Aquela referência que você repetia de cor, pressão 12 por 8 está ótima, não vale mais. A 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em setembro de 2025 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em parceria com a SBN e a SBH, reclassificou esse valor como pré-hipertensão e redefiniu os parâmetros que médicos e pacientes precisam usar para avaliar o risco cardiovascular. A mudança já está em vigor e afeta diretamente quem faz acompanhamento de pressão arterial no Brasil.
O que mudou na classificação da pressão arterial em 2025?
A principal alteração foi a extinção da categoria “pressão ótima”. Antes, valores abaixo de 120/80 mmHg eram classificados como ótimos, e a faixa de 120 a 129/80 a 84 mmHg era considerada normal. Agora, pressão normal passou a ser qualquer valor abaixo de 120/80 mmHg, sem distinção interna. Tudo acima disso já entra na faixa de pré-hipertensão e acende um sinal de alerta.
O diagnóstico de hipertensão arterial continua exigindo medições iguais ou superiores a 140/90 mmHg em pelo menos duas ocasiões distintas, com aparelho automático validado. O que mudou foi o entendimento do que vem antes desse limiar, que agora é tratado como risco real e não como normalidade.

Quais são os estágios da pressão arterial segundo a nova diretriz?
A diretriz organiza os valores em faixas progressivas que orientam tanto o diagnóstico quanto a intensidade da intervenção. Entender em qual faixa você está é o primeiro passo para agir antes que o problema se instale:
| Classificação | Pressão sistólica (mmHg) | Pressão diastólica (mmHg) | Conduta recomendada |
|---|---|---|---|
| Normal | Menor que 120 | Menor que 80 | Monitorar anualmente |
| Pré-hipertensão | 120 a 139 | 80 a 89 | Mudança de hábitos imediata |
| Hipertensão estágio 1 | 140 a 159 | 90 a 99 | Avaliação médica e tratamento |
| Hipertensão estágio 2 | 160 a 179 | 100 a 109 | Tratamento medicamentoso prioritário |
| Hipertensão estágio 3 | 180 ou mais | 110 ou mais | Urgência, buscar atendimento |
Por que os especialistas tornaram os critérios mais rígidos?
A decisão tem base em evidências científicas acumuladas nos últimos anos. Estudos mostraram que valores antes tratados como limítrofes, como a chamada pressão 12 por 8, já se associam a maior risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca ao longo do tempo. Segundo o resumo publicado no portal Medway, a lógica da diretriz é tratar a pressão arterial como um contínuo de risco, e não como um interruptor que só liga aos 140/90 mmHg.
A meta geral de tratamento para quem já tem diagnóstico de hipertensão foi fixada em pressão menor que 130/80 mmHg, sempre que possível e bem tolerada pelo paciente. Para idosos frágeis, metas podem ser individualizadas pelo médico, mas a orientação geral é de proteção máxima contra eventos cardiovasculares.

O que fazer se sua pressão está na faixa de pré-hipertensão?
A nova diretriz é clara: na pré-hipertensão, a prioridade é agir com mudanças de estilo de vida antes de considerar medicamentos. As intervenções com maior evidência de resultado incluem:
- Redução do sódio: meta abaixo de 2 g por dia, equivalente a cerca de 5 g de sal de cozinha
- Atividade física: mínimo de 150 minutos por semana de exercício aeróbico moderado
- Controle do peso: perda de até 5% do peso corporal já produz redução mensurável na pressão
- Dieta DASH: rica em frutas, verduras, laticínios com baixo teor de gordura e pobre em sódio e gorduras saturadas
- Redução do álcool: limite de até 1 dose diária para mulheres e 2 para homens
Sua pressão está normal segundo a nova regra?
Se você ainda usa o 12 por 8 como referência de segurança, este é o momento de atualizar esse dado. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares no Brasil, e agir cedo, ainda na faixa de pré-hipertensão, pode evitar anos de tratamento medicamentoso e complicações graves. Meça sua pressão com regularidade, leve os números para o seu médico e não espere um susto para cuidar do coração. Compartilhe este conteúdo com quem você sabe que ainda não conhece essa mudança.




