Uma startup espanhola chamada Ondablock, fundada pelos empreendedores Guillem Vicent e Jordi Peñarrocha, desenvolveu um sistema de instalação cerâmica completamente seco que elimina argamassa, adesivos cimentícios, água e tempo de cura. A tecnologia integra uma base técnica de polímero termoplástico reciclado diretamente na parte inferior da cerâmica ainda em fábrica. Essa base tem geometria ondulada que permite o encaixe lateral entre as peças, um mecanismo de conexão mecânica que dispensa qualquer ligação química com o contrapiso, conforme descrito no site oficial da Ondablock.
Como o sistema funciona na prática durante a instalação
O processo elimina as etapas mais demoradas de uma reforma convencional. Não é preciso preparar massa, aplicar adesivo nem aguardar secagem antes de usar o ambiente. As peças são colocadas diretamente sobre superfícies niveladas e estáveis, incluindo concreto, cerâmica existente e outros revestimentos já instalados. A geometria ondulada da base cria uma conexão mecânica contínua que mantém o piso firme sem colar ao contrapiso.

A velocidade de instalação declarada pela empresa é de 20 a 25 metros quadrados por hora. Segundo publicação técnica do portal especializado Ceramica.info, sistemas de instalação seca como este podem ser até oito vezes mais rápidos que o assentamento cerâmico convencional.
Quais são as vantagens ambientais em relação ao método tradicional
A substituição da argamassa por base de polímero reciclado reduz o consumo de recursos que a construção civil tradicional consome em quantidade: água, areia, cimento e aditivos químicos. A base técnica reusa materiais plásticos que já tiveram uso anterior, reposicionando resíduo como insumo produtivo. Outro benefício ambiental apontado pelos especialistas é a reversibilidade da instalação: como as peças não ficam coladas ao contrapiso com argamassa, é possível remover o piso com menos danos e reutilizar as cerâmicas em outra aplicação.
Em quais tipos de obra e reforma o sistema pode ser aplicado
A Ondablock projeta o sistema para aplicação tanto em obra nova quanto em reforma, e o fato de poder ser instalado sobre revestimentos existentes amplia muito o escopo de uso. Os ambientes compatíveis incluem:
- Residências: salas, quartos, áreas de serviço e varandas sobre piso existente
- Ambientes comerciais: lojas, escritórios e recepções que precisam reduzir o tempo de paralisação
- Reforma com necessidade de reversibilidade: espaços alugados onde a cerâmica pode precisar ser removida ao término do contrato
- Espaços que não suportam o peso da argamassa: lajes mais antigas ou estruturas com limitação de carga adicional

Como o piso seco se compara à argamassa convencional nos principais critérios
A argamassa dominou a construção civil por décadas por uma razão simples: é barata, conhecida por todos os profissionais e confiável em praticamente qualquer condição. O sistema seco não a supera em todos os aspectos, mas oferece vantagens claras em situações específicas. A argamassa ganha em custo inicial de material e em disponibilidade no mercado brasileiro. O sistema Ondablock ganha em velocidade de instalação, limpeza do processo, impacto ambiental e possibilidade de reversibilidade. Para reformas em imóveis habitados, onde a poeira e o ruído da obra são fatores críticos, o sistema seco apresenta uma diferença de impacto prático muito significativa.
O sistema ainda tem limitações que precisam ser avaliadas antes da adoção
A tecnologia ainda precisa disputar espaço com métodos tradicionais consolidados, e há aspectos técnicos que exigem avaliação caso a caso. A instalação sobre pisos existentes depende do nivelamento preciso da superfície base: desníveis maiores que a tolerância do sistema podem comprometer a estabilidade mecânica do encaixe. A longa durabilidade da conexão mecânica em ambientes com alta variação térmica, como áreas externas no Brasil, ainda precisa de mais dados de campo a longo prazo para ser confirmada.
Se você está planejando uma reforma e quer testar uma alternativa que reduz sujeira, tempo e impacto estrutural, o sistema de piso seco já está disponível em mercados europeus e começa a chegar ao Brasil por distribuidores de materiais de construção especializados. A argamassa não vai desaparecer da construção civil de uma hora para outra, mas pela primeira vez em décadas, existe uma alternativa tecnicamente viável para quem não quer esperar o piso secar.




