perceber quando a reação atual é exagerada em relação ao fato presente.
- Buscar a memória emocional que lembra situações parecidas na infância.
- Nomear o padrão: ansioso, evitativo ou mais seguro.
- Testar novas formas de resposta, mesmo com desconforto inicial.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Diego Falco falando mais sobre o que é a “teoria do apego”.
Como transformar a falta de colo em possibilidade real de cuidado
A dor de crescer sem acolhimento não some com o tempo; ela muda de forma. Pode aparecer na dificuldade em receber elogios, na desconfiança diante de gestos de carinho ou na tendência a sabotar relações que começam a ficar íntimas demais, como vemos em Brigitte.
Quando essa dor é reconhecida, deixa de ser só ferida e vira ponto de partida. A pessoa passa a entender melhor o próprio caminho afetivo, ganha clareza sobre o que precisa, sobre o que não quer repetir e começa a construir vínculos mais atentos e responsáveis consigo e com o outro.
Por que olhar para sua história afetiva agora pode mudar seus relacionamentos
Entre negar o passado e ficar preso a ele, existe um meio-termo poderoso: admitir que certos vazios foram reais e, a partir daí, escolher novas experiências de vínculo. Relações mais estáveis, escuta qualificada e, em muitos casos, acompanhamento terapêutico podem ajudar a reescrever esse modelo interno.
Se você se reconhece em Brigitte, não adie esse movimento: buscar ajuda hoje pode evitar repetir, por anos, o mesmo roteiro de solidão e defesa. Dê um passo concreto agora — seja iniciando terapia, conversando com alguém de confiança ou se abrindo um pouco mais em uma relação segura — e comece a transformar a falta de colo em possibilidade real de cuidado.


