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O governo exigirá que bares e restaurantes cobrem uma taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem que for vendida

Núbia Rangel Por Núbia Rangel
31/05/2026
Em Notícias
O governo exigirá que bares e restaurantes cobrem uma taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem que for vendida

A devolução da embalagem passa a valer dinheiro.

⚡ Destaques

Depósito de 10 centavos de euro

Cada garrafa ou lata vendida terá um valor extra reembolsável ao consumidor na devolução da embalagem.

Entrada em vigor prevista para novembro de 2026

O sistema espanhol abrange plástico, alumínio e embalagens cartonadas de até três litros.

Brasil tem lição parecida no passado

Quem cresceu devolvendo “casco” de garrafa no mercadinho conhece bem a lógica da logística reversa.

Você já pagou um pouquinho a mais por uma bebida e depois recebeu esse valor de volta ao devolver a embalagem vazia? Na Espanha, essa prática está prestes a virar lei para todos os bares, restaurantes e supermercados, e o modelo já acende o debate em vários países, inclusive no Brasil.

A taxa que não é taxa: entenda o sistema de depósito reembolsável

O governo espanhol confirmou a implantação do Sistema de Depósito, Devolução e Retorno (SDDR), previsto para novembro de 2026. Na prática, cada embalagem de bebida vendida no país passará a incluir um depósito mínimo de 10 centavos de euro no preço final. Não se trata de um imposto que fica para o governo: o valor retorna integralmente ao consumidor quando ele devolve a embalagem.

A medida está prevista no Real Decreto 1055/2022, que condicionou a obrigatoriedade do sistema ao descumprimento das metas de reciclagem da União Europeia. A Espanha reciclou apenas 41,3% das garrafas plásticas em 2023, bem abaixo dos 70% exigidos por Bruxelas. O gatilho foi acionado.

O governo exigirá que bares e restaurantes cobrem uma taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem que for vendida
Uma mudança simples pode alterar hábitos de consumo.

O que muda no balcão do bar e na caixinha do mercado

O funcionamento é mais simples do que parece. Ao comprar uma água, um suco ou uma cerveja, o consumidor paga o preço normal mais o depósito de 10 centavos. Depois de consumir, leva a embalagem até uma máquina automática instalada no supermercado ou devolve no próprio estabelecimento. A máquina lê o código de barras e reembolsa o valor na hora.

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Países como Alemanha, Noruega e Suécia já adotam esse modelo há décadas e chegam a taxas de reciclagem superiores a 90%. Portugal deu os primeiros passos em abril de 2026 com o sistema “Volta”, e a partir de 10 de agosto de 2026 a participação passa a ser obrigatória para todos os envases de bebidas de uso único no mercado português. A ideia central é a mesma em todos: tornar a reciclagem um hábito que vale dinheiro, não apenas uma obrigação moral.

Garrafas, latas e caixinhas: quais embalagens entram na regra

A legislação espanhola define com precisão quais envases participam do sistema de depósito e quem precisa se adequar. Veja os principais pontos da mudança:

  • Garrafas de plástico de até 3 litros de água, refrigerantes, sucos, bebidas energéticas e alcoólicas estão incluídas no sistema de depósito reembolsável.
  • Latas de alumínio e embalagens cartonadas (tipo longa vida) de bebidas também recebem o depósito obrigatório.
  • Supermercados funcionarão como pontos de devolução, com máquinas automáticas instaladas para facilitar o retorno das embalagens.
  • Bares e restaurantes têm regras adaptadas: quando o produto é consumido e o envase devolvido no próprio local, o depósito pode não ser repassado ao cliente final.
  • O Ministério para a Transição Ecológica da Espanha (MITECO) é o órgão responsável por coordenar a implantação em todo o território nacional.

📌 Pontos-chave

Depósito, não imposto

O consumidor paga 10 centavos de euro a mais por envase e recebe o valor integralmente de volta ao devolvê-lo. É um incentivo econômico, não uma cobrança definitiva.

Europa exige 90% até 2029

O Regulamento Europeu de Envases fixa a meta de 90% de coleta seletiva para janeiro de 2029. A Espanha precisa sair dos atuais 41% para atingir esse patamar.

Desafio logístico real

Milhares de pontos de venda precisam instalar máquinas de retorno e adaptar seus espaços antes do prazo de novembro de 2026.

E o Brasil, já conhece esse caminho?

Quem cresceu comprando refrigerante em garrafa de vidro e devolvendo o “casco” no mercadinho de bairro já viveu essa lógica na prática. O Brasil tem uma estrutura de logística reversa prevista na Lei nº 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A diferença é que um sistema como o SDDR europeu formaliza essa prática para todos os tipos de embalagens descartáveis, com incentivo financeiro direto ao consumidor.

O país já é referência mundial na reciclagem de latas de alumínio, com taxa superior a 97%. Mas quando o assunto é garrafa PET e embalagens cartonadas, o cenário piora: grande parte ainda termina em aterros ou no meio ambiente. Um modelo de depósito e devolução poderia impulsionar a economia circular brasileira e dar um destino melhor a milhões de embalagens descartadas todos os dias.

O governo exigirá que bares e restaurantes cobrem uma taxa adicional por cada garrafa, lata ou embalagem que for vendida
O modelo já movimenta debates fora da Europa.

Os entraves que ainda travam a largada espanhola

Apesar do prazo definido em lei, a implementação do SDDR ainda enfrenta instabilidade. A Comunidade de Madri foi o principal entrave por mais de um ano, mas recentemente avalizou as quatro organizações candidatas a gerir o sistema na região. Ainda assim, dúvidas técnicas e jurídicas seguem sem solução, e especialistas alertam que a falta de coordenação entre o governo central e as comunidades autônomas pode comprometer o lançamento previsto para novembro de 2026.

A experiência espanhola mostra que mudar hábitos de consumo e reciclagem exige mais do que uma boa lei. Requer infraestrutura, cooperação entre todos os elos da cadeia produtiva e, principalmente, o engajamento do próprio consumidor. Para os brasileiros, vale acompanhar de perto: o que hoje é ensaio na Europa pode ser o próximo capítulo da nossa história com embalagens e sustentabilidade.

Gostou de entender como funciona esse sistema de embalagens? Compartilhe este artigo com quem se interessa por sustentabilidade, reciclagem e novidades que podem chegar ao Brasil em breve.

Tags: Espanhalogística reversaReciclagemsustentabilidade

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