Pesquisadores vêm testando um filtro de ar que captura CO₂ capaz de transformar sistemas de ventilação já existentes em instrumentos de remoção de carbono. A proposta é que cada prédio contribua um pouco, usando o equipamento de climatização que já funciona diariamente, para que casas, escolas e escritórios passem a atuar também na gestão do dióxido de carbono presente no ar.
Como funciona o filtro de ar que captura CO₂ em sistemas de ventilação?
O estudo, apresentado por uma equipe ligada à Universidade de Chicago e publicado na revista Science Advances, descreve um material desenvolvido com nanofibras de carbono combinadas a uma camada de polietilenoimina (PEI). Esse composto age como uma espécie de esponja química para CO₂, prendendo o gás à superfície ativa do material à medida que o ar atravessa o filtro.
Ao separar o dióxido de carbono do restante da mistura gasosa de forma contínua, o sistema torna possível capturar CO₂ sem alterar radicalmente a infraestrutura dos edifícios. Trata-se de um modelo de captura direta de ar distribuída, em que o processo ocorre dentro dos sistemas de climatização já em uso cotidiano.

Como o filtro de ar que captura CO₂ é usado dentro dos edifícios?
O ponto central da tecnologia está na integração com sistemas HVAC já instalados. Em vez de redesenhar toda a infraestrutura de ventilação, o filtro HVAC para CO₂ é projetado para ocupar o lugar de filtros convencionais, respeitando dimensões e padrões de fluxo de ar, operando de forma discreta.
Nesse cenário, a captura de carbono ocorre de forma distribuída: cada unidade de climatização se torna um pequeno ponto de remoção de CO₂. A soma de milhares ou milhões de unidades em funcionamento permanente resultaria em um volume significativo de dióxido de carbono retirado da atmosfera, complementando grandes plantas de captura direta de ar.
Qual é o potencial de remoção do filtro de ar que captura CO₂?
O estudo estima que a adoção ampla desse tipo de filtro em edifícios ao redor do mundo poderia resultar em uma remoção anual de centenas de milhões de toneladas de CO₂. Essa ordem de grandeza é comparável ao impacto de retirar uma fração relevante da frota global de automóveis das ruas por um ano, desde que a taxa de adoção e a operação sejam consistentes.
Para avaliar a efetividade real da tecnologia, os pesquisadores realizaram uma análise de ciclo de vida, incluindo emissões associadas à produção, transporte, substituição e descarte do material. Mesmo com esses fatores contabilizados, o sistema apresentou uma alta eficiência líquida de captura de carbono, removendo significativamente mais CO₂ do que emite ao longo de todo o processo.
Entre as características técnicas mais importantes da solução, destacam-se os seguintes pontos estruturais do sistema:
- Captura integrada ao fluxo de ar dos dutos;
- Uso de nanofibras de carbono como suporte estrutural;
- Revestimento com polietilenoimina (PEI) para fixação do CO₂;
- Operação contínua em conjunto com o sistema HVAC;
- Remoção distribuída em múltiplos prédios.

Como ocorre a regeneração do filtro e o que é feito com o CO₂ capturado?
Após determinado período de operação, o material adsorvente do filtro de ar que captura CO₂ atinge um estado de saturação, exigindo regeneração. O estudo propõe o uso de calor como principal mecanismo, com ênfase em fontes renováveis, em especial a energia solar térmica, para minimizar emissões adicionais.
O filtro é desenvolvido para absorver energia solar de forma eficiente, permitindo que o aquecimento quebre as interações químicas entre o CO₂ e a camada de PEI. Esse processo libera o gás em forma concentrada, facilitando seu encaminhamento para armazenamento ou reaproveitamento industrial, como uso em bebidas carbonatadas, materiais de construção ou síntese de combustíveis.
- O filtro é removido ou conectado a um módulo de regeneração.
- Uma fonte de calor, idealmente renovável, aquece o material.
- O CO₂ é liberado e coletado em estado concentrado.
- O gás é direcionado para armazenamento de longo prazo ou uso industrial.
- O filtro regenerado volta a ser instalado no sistema HVAC.
O filtro de ar que captura CO₂ pode reduzir o consumo de energia dos prédios?
Além da remoção de dióxido de carbono, o estudo aponta efeitos indiretos sobre a eficiência energética dos edifícios. Em muitos sistemas de climatização, parte do consumo de energia está associada à necessidade de renovar o ar interno com ar externo para manter níveis adequados de qualidade, especialmente em relação à concentração de CO₂.
Com um filtro de carbono para climatização atuando diretamente no ar interno, a quantidade de ar externo que precisa ser introduzida pode ser menor, reduzindo o volume a ser aquecido ou resfriado. Modelagens indicam que, em alguns cenários, a economia de energia pode atingir mais de 20%, dependendo de fatores como clima, perfil de ocupação, tipo de construção e controle inteligente do sistema HVAC.
Quais são os principais desafios para a captura de carbono urbana em edifícios?
Apesar dos resultados laboratoriais promissores, a adoção em larga escala ainda enfrenta barreiras técnicas e econômicas. Um primeiro ponto é o custo da produção de nanofibras de carbono em escala industrial, que precisa ser compatível com a realidade do mercado de manutenção predial, além da durabilidade do material e do número de ciclos de regeneração viáveis.
A implementação ampla da captura de carbono urbana exige redes de logística para coleta, transporte e regeneração dos filtros, bem como infraestrutura de armazenamento de CO₂. Sem rotas claras para o destino final do gás concentrado e sem políticas públicas, metas de descarbonização e incentivos financeiros, essa solução tende a ficar restrita a nichos, em vez de se tornar parte do conjunto padrão de tecnologia HVAC sustentável adotada em cidades.




