O calcanhar rachado costuma ser associado só à falta de hidratação, mas especialistas em saúde dos pés destacam outro ponto-chave: o tipo de calçado usado no dia a dia. Pressão excessiva, atrito e falta de suporte — comuns em saltos altos, sapatilhas muito rasas e sandálias abertas — levam a um espessamento da pele, que pode evoluir para fissuras profundas, doloridas e de difícil cicatrização.
O que acontece com a pele quando o calcanhar racha
O calcanhar rachado, ou fissura no calcanhar, aparece quando a camada externa da pele fica espessa, rígida e tão ressecada que se parte. A sola já é naturalmente mais grossa para suportar impacto, mas a pressão constante faz surgir um “anel” endurecido, que perde elasticidade e se rompe ao caminhar.
Com o tempo, essas fissuras podem se aprofundar, causar dor, sangramento e infecção, especialmente em pessoas com diabetes ou problemas de circulação. Nesses casos, só o creme não resolve, porque a pele grossa impede a penetração adequada dos ativos hidratantes.

Que tipos de sapatos favorecem o calcanhar rachado
O modelo de sapato tem papel central no surgimento e na piora do calcanhar rachado. Saltos altos concentram o peso na parte frontal do pé, enquanto sapatilhas rasas e sandálias abertas deixam o calcanhar escorregar e aumentar o atrito na borda.
Algumas características de calçados estão diretamente ligadas à formação de calos e fissuras no calcanhar:
- Solado duro e pouco flexível, que não absorve o impacto da pisada.
- Parte traseira baixa ou aberta, deixando o calcanhar sem apoio adequado.
- Palmilha fina, sem boa distribuição do peso do corpo.
- Material sintético pouco respirável, que esquenta e resseca a pele.
Por que o creme não é suficiente para tratar o calcanhar rachado
Cremes hidratantes e esfoliantes ajudam, mas não resolvem o fator mecânico que mantém o problema. Se a pessoa continua usando o mesmo calçado inadequado, o corpo segue respondendo com espessamento da pele, criando um ciclo de rachaduras que melhoram e voltam.
Para que o tratamento tópico funcione, é essencial reduzir o atrito e a pressão na região. Em fissuras profundas, o ideal é buscar um podólogo ou profissional de saúde para remover a pele espessa com segurança, evitando cortes caseiros que podem agravar a lesão.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Dra. Marina Hayashida ensinando a cuidar de pés que estão ressecados e calcanhares que estão começando a rachar.
Como escolher sapatos e criar hábitos que protegem o calcanhar
Escolher bem o calçado e adotar cuidados diários simples faz toda a diferença na prevenção e recuperação do calcanhar rachado. Pequenas mudanças na rotina já reduzem bastante o risco de novas fissuras.
Entre as orientações mais recomendadas por especialistas estão:
- Preferir solado macio e com amortecimento, com palmilha acolchoada para distribuir melhor o peso.
- Evitar traseira muito baixa ou totalmente aberta, como chinelos tipo “flip-flop” usados o dia todo.
- Buscar suporte ao arco do pé em modelos anatômicos, para diminuir sobrecarga no calcanhar.
- Hidratar os pés diariamente, principalmente após o banho, e secar bem entre os dedos.
- Usar pedra-pomes ou lixa específica com moderação, sem tentar “raspar” tudo de uma vez.
Como evitar que o calcanhar rachado volte a aparecer
Quando você entende a relação entre pressão do calçado e fissuras, o cuidado deixa de ser só estético e passa a ser preventivo. Ajustar o tipo de sapato, proteger a pele e observar sinais como dor, sangramento ou mudança de cor é essencial para manter os pés saudáveis a longo prazo.
Se o seu calcanhar rachado já dói, sangra ou não melhora com cuidados básicos, não espere piorar: procure avaliação profissional o quanto antes. Comece hoje a rever seus calçados e sua rotina de cuidados com os pés — adiar essa decisão pode significar mais dor, mais risco de infecção e um tratamento muito mais demorado amanhã.




