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Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas

Douglas Myth Por Douglas Myth
07/06/2026
Em Curiosidades
Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas

Inovação em cimento com biomassa marinha que reduz pegada de carbono industrial

O desenvolvimento de um cimento com algas vem ganhando espaço como alternativa para diminuir a pegada de carbono da construção civil. A proposta parte de um problema conhecido: o concreto é indispensável em obras de infraestrutura, mas o cimento tradicional está entre as atividades industriais que mais emitem CO₂, o que incentiva universidades e centros de pesquisa a buscar novas soluções com biomassa marinha.

O que é o cimento com algas e por que ele é considerado sustentável?

Nesse contexto, a inovação não está em substituir totalmente o cimento convencional, e sim em alterar parte de sua composição. Algas marinhas secas e transformadas em pó são incorporadas à mistura, dando origem a um cimento sustentável que preserva a função estrutural e reduz o impacto climático estimado.

A ideia é usar organismos que capturam carbono durante o crescimento como aliados no redesenho do concreto usado em ruas, pontes, prédios e outras estruturas. Assim, parte do CO₂ que entraria na atmosfera passa a ficar “armazenado” em materiais de longa vida útil.

Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas
Algas marinhas viram ingrediente de cimento de baixo carbono com ajuda de inteligência artificial

O que diferencia o cimento com algas do cimento tradicional?

No processo clássico, o cimento é produzido principalmente a partir de calcário, aquecido a altas temperaturas em fornos que consomem combustíveis fósseis. Essa etapa libera CO₂ tanto pela queima de energia quanto pela decomposição química do calcário, elevando o potencial de aquecimento global do material.

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Ao introduzir uma fração de biomassa de algas na mistura, parte desse material mineral é substituída por carbono já removido da atmosfera. Em uma das formulações estudadas, cerca de 5% em massa do ligante vem de biomassa marinha, reduzindo em torno de 21% o potencial de aquecimento global, sem perda significativa de resistência mecânica.

Como as algas marinhas são incorporadas ao cimento?

O ponto de partida é a escolha da espécie adequada, considerando crescimento rápido, disponibilidade regional e composição química estável. No estudo citado, a biomassa usada pertence ao gênero Ulva, um tipo de alga verde comum em zonas costeiras, que retira CO₂ do ar e o converte em matéria orgânica durante a fotossíntese.

Após a colheita, essa biomassa é desidratada e moída até virar um pó fino, adequado para ser misturado ao cimento. O uso da biomassa marinha apresenta particularidades que despertam interesse na área de materiais de construção ecológicos, pois combina captura de carbono com menor competição por terra e água doce.

  • O cultivo pode ocorrer em áreas costeiras, sem competir com terras agrícolas.
  • Há menor dependência direta de água doce, em comparação com culturas terrestres.
  • O ciclo de crescimento é relativamente rápido, permitindo várias colheitas ao ano.
  • Parte do carbono fixado na biomassa passa a compor o próprio material de construção.

Quais são os desafios para ampliar o uso de cimento de baixo carbono com algas?

Em termos de cimento de baixo carbono, a solução com algas marinhas integra um movimento maior de repensar a composição do concreto. Escórias de alto-forno, cinzas e outros materiais suplementares já são usados em diversas regiões, e as algas surgem como complemento ligado à bioeconomia marinha.

Especialistas ressaltam que qualquer proposta de construção sustentável baseada em biomassa marinha precisa considerar fatores como logística, custo, padronização e impacto ambiental do cultivo. Por isso, o concreto com algas ainda é classificado como tecnologia experimental, apesar dos resultados iniciais promissores em emissões e desempenho.

Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas
Cimento com algas reduz pegada de carbono sem perder resistência e aponta futuro mais limpo

Como a inteligência artificial ajuda no desenvolvimento do cimento com algas?

Um ponto marcante da pesquisa é a aplicação de inteligência artificial no cimento para acelerar o estudo de composições. Em vez de testar misturas apenas de forma empírica, modelos de aprendizado de máquina analisam dados de ensaios anteriores e sugerem novas formulações com maior probabilidade de atender aos critérios desejados.

O processo envolve coletar dados de proporções, tempos de cura e resultados de resistência, treinar modelos que relacionem composição e desempenho esperado e, depois, gerar recomendações de misturas com biomassa de algas. Assim, reduz-se o número de protótipos físicos necessários, sem eliminar a etapa essencial de testes em laboratório.

Quais são as perspectivas futuras para o cimento com algas?

Até 2026, o cimento com algas permanece em fase de avaliação, com foco em durabilidade, comportamento em diferentes condições climáticas e custo de produção em larga escala. Regiões costeiras com tradição em cultivo de algas despontam como candidatas naturais para projetos-piloto, reduzindo distâncias logísticas entre fazendas marinhas, fábricas de cimento e centros urbanos.

Também estão em estudo variações de receita que combinam algas com outros insumos de menor impacto, como cinzas ou resíduos minerais, compondo um portfólio de soluções para redução de CO₂ no concreto. O avanço da pesquisa acadêmica, a participação de empresas de tecnologia e a adaptação das normas de engenharia civil serão decisivos para levar o cimento com algas dos laboratórios aos canteiros de obras.

Tags: algas marinhasArquiteturacuriosidadesustentabilidade

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