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Pesquisadores espanhóis criam um material de magnésio que converte CO2 em bicarbonato em 30 minutos sem consumo de energia

Douglas Myth Por Douglas Myth
26/05/2026
Em Curiosidades
Pesquisadores espanhóis criam um material de magnésio que converte CO2 em bicarbonato em 30 minutos sem consumo de energia

Paredes inteligentes ajudam a reduzir CO₂ e melhorar ambientes internos continuamente

Em laboratórios de materiais e energia, uma das linhas de pesquisa que mais avança é a criação de tinta que captura CO₂ em condições comuns de uso, como casas, escolas e escritórios. A proposta é transformar paredes em aliadas no controle da qualidade do ar, sem depender apenas de aparelhos ou sistemas complexos. Nesses ambientes, o gás carbônico passaria a ser parcialmente retido e transformado por um revestimento ativo aplicado como uma pintura comum, colaborando com o conforto e a saúde dos ocupantes.

O que é o MicroMg e como ele transforma paredes em filtros de CO₂?

Entre as iniciativas mais recentes está o desenvolvimento do MicroMg, um material espanhol à base de magnésio criado por pesquisadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC). Formulado para funcionar à temperatura ambiente e em contato direto com o ar, ele não exige gasto adicional de energia nem equipamentos especiais. Misturado à tinta, atua como um “componente funcional” capaz de capturar CO₂ e convertê-lo principalmente em bicarbonato, um produto estável em meio aquoso ou em superfícies preparadas para esse fim.

A base dessa tecnologia está na combinação entre um sal de magnésio e uma enzima, que dá origem ao MicroMg, classificado como material biohíbrido e microestruturado. Durante a síntese, formam-se pequenas estruturas cristalinas de fosfato de magnésio estabilizadas por uma lipase, o que aumenta muito a área de contato com o dióxido de carbono. Assim, a reação que transforma o gás em bicarbonato ocorre em condições ambientais, sem necessidade de aquecimento, alta pressão ou corrente elétrica.

Pesquisadores espanhóis criam um material de magnésio que converte CO2 em bicarbonato em 30 minutos sem consumo de energia
A tinta do futuro pode transformar CO₂ em bicarbonato enquanto melhora ambientes internos

Como funciona a reação da tinta que captura CO₂ nas superfícies?

Nos experimentos descritos pelos pesquisadores, quando o MicroMg é colocado em meio aquoso em contato com CO₂, a maior parte do gás é convertida em bicarbonato em cerca de 30 minutos. Esse processo ocorre em pH neutro e temperatura próxima à do cotidiano, demonstrando que a tecnologia é adequada para ambientes comuns. O mesmo princípio é aproveitado ao incorporar o material a uma tinta sustentável, que transforma a superfície pintada em um ponto ativo de interação com o ar do ambiente.

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Nesse contexto, sempre que houver dióxido de carbono disponível na camada de ar próxima à parede, a reação química é continuamente favorecida. Em testes de fase gasosa, o material incorporado à tinta reduziu a concentração de CO₂ em câmaras experimentais, com taxas em torno de 16 ppm por hora em níveis de até 1.500 ppm. Mesmo após sucessivas lavagens da superfície pintada, mais de 90% da atividade inicial foi preservada em três ciclos, sugerindo boa durabilidade e desempenho estável.

Por que a tinta que captura CO₂ é importante para ambientes internos?

O interesse por essa tinta que captura CO₂ está ligado ao fato de que o dióxido de carbono afeta não apenas o clima global, mas também o bem-estar em espaços fechados. Em ambientes com pouca renovação de ar, altas concentrações podem comprometer desempenho cognitivo, gerar cansaço e reduzir a capacidade de concentração. Salas de aula, escritórios, bibliotecas, salas de reunião e residências muito vedadas são exemplos em que o CO₂ tende a se acumular ao longo do dia, exigindo soluções passivas e contínuas.

