Após quase três décadas de operação, a empresa responsável pelas galletitas Tía Maruca encerrou as atividades de sua unidade mais importante em Albardón, na província de San Juan, alterando a rotina econômica e social de toda a região e reacendendo o debate sobre a perda de competitividade da indústria nacional.
Por que a fábrica de biscoitos Tía Maruca fechou em San Juan
A palavra-chave central desse episódio é fábrica de biscoitos Tía Maruca, cujo fechamento em San Juan está diretamente ligado à deterioração das condições econômicas argentinas. A combinação de inflação alta, queda do poder de compra e retração do consumo interno reduziu drasticamente as vendas de produtos de consumo massivo, como biscoitos doces e salgados, mesmo em marcas já consolidadas.
Entre 2024 e 2026, o mercado não conseguiu recuperar os níveis históricos de demanda, o que tornou mais difícil sustentar uma estrutura industrial de grande porte. Em paralelo, políticas econômicas instáveis e variações cambiais aumentaram a incerteza para investimentos de longo prazo, afetando o planejamento estratégico da companhia.

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Como a fábrica de biscoitos Tía Maruca se consolidou e qual seu papel regional
Ao longo de mais de 20 anos, a fábrica de biscoitos se consolidou como um símbolo de produção nacional, capaz de rivalizar com grandes multinacionais do setor alimentício. A unidade de Albardón funcionava como centro operacional da marca e representava a expansão para além de Buenos Aires, com geração de empregos diretos e indiretos.
Com o desligamento das máquinas, a comunidade local perdeu não apenas um empregador de peso, mas também um agente relevante na cadeia produtiva regional, que incluía fornecedores, transportadoras e pequenos comércios. Projetos sociais apoiados pela empresa, como doações a escolas e parcerias com cooperativas locais, também foram interrompidos.
Quais fatores tornaram a fábrica de galletitas Tía Maruca financeiramente insustentável
Ao mesmo tempo, os custos dos insumos básicos dispararam. Itens como farinha de trigo, açúcar, óleos vegetais e embalagens tiveram reajustes sucessivos, corroendo a margem de lucro da fábrica de galletitas Tía Maruca, que ainda precisava lidar com tarifas de energia em alta e custos logísticos crescentes em um país de dimensões extensas.
Mesmo com tentativas de renegociação de dívidas e ajustes internos, a empresa passou a operar com rentabilidade negativa. A falta de acesso a linhas de crédito acessíveis e a pressão tributária elevada limitaram investimentos em tecnologia e eficiência, fatores decisivos em um segmento altamente competitivo e cada vez mais pressionado por marcas de baixo custo.

Por que a combinação entre custos e capacidade ociosa foi decisiva
Nessa situação, o produto final perde competitividade em relação a marcas mais baratas e a itens vendidos em padarias ou comércios informais. Para entender melhor essa pressão econômica sobre a fábrica de biscoitos Tía Maruca, é possível destacar alguns fatores que se tornaram determinantes:
- Aumento dos insumos: preços de farinha, açúcar, energia e embalagens em alta constante.
- Capacidade ociosa: linhas de produção funcionando bem abaixo do limite projetado.
- Endividamento crescente: passivos financeiros acumulados em um ambiente de juros elevados.
- Concorrência de segundas marcas: produtos mais baratos ganhando espaço nas gôndolas.
- Dificuldade de crédito: falta de financiamento para modernizar equipamentos e reduzir custos.
Como o fechamento da fábrica de biscoitos impactou trabalhadores e a comunidade
O encerramento das atividades na fábrica de galletitas Tía Maruca teve impacto imediato sobre os funcionários da unidade de Albardón, muitos deles com anos de vínculo e experiência específica no setor alimentício. Diversos trabalhadores receberam notificações de desligamento de forma repentina, o que levou a manifestações em frente à planta industrial e à abertura de disputas judiciais em busca de direitos trabalhistas e indenizações adequadas.
Esse tipo de fechamento afeta não apenas quem atuava diretamente na produção de biscoitos. Transportadores, prestadores de serviço, pequenos fornecedores de matérias-primas e até comércios próximos à unidade industrial sentem o reflexo da paralisação, em um contexto em que novas vagas industriais são escassas e a recolocação tende a ser lenta.

