A 1.400 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, três vilas interligadas dividem o mesmo rio gelado, mas pertencem a dois estados diferentes. Visconde de Mauá, no sul fluminense, reúne Mauá, Maringá e Maromba em um destino de pousadas de lareira, trilhas e mais de 120 cachoeiras de águas cristalinas.
Por que Visconde de Mauá fica entre dois estados
O destino não é cidade nem município. Trata-se de um distrito rural remoto cuja administração é dividida entre três prefeituras: Resende e Itatiaia, no Rio de Janeiro, e Bocaina de Minas, em Minas Gerais. O Rio Preto serve como fronteira natural entre os estados e cruza as três vilas, fazendo de Maringá o caso mais curioso: um lado pertence a Itatiaia, o outro a Bocaina de Minas. Basta atravessar uma das pontes de madeira para mudar de estado em poucos passos.
Cada vila tem um perfil próprio. Mauá é a primeira a ser alcançada vindo da Serra da Mantiqueira, com clima de centro histórico e comércio local discreto. Maringá concentra o coração gastronômico, com a Alameda Tia Sofia reunindo dezenas de restaurantes em um trecho de poucos metros. Maromba é a mais alta das três e a primeira a receber as águas do Rio Preto, o que explica por que ali se concentra a maioria das cachoeiras procuradas pelos visitantes.

Reconhecimento como destino de montanha do sul fluminense
A região é tratada como um dos cartões mais valorizados do turismo de montanha do estado pela Prefeitura de Resende, que reconhece o vilarejo pelas belezas naturais, bosques de araucárias, cachoeiras e clima ameno o ano inteiro. O turismo de inverno tomou força a partir dos anos 1980, quando as baixas temperaturas começaram a ser comparadas ao clima alpino europeu.
O município protege parte da área dentro do Parque Estadual da Pedra Selada, que abriga um dos rochosos mais altos da região, com 1.755 metros. A região também faz divisa com a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia, uma das maiores reservas florestais brasileiras. Eventos como a tradicional Festa do Pinhão, em maio, e o Festival de Inverno, entre julho e agosto, ajudam a consolidar a vila como destino o ano inteiro.

O que fazer em Mauá Maringá e Maromba
O roteiro clássico combina cachoeiras de águas geladas, trilhas em meio a araucárias e jantares em pousadas com lareira acesa. Os principais atrativos da região reúnem:
- Cachoeira do Escorrega: cartão-postal da Maromba, com paredão de pedra que forma um tobogã natural até uma piscina de águas cristalinas.
- Poção 7 metros (Poção da Maromba): piscina de águas calmas com trampolim natural, acessada por trilha curta de degraus de pedra.
- Cachoeira Véu da Noiva: queda fina e alta no roteiro tradicional da Maromba, primeira parada do circuito a partir da pracinha.
- Cachoeira Santa Clara: paredão de pedras de cerca de 40 metros que forma uma ducha natural no Vale do Pavão.
- Pedra Selada: trilha de cerca de 5 km no Parque Estadual da Pedra Selada, com cume a 1.755 metros e vista panorâmica.
- Bosque do Visconde: pequena trilha autoguiada de 880 metros junto à vila de Visconde de Mauá, com araucárias e observação de aves.
A gastronomia do vilarejo é uma atração à parte, com forte presença de pratos típicos da serra. As mesas mais procuradas trazem:
- Pratos à base de pinhão: fruto da araucária aparece em risotos, sopas e farofas, especialmente no inverno.
- Comida mineira de fazenda: frango caipira com quiabo, tutu de feijão e doces de tacho servidos em restaurantes rurais do entorno.
- Fondue e raclette: a estrela das pousadas da Maringá nos meses frios, com cardápios temáticos das casas com lareira.
- Trutas frescas: criadas em pesque-pague da região, servidas grelhadas ou ao molho de alcaparras nas pousadas locais.
Quer um roteiro completo de 3 dias em Visconde de Mauá, com tudo o que você precisa saber? Vai curtir esse vídeo do canal Casal Alencar, onde o casal mostra o destino:
Quando o clima favorece cada estação em Visconde de Mauá
O vilarejo tem duas estações marcantes: verão chuvoso e quente entre novembro e março, e inverno frio e seco de abril a outubro. No inverno, a temperatura pode chegar a 0°C ou abaixo nas madrugadas. Veja a seguir o que aproveitar em cada época na região:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Resende, cidade-base mais próxima. Condições podem variar.
Como chegar até Visconde de Mauá
O acesso principal é feito pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), saída no km 311, entre as cidades de Resende e Itatiaia. A partir da rotatória, segue-se pela RJ-163 em uma subida de cerca de 30 km pela Serra da Mantiqueira até a vila de Mauá. Conforme guias locais, o trajeto a partir do Rio de Janeiro dura entre 2h30 e 3 horas de carro.
Para quem prefere transporte público, a Viação Cidade do Aço opera linhas diretas do Rio em fins de semana e feriados. Nos demais dias, o caminho é descer na Rodoviária de Resende e tomar um ônibus local da Viação Resendense até as vilas. O aeroporto mais próximo é o do Galeão, no Rio, a cerca de 200 km do destino.
Vale a pena conhecer esse refúgio entre dois estados
Visconde de Mauá é o tipo de lugar que devolve o silêncio em camadas: o som das araucárias, o canto das aves nas trilhas e o estouro da lareira no fim do dia. As três vilas formam um conjunto raro, atravessado pelo Rio Preto e marcado pelo ar de montanha que poucas regiões do sudeste oferecem.
Você precisa subir a Serra da Mantiqueira e atravessar uma das pontes do Rio Preto, sentir a água gelada e entender por que esse vilarejo virou refúgio antigo dos cariocas e paulistas que querem fugir da rotina.




