A expressão cobertura escalonada sustentável resume uma mudança importante na forma de projetar edifícios em cidades quentes: o topo deixa de ser apenas um limite técnico e passa a funcionar como extensão da vida cotidiana, como praça elevada, arquibancada e área de descanso, ajudando também a lidar com o calor intenso.
O que é uma cobertura escalonada sustentável em universidades?
Em Indore, no centro da Índia, um campus da Universidade Prestige levou essa ideia a um patamar incomum. O prédio principal abriga salas de aula, biblioteca, restaurante, auditório e setores administrativos, mas o elemento que mais chama atenção é a cobertura escalonada, tratada como grande espaço público em altura.
Nesse campus, o telhado funciona como extensão dos ambientes internos e da vida acadêmica. Estudantes e funcionários circulam livremente ao longo do dia, usando os degraus para estudar, descansar, assistir a eventos e aproveitar a ventilação natural em meio ao clima quente de Indore.

Por que a cobertura escalonada sustentável se destaca no campus?
Nesse projeto, a parte superior do edifício não é um terraço isolado, acessado por poucos. O volume do prédio se deforma para criar uma espécie de encosta artificial, formada por inúmeros patamares que conectam gradualmente o nível do solo ao topo.
Essa cobertura escalonada sustentável soma cerca de 9.000 m², área comparável a uma grande praça urbana, planejada para acomodar até 9.000 pessoas em eventos. Os degraus largos acolhem grupos menores em atividades informais e funcionam como arquibancada em celebrações, formaturas e aulas inaugurais.
Como os poços antigos influenciam a cobertura escalonada sustentável?
A geometria em camadas dialoga com uma tipologia tradicional da arquitetura indiana: os antigos poços escavados com degraus, comuns em regiões áridas. Essas estruturas criavam vazios arquitetônicos sombreados, com fileiras de escadas que desciam até a água, formando ambientes mais frescos que a superfície ao redor.
Na Universidade Prestige, essa lógica foi reinterpretada ao inverter o movimento, levando as pessoas para cima em vez de conduzi-las a um reservatório. A repetição rítmica dos degraus, o jogo de luz e sombra e o uso do desnível como lugar de convivência transformam uma referência histórica em solução contemporânea para o ensino superior.
Como a cobertura escalonada ajuda a reduzir o calor no edifício?
Indore registra verões longos, com temperaturas entre 30 °C e 40 °C. Para não depender apenas de ar-condicionado, o campus adota recursos de arquitetura passiva, nos quais o telhado escalonado atua em conjunto com outras decisões espaciais para melhorar o conforto térmico.
O projeto combina diferentes estratégias climáticas que, integradas, formam um sistema de resfriamento mais sustentável e adequado ao contexto local. Entre as principais soluções adotadas estão:
- Sombra abundante: os patamares lançam sombras sobre degraus inferiores e partes da fachada, reduzindo a incidência solar direta.
- Ventilação natural: aberturas, pátios internos e uma passagem diagonal no térreo permitem a circulação contínua do ar.
- Filtragem de luz: superfícies externas com telas perfuradas evitam ofuscamento e limitam o ganho de calor nas salas.
- Resfriamento por evaporação: um pequeno corpo d’água ao nível do solo intensifica a sensação de frescor nas áreas próximas.

Como o edifício organiza a rotina acadêmica no dia a dia?
Embora o telhado público concentre boa parte da atenção, a organização interna responde a uma rotina acadêmica complexa. O campus foi planejado para cerca de 3.000 estudantes, articulando espaços de grande fluxo com áreas de estudo mais silenciosas e de permanência prolongada.
No térreo, reúnem-se funções de maior movimento, como refeitório para centenas de usuários, pátios cobertos e auditório. O primeiro pavimento concentra a biblioteca em posição central, enquanto os andares superiores abrigam 45 salas de aula, gabinetes docentes e setores administrativos, sempre próximos a aberturas bem ventiladas.
Quais materiais tornam a cobertura escalonada mais sustentável?
O conjunto utiliza predominantemente concreto estrutural, tijolos de barro, blocos com cinzas volantes e arenito de regiões próximas, reduzindo longos deslocamentos de materiais. Essa escolha também facilita futuras manutenções e reforça a identidade regional da universidade indiana.
Superfícies de alta inércia térmica, como alvenaria maciça e concreto aparente, retardam o aquecimento dos ambientes internos ao longo do dia. Ao combinar referências históricas, materiais regionais e estratégias de ventilação natural, o campus mostra como a cobertura escalonada sustentável pode ser símbolo de identidade, equipamento coletivo e peça central de uma arquitetura educacional voltada à sustentabilidade.