Nesse cenário, revestimentos ativos como o MicroMg oferecem uma forma de mitigação complementar, atuando junto com ventilação natural ou mecânica. Esses materiais não substituem a renovação de ar, mas ajudam a suavizar picos de concentração de dióxido de carbono em ambientes ocupados. Ensaios indicam que a tecnologia pode ser integrada ao cotidiano sem manutenção constante, desde que a formulação seja compatível com tintas comerciais e com o uso diário das superfícies internas.

A tinta que captura CO₂ substitui sistemas de ventilação em edifícios?

As pesquisas indicam que a tinta que captura CO₂ não foi projetada para substituir janelas, exaustores ou sistemas de ar condicionado. A função principal é complementar as estratégias já existentes de ventilação e filtragem, oferecendo uma redução adicional e gradual do CO₂. Enquanto a ventilação renova o ar e remove diversos contaminantes, o revestimento com MicroMg age de forma específica sobre o dióxido de carbono, atuando de modo silencioso e contínuo nas superfícies.

Para entender o papel dessa tecnologia no conforto ambiental, é útil observar como ela se integra às demais soluções em um prédio moderno:

  • Ventilação adequada continua sendo essencial para renovar o ar e controlar poluentes diversos;
  • Sistemas de climatização mantêm temperatura e umidade em faixas confortáveis para os ocupantes;
  • A tinta com MicroMg atua como apoio contínuo na redução de picos de CO₂ em ambientes ocupados;
  • O conjunto dessas soluções define o nível de conforto, eficiência energética e qualidade do ar interior.
Pesquisadores espanhóis criam um material de magnésio que converte CO2 em bicarbonato em 30 minutos sem consumo de energia
O detalhe invisível na parede que pode ajudar a reduzir CO₂ dentro de escolas e escritórios

Quais são as aplicações do MicroMg na construção sustentável?

A incorporação do MicroMg a revestimentos dialoga diretamente com a tendência de construção sustentável, em que paredes, fachadas e tetos passam a ter funções adicionais. No caso da tinta sustentável que captura dióxido de carbono, as aplicações vão de espaços residenciais a grandes infraestruturas urbanas. Escolas, hospitais, estações de transporte e prédios administrativos podem se beneficiar de superfícies internas que colaboram com o controle de CO₂ no dia a dia, sem alterar significativamente a estética.

Em contexto urbano, discute-se o uso em túneis, passagens fechadas e áreas com circulação intensa de pessoas, onde a ventilação natural é limitada. Nesses locais, a pintura com MicroMg poderia atuar como uma camada extra de gestão da qualidade do ar interior, especialmente quando associada a projetos que já considerem iluminação natural e eficiência energética. A aplicação semelhante à de uma tinta convencional favorece a adoção em larga escala, desde que estudos econômicos confirmem custo competitivo.

Quais são os próximos desafios da tinta sustentável com MicroMg?

O MicroMg foi descrito em artigo científico na revista ACS Applied Energy Materials, assinado, entre outros, por Carla Garcia-Sanz e José M. Palomo, do Instituto de Catálise e Petroquímica do CSIC. A etapa de laboratório mostrou que o material de magnésio consegue capturar CO₂ e transformá-lo principalmente em bicarbonato em condições ambientais, tanto em solução quanto em superfícies recobertas. A partir desse ponto, a pesquisa avança para validar a tecnologia em cenários mais próximos da realidade de edifícios e cidades, com ocupação contínua.

Entre os próximos passos estão testes prolongados de durabilidade, estudos de custo em escala industrial e avaliação da compatibilidade com diferentes tipos de tinta. Também serão analisados o desempenho em ambientes reais, sujeitos a variações de temperatura, umidade e ventilação, e a interação com outros materiais ativos já usados em fachadas. Assim, a proposta de “paredes que ajudam a limpar o ar” ganha forma concreta, aproximando a construção civil de soluções que não apenas ocupam o espaço, mas também contribuem para cuidar dele.

Tags: Arquiteturasustentabilidadetinta

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