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Cientistas alemães desenvolvem isolante térmico à base de cogumelos que armazena CO2 e é compostável após o uso

Douglas Myth Por Douglas Myth
28/05/2026
Em Curiosidades
Cientistas alemães desenvolvem isolante térmico à base de cogumelos que armazena CO2 e é compostável após o uso

Fungos cultivados em resíduos criam placas isolantes biodegradáveis que retêm carbono

Cientistas e empresas da construção civil têm dedicado atenção crescente ao isolamento térmico de micélio como alternativa sustentável aos materiais tradicionais. A proposta é utilizar a parte vegetativa dos fungos para criar placas isolantes que reduzem o consumo de energia em edifícios e ajudam a manter carbono fora da atmosfera, tanto em construções urbanas quanto rurais.

O que é isolamento térmico de micélio na construção civil?

O isolamento térmico de micélio é um biomaterial produzido a partir da rede de filamentos de fungos que cresce sobre um substrato vegetal. Em laboratório, resíduos como palha, cavacos de madeira ou fibras agrícolas são limpos, triturados e preparados para receber o micélio, que funciona como uma “cola” biológica.

À medida que o fungo se espalha entre as fibras, forma-se um biocompósito rígido ou semirrígido, com propriedades de isolamento térmico e, muitas vezes, acústico. Após atingir o formato e a densidade desejados, o material é aquecido para interromper o crescimento do organismo, resultando em blocos, placas ou painéis leves.

Cientistas alemães desenvolvem isolante térmico à base de cogumelos que armazena CO2 e é compostável após o uso
Cientistas alemães criam isolante de cogumelos que armazena CO₂ e reduz impacto nas obras

Como funciona o processo de fabricação do isolante de micélio?

O processo de fabricação começa com a seleção e preparo dos resíduos vegetais, que precisam estar livres de contaminantes para garantir um crescimento controlado do micélio. Em seguida, o substrato é inoculado com o fungo, que se desenvolve em condições moderadas de temperatura e umidade, geralmente em ambiente próximo à temperatura ambiente.

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Após o crescimento, o material é seco e estabilizado termicamente para garantir segurança e durabilidade. Essa etapa permite moldar o isolante em diferentes geometrias, incluindo peças curvas e encaixes especiais, o que favorece seu uso em fachadas ventiladas, módulos pré-fabricados e projetos de retrofit em edifícios existentes.

Por que o isolamento de micélio é considerado uma solução sustentável?

O potencial de sustentabilidade do isolamento térmico de micélio está ligado ao baixo consumo de energia na produção e ao uso de resíduos agrícolas e florestais. Diferentemente de isolantes sintéticos ou minerais, que exigem altas temperaturas ou processos químicos intensivos, o micélio cresce em condições suaves, reduzindo a energia incorporada no material.

Além disso, o biomaterial contribui para o armazenamento de carbono, pois os resíduos vegetais utilizados já contêm CO₂ capturado durante o crescimento das plantas. Muitos protótipos são ainda compostáveis, permitindo que, ao fim da vida útil, retornem ao solo como matéria orgânica, desde que revestimentos e aditivos sejam compatíveis com esse destino.

Quais são os principais desafios do uso de micélio na construção civil?

Apesar do interesse crescente, a transição do laboratório para a obra enfrenta desafios técnicos e regulatórios. O controle biológico é crucial, pois fungos são sensíveis a contaminações por microrganismos indesejados, o que pode comprometer lotes inteiros e afetar a padronização em escala industrial.

A durabilidade do material também está em estudo, especialmente quanto à resistência à umidade, variações de temperatura e impactos mecânicos. Pesquisadores testam revestimentos minerais e outras camadas protetoras para reduzir o risco de mofo e garantir desempenho térmico adequado em paredes externas, coberturas e ambientes internos úmidos.

Cientistas alemães desenvolvem isolante térmico à base de cogumelos que armazena CO2 e é compostável após o uso
Isolamento térmico de micélio usa resíduos vegetais para criar material compostável

Quais são as principais etapas para aplicar micélio em obras?

Na prática, o uso do micélio na construção civil segue uma sequência de etapas que integra produtores rurais, indústrias de biomateriais e construtoras. Esse fluxo produtivo busca aproveitar resíduos locais, reduzir custos e garantir que o material atenda às exigências técnicas de cada sistema construtivo.

Entre as etapas mais comuns de aplicação em projetos estão:

  • seleção de resíduos vegetais disponíveis regionalmente;
  • escolha da espécie de fungo adequada ao clima e às condições de cultivo;
  • crescimento do micélio em fôrmas compatíveis com o sistema construtivo;
  • secagem e estabilização térmica do material;
  • aplicação de revestimentos protetores, quando necessário;
  • instalação das placas ou blocos em paredes, pisos ou coberturas.

Quais são as aplicações atuais e perspectivas para o isolante de micélio?

O isolante de cogumelos vem sendo testado em diferentes tipos de edifícios, principalmente em projetos-piloto, edifícios demonstrativos e obras experimentais. Em habitações, pode ser aplicado em paredes internas, forros e coberturas leves, contribuindo para temperaturas mais estáveis e menor uso de aquecedores e ar-condicionado.

Escolas, escritórios e centros culturais também surgem como candidatos, sobretudo em reformas que buscam melhorar o desempenho energético sem grandes intervenções estruturais. Em paralelo, empresas e universidades trabalham para reduzir custos, adequar o material a normas técnicas, comprovar o desempenho em diferentes climas e estruturar cadeias de fornecimento regionais alinhadas à descarbonização da construção civil.

Tags: Arquiteturacuriosidadesustentabilidade

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