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Engenheiros da Drexel desenvolvem paredes com canais vasculares termorreguladores inspirados em orelhas de elefante, reduzindo o consumo de energia em edifícios

Douglas Myth Por Douglas Myth
09/06/2026
Em Curiosidades
Engenheiros da Drexel desenvolvem paredes com canais vasculares termorreguladores inspirados em orelhas de elefante, reduzindo o consumo de energia em edifícios

Paredes termorreguladoras inspiradas na biomimética otimizam a eficiência energética de edifícios.

Edifícios de todo o mundo consomem uma parcela significativa da energia elétrica apenas para manter ambientes em temperaturas confortáveis. Ar-condicionado, aquecedores e sistemas de ventilação funcionam quase sem descanso, sobretudo em grandes centros urbanos. Nesse contexto, surgem as chamadas paredes termorreguladoras, superfícies capazes de colaborar ativamente com o controle térmico dos imóveis, reduzindo a dependência de equipamentos mecânicos e contribuindo para a construção sustentável.

O que são paredes termorreguladoras e por que esse conceito é relevante?

O termo paredes termorreguladoras se refere a superfícies construtivas projetadas para absorver, armazenar e liberar calor de forma controlada ao longo do dia. Em vez de atuarem apenas como barreiras entre o ambiente interno e externo, elas participam do balanço térmico do edifício e interagem com as variações de temperatura.

Como uma parte expressiva das perdas e ganhos de calor ocorre justamente pelas paredes, pisos e coberturas, esse conceito se torna relevante para reduzir picos de aquecimento e resfriamento. Em regiões com verões muito quentes ou invernos rigorosos, o efeito de amortecimento térmico tende a ser ainda mais perceptível e a diminuir o esforço dos sistemas de climatização.

Engenheiros da Drexel desenvolvem paredes com canais vasculares termorreguladores inspirados em orelhas de elefante, reduzindo o consumo de energia em edifícios
Cimento com canais internos ajuda paredes, pisos e tetos a controlar temperatura sem eletricidade

Como funcionam as paredes termorreguladoras inspiradas em orelhas de elefante?

O projeto da Universidade Drexel segue o princípio da arquitetura biomimética, que busca em organismos vivos soluções para problemas de engenharia. Elefantes utilizam suas grandes orelhas, repletas de vasos sanguíneos, para dissipar calor e controlar a temperatura corporal, servindo de modelo para a criação de elementos cimentícios com canais internos.

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Adaptando essa lógica, os pesquisadores criaram um cimento com canais vasculares internos, semelhantes a uma rede de veias, distribuídos no interior do material e preenchidos com materiais de mudança de fase (PCM). Quando a temperatura aumenta, o PCM absorve calor e derrete; quando esfria, solidifica e libera o calor armazenado, atuando como um “pulmão térmico” que retarda tanto o aquecimento quanto o resfriamento da superfície.

Quais benefícios as paredes termorreguladoras trazem para o conforto e o consumo de energia?

Os estudos indicam que esse tipo de cimento com canais vasculares não elimina a necessidade de ar-condicionado ou aquecedores, mas funciona como suporte passivo ao sistema de climatização. Em edifícios modernos, o envelope construtivo costuma ser pensado para isolar o interior do clima externo, mas ainda assim ocorrem trocas térmicas significativas ao longo do dia.

Ao adicionar um mecanismo de armazenamento de calor nas paredes, a climatização artificial passa a trabalhar em conjunto com o próprio material da construção. Em cenários de forte insolação, as paredes inspiradas em orelhas de elefante absorvem parte da carga térmica e, à noite, liberam o calor gradualmente, reduzindo oscilações bruscas de temperatura e tornando o ambiente interno mais estável.

  • Redução de picos de consumo de energia ao longo do dia, aliviando a rede elétrica.
  • Maior estabilidade térmica em ambientes internos, com menos variações desconfortáveis.
  • Apoio a estratégias de resfriamento e aquecimento passivo em diferentes climas.
  • Integração com sistemas HVAC já existentes, sem necessidade de substituição total.
Engenheiros da Drexel desenvolvem paredes com canais vasculares termorreguladores inspirados em orelhas de elefante, reduzindo o consumo de energia em edifícios
Paredes termorreguladoras inspiradas em orelhas de elefante podem reduzir energia em edifícios

Quais materiais e tecnologias viabilizam as paredes termorreguladoras?

O núcleo da proposta está no uso de materiais de mudança de fase na construção, sobretudo PCMs à base de parafina, que armazenam grande quantidade de calor latente durante fusão e solidificação. Esse tipo de material já é estudado em eficiência energética, mas a inovação está em incorporá-lo ao cimento por meio de canais internos com geometrias otimizadas, como malhas em formato de diamante.

Além dos PCMs, o próprio composto cimentício precisou ser ajustado para preservar resistência mecânica, durabilidade e integridade estrutural. Isso inclui variações na granulometria dos agregados e no desenho da rede de canais, buscando um equilíbrio entre desempenho térmico e segurança, de forma que esses elementos possam atuar tanto como vedação quanto, potencialmente, em componentes estruturais.

Qual é o potencial das paredes termorreguladoras para a construção sustentável?

Se comprovadas em escala real, as paredes termorreguladoras têm potencial para ampliar significativamente a eficiência energética em edifícios. Em projetos novos, podem ser incorporadas a painéis de fachada, lajes e divisórias internas, enquanto em reformas podem integrar estratégias de retrofit energético em construções antigas com desempenho térmico limitado.

A proposta está alinhada à tendência de materiais biomiméticos e de paredes inteligentes, que respondem ativamente às condições ambientais e às metas de redução de emissões. Os desafios futuros incluem testes em painéis de maior escala, avaliação da durabilidade dos PCMs após muitos ciclos térmicos, exposição a diferentes climas e análise da viabilidade de produção em massa para o mercado da construção civil.

Tags: Arquiteturacuriosidadesustentabilidade

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