⭐ Destaques
Mais de 500 lojas fechadas simultaneamente após o colapso da rede de farmácias Rite Aid, controladora da marca desde 1996.
Marca vendida por US$ 19,2 milhões em 1º de julho de 2025 para a Hilrod Holdings, parceria fundada pelos criadores da Monster Beverage Corporation.
Fundada em 1940, a Thrifty Ice Cream sobrevive em supermercados da Costa Oeste americana e planeja expandir para novas regiões dos Estados Unidos.
Imagine entrar numa farmácia para comprar um remédio e sair com uma bola de sorvete no cone, pagando menos de três dólares. Essa era a magia da Thrifty Ice Cream, marca americana que encantou gerações, até que a crise de sua controladora apagou mais de 500 pontos de venda de uma só vez.
O sorvete que nasceu numa farmácia e virou tradição da Costa Oeste
A Thrifty Ice Cream foi fundada em 1940, em West Hollywood, na Califórnia. O grande diferencial da marca nunca foi apenas o sabor. Era o conjunto: preços acessíveis, em média US$ 2,50 por bola, sabores fora do comum como Chocolate Malted Krunch e Circus Animal Cookies, e o formato cilíndrico inconfundível, cortado por uma colher ergonômica que virou símbolo da marca.
Por décadas, os balcões da Thrifty funcionaram dentro das lojas da Rite Aid, uma das maiores redes de farmácias dos Estados Unidos. Essa parceria transformou o sorvete num ritual cotidiano para famílias de bairros californianos, tornando o produto parte da memória afetiva de gerações inteiras.

Quando a controladora vai à falência, o sorvete some junto
O problema é que o destino da Thrifty Ice Cream ficou completamente atrelado ao da Rite Aid. A rede de farmácias, que chegou a operar cerca de 5 mil lojas nos Estados Unidos, enfrentou duas falências consecutivas: a primeira em outubro de 2023, com dívidas financiadas de aproximadamente US$ 3,99 bilhões mais passivos superiores a US$ 1 bilhão relacionados a processos sobre opioides, e a segunda em maio de 2025, quando a reorganização fracassou por completo.
O problema adicional é que os balcões de sorvete funcionavam dentro do espaço físico das farmácias e não podiam ser transferidos ou vendidos separadamente. Quando as mais de 1.200 unidades restantes da Rite Aid fecharam as portas definitivamente, aproximadamente 500 pontos de venda da Thrifty desapareceram ao mesmo tempo, algo raro mesmo em grandes crises do varejo americano.
O que esse caso ensina sobre dependência de canal
A trajetória da Thrifty Ice Cream é um exemplo claro de como uma marca consolidada pode ser derrubada não por falhas próprias, mas pela vulnerabilidade do canal onde distribui seus produtos. O sorvete nunca perdeu qualidade ou clientela. O que falhou foi a estrutura ao redor. Veja os principais fatores que levaram ao colapso dos pontos de venda:
- Dependência total de um único parceiro: quase todos os balcões de sorvete funcionavam exclusivamente dentro das lojas da Rite Aid, sem alternativas robustas de distribuição direta.
- Impossibilidade de separar os ativos: os espaços de venda não podiam ser negociados de forma independente das farmácias, o que acelerou o colapso.
- Duas falências consecutivas da controladora: em outubro de 2023 e maio de 2025, a Rite Aid não conseguiu se recuperar, arrastando consigo a operação dos sorvetes.
- Dívidas bilionárias: a Rite Aid acumulou cerca de US$ 3,99 bilhões em dívidas financiadas, além de mais de US$ 1 bilhão em passivos de processos sobre opioides.
- Fechamento simultâneo de centenas de unidades: o impacto foi imediato e visível, deixando consumidores sem o produto da noite para o dia.
🔑 Pontos-chave
Marca histórica: a Thrifty Ice Cream existe desde 1940 e construiu décadas de lealdade com preços baixos e sabores criativos na Costa Oeste dos EUA.
Nova gestão: a Hilrod Holdings adquiriu a marca em 1º de julho de 2025 por US$ 19,2 milhões, garantindo fábrica, receitas e equipamentos de produção em El Monte, Califórnia.
Expansão planejada: já presente em varejistas como Albertsons e Vons antes da falência, a marca agora mira novas regiões dos Estados Unidos sob a nova gestão.
A nostalgia como trunfo para recomeçar
Em 1º de julho de 2025, a Justiça americana aprovou a venda da Thrifty Ice Cream por US$ 19,2 milhões para a Hilrod Holdings. O nome da compradora, aliás, carrega um detalhe curioso: é a fusão dos primeiros nomes de Hilton Schlosberg e Rodney Sacks, os fundadores da Monster Beverage Corporation. A transação incluiu a fábrica em El Monte, na Califórnia, além das receitas e dos equipamentos de produção.
Especialistas do setor apontam que marcas com apelo emocional forte tendem a atrair investidores mesmo após uma falência. A Thrifty carrega esse valor: décadas de memórias afetivas ligadas ao formato cilíndrico, ao preço justo e ao ritual de comprar sorvete dentro de uma farmácia. Esse ativo intangível pode ser decisivo para manter a marca relevante mesmo sem os balcões que a tornaram famosa.

O novo capítulo: expansão regional e novos sabores
A Thrifty Ice Cream já estava presente no setor de freezer de varejistas como Albertsons e Vons bem antes da falência da Rite Aid. A diferença agora é a ambição de escala: a nova gestão anunciou planos de ampliar o catálogo de sabores e levar os produtos para além da Costa Oeste, alcançando regiões dos Estados Unidos onde a marca ainda não tem presença consolidada.
O caso da Thrifty é mais do que a história de um sorvete: é um lembrete de que até as marcas mais queridas ficam vulneráveis quando apoiam toda a sua operação em um único parceiro. O futuro do cilindro de sorvete de US$ 2,50 agora depende da criatividade dos novos donos e da força de uma herança construída desde 1940.
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