A conta de luz de quem possui sistemas de geração própria passou por alterações recentes devido à implementação do Marco Legal da Geração Distribuída. A transição altera o cálculo dos créditos de energia injetada na rede pelas distribuidoras.
Como funciona a cobrança progressiva do Fio B?
O Fio B representa a parcela da tarifa destinada à remuneração pelo uso da infraestrutura de postes e cabos. Desde 1º de janeiro de 2026, os sistemas instalados após o marco legal passaram a pagar 60% desse custo sobre o excedente de energia que é enviado para a rede elétrica.
Essa mudança busca equilibrar os custos de manutenção da rede entre os consumidores que geram a própria energia e os demais usuários. O impacto incide especificamente sobre a energia excedente injetada, enquanto o consumo instantâneo realizado dentro da residência permanece sem cobrança adicional referente a essa taxa específica.

Quem possui direito adquirido à isenção total?
Os proprietários de sistemas homologados até 6 de janeiro de 2023 permanecem protegidos por um direito adquirido até o ano de 2045. Estes consumidores mantêm a isenção integral da tarifa de uso do sistema de distribuição, conforme as regras vigentes na data da instalação do equipamento.
Para quem instalou painéis a partir de 7 de janeiro de 2023, o cronograma segue uma escala anual crescente. A implementação gradual prevê que a cobrança atinja o patamar de 100% do custo do Fio B a partir de 2029, consolidando a transição completa estabelecida pela legislação federal.
Qual é o impacto financeiro real na economia mensal?
O efeito financeiro varia conforme a distribuidora local e o porte do sistema fotovoltaico residencial. O custo do Fio B corresponde, em média, a 28% da tarifa total cobrada pelas concessionárias, o que gera uma redução direta na margem de economia que o sistema oferece anualmente.
Veja a estimativa de impacto para um sistema típico de 5 kWp:
- Valor percentual da taxa em 2026: 60%
- Custo estimado por kWh injetado: R$ 0,15
- Redução mensal média de economia: R$ 67,50
O que a consulta pública da ANEEL pode mudar para o consumidor?
A ANEEL iniciou debates em junho de 2026 sobre a substituição da franquia mínima por uma taxa fixa mensal na baixa tensão. Esta proposta visa alterar a forma como os custos fixos da rede são distribuídos entre todos os usuários do sistema elétrico nacional.
A medida em discussão não cancela o cronograma já estabelecido para o Fio B, atuando de forma paralela na estrutura tarifária. Se aprovada, a taxa fixa poderá representar um custo inevitável para o consumidor, independentemente da quantidade de energia que o painel solar consiga gerar ou injetar na rede durante o mês.
Como o consumidor deve planejar o uso da energia solar daqui para frente?
A energia solar ainda se apresenta como uma alternativa viável para reduzir gastos, apesar das novas regulações. O monitoramento constante da conta de luz permite ajustar o consumo para priorizar o uso dos aparelhos durante o período de maior geração fotovoltaica, maximizando o autoconsumo e reduzindo a injeção excedente.
Acompanhar as decisões da agência reguladora e manter o sistema em dia com a manutenção são passos fundamentais para garantir a eficiência. O cenário exige que os proprietários de painéis compreendam as regras de transição vigentes para evitar surpresas financeiras ao longo dos próximos anos, mantendo o foco na sustentabilidade econômica do projeto.




