No alto da Serra da Mantiqueira, sobre um dos terrenos rochosos mais antigos do Brasil, um vilarejo de pouco mais de 7 mil moradores recebe 500 mil visitantes todo ano. As ruas, casas e igrejas foram erguidas sobre quartzito branco, sem argamassa em boa parte das construções. São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais, virou referência mundial em turismo místico.
Por que esta cidade aparece na lista dos sete pontos energéticos do planeta?
O posto não é oficial nem científico, mas circula desde os anos 1980 entre grupos esotéricos. A explicação mais aceita por moradores ligados à tradição envolve a geologia local. O quartzito do solo funcionaria como condutor natural de campo magnético.
A cidade fica a cerca de 1.440 metros de altitude, no topo de uma montanha de pedra que aflora da Serra da Mantiqueira. A formação rochosa tem milhões de anos e abastece desde o início do século 20 a atividade econômica local com a chamada “pedra São Tomé”, usada em pisos e fachadas no Brasil e no exterior.
A reputação atrai bruxas, terapeutas, artistas e famílias em busca de uma atmosfera diferente. Em outubro, o município sedia o Festival de Inverno e mantém uma rotina de turismo alternativo o ano inteiro.

A lenda do escravo João Antão e a fundação do município
A história começa no fim do século 18. João Antão fugiu da fazenda Campo Alegre, do capitão João Francisco Junqueira, e se escondeu em uma gruta no alto da serra. Segundo a tradição oral preservada pela Prefeitura de São Thomé das Letras, ali apareceu um homem de vestes brancas que entregou a João Antão uma carta destinada ao capitão.
O fazendeiro ficou impressionado: o escravo era analfabeto, mas a carta tinha caligrafia perfeita. Ao visitar a gruta, encontrou apenas uma imagem de São Tomé esculpida em madeira. João Antão recebeu a alforria, e Junqueira mandou erguer uma capela ao lado do refúgio.
O nome “das Letras” veio das inscrições em pigmento avermelhado encontradas na entrada da caverna. As marcas são atribuídas aos índios Cataguases e algumas pinturas têm entre 2 mil e 5 mil anos. Conforme registros do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), o Centro Histórico e a Igreja Matriz, iniciada em 1785, foram tombados em 1996.

O que ver no vilarejo místico de Minas Gerais
A serra guarda pelo menos uma dúzia de quedas d’água em diferentes níveis de dificuldade, além de grutas, mirantes e pontos lendários. Entre as atrações mais procuradas, destacam-se:
- Gruta de São Thomé: a caverna que originou a cidade, com inscrições rupestres atribuídas aos Cataguases. Aberta à visitação gratuita no centro.
- Pirâmide de São Thomé: construção dos anos 1980 erguida pelo morador Cezar Augusto Bezane, virou o mirante mais disputado para o pôr do sol.
- Cachoeira Véu da Noiva: queda alta e estreita em meio à mata, ideal para fotos e contemplação.
- Ladeira do Amendoim: rua famosa onde carros desligados parecem subir o aclive sozinhos, seja por ilusão de ótica ou pela energia das pedras.
- Gruta do Carimbado: alimenta a lenda de um túnel subterrâneo que ligaria São Thomé a Machu Picchu, no Peru. Fechada à visitação desde 2012.
De acordo com o portal oficial Turismo Minas Gerais, o conjunto histórico tombado e o ecoturismo formam os principais atrativos da rota.
Quem deseja montar um roteiro inesquecível em Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 248 mil visualizações, onde os apresentadores mostram o que fazer em 4 dias em São Thomé das Letras:
Quando ir para São Thomé das Letras e o que esperar do clima
O outono e o inverno concentram a alta temporada na cidade, com céu limpo e dias secos ideais para grutas e mirantes. O verão é chuvoso, com pancadas que liberam volume das cachoeiras, e o frio noturno aparece o ano todo por causa da altitude.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar, especialmente nas áreas mais altas.
Suba a serra e descubra esse pedaço de Minas
O município reúne em poucos quilômetros uma das histórias coloniais mais curiosas do país, inscrições rupestres milenares e cachoeiras cercadas por quartzito branco. Cada esquina entrega uma camada diferente entre a fé católica, o folclore indígena e a tradição esotérica que se firmou nas últimas décadas.
Você precisa subir esta serra ao menos uma vez na vida e ver o sol se pôr da Pirâmide, com a montanha de pedra inteira ganhando tons de rosa e dourado.



