Uma decisão judicial recente na Espanha reacendeu o debate sobre o rigor das perícias médicas. O tribunal local interveio após o órgão previdenciário onde se nega aposentadoria por invalidez a uma faxineira diagnosticada com câncer de mama.
Por que a Seguridade Social negou o benefício inicialmente?
O Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS espanhol) alegou que a trabalhadora ainda possuía capacidade de caminhar e permanecer de pé. Mesmo após sessões intensas de quimioterapia e radioterapia, os peritos entenderam que as sequelas neurológicas não eram suficientes para a incapacidade total.
Entretanto, a defesa comprovou que a paciente desenvolveu uma polineuropatia axonal severa, que causa quedas e perda de sensibilidade. O tribunal entendeu que a decisão onde o órgão nega aposentadoria por invalidez ignorou o impacto real do tratamento oncológico na vida laboral da faxineira.

Como a Justiça interpreta as sequelas do câncer?
O Tribunal Superior de Justiça de Castela e Leão estabeleceu que o câncer é uma doença altamente incapacitante, não apenas pelo tumor, mas pelos danos colaterais dos remédios. O acórdão destacou que o processo oncológico só é considerado superado após cinco anos sem qualquer recidiva da doença.
Para os magistrados, as sequelas residuais impedem o exercício de qualquer profissão com o mínimo de rendimento necessário. Assim, a sentença obrigou o governo a pagar a pensão por incapacidade permanente absoluta, corrigindo a injustiça cometida quando o sistema administrativo nega aposentadoria por invalidez.
Quais são os direitos do paciente oncológico no Brasil?
No Brasil, a legislação oferece proteções específicas para quem enfrenta neoplasias malignas. Segundo a Lei 8.213/1991, o câncer é uma das doenças que dispensa o período de carência para a solicitação de auxílio-doença ou aposentadoria.
Isso significa que o segurado não precisa ter contribuído por 12 meses para ter direito ao suporte financeiro, bastando comprovar a incapacidade total e definitiva. Se o INSS brasileiro nega aposentadoria por invalidez nesses casos, o trabalhador pode recorrer judicialmente para garantir a subsistência durante o tratamento.
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Qual o valor do benefício por incapacidade permanente?
O cálculo da aposentadoria no Brasil mudou após a Reforma da Previdência. Atualmente, o valor começa em 60% da média de todos os salários de contribuição, subindo gradualmente conforme o tempo de serviço que exceder os limites mínimos estabelecidos em 2019.
Há uma exceção importante: se o aposentado precisar de assistência permanente de terceiros para atividades básicas, o valor recebe um acréscimo de 25%. Informações detalhadas sobre os cálculos podem ser consultadas no portal oficial do Instituto Nacional do Seguro Social, que gerencia os pagamentos federais.
Confira os documentos essenciais para solicitar o benefício:
- Laudo médico: Deve conter o CID da doença e a descrição das sequelas.
- Exames recentes: Biópsias, relatórios de quimioterapia e exames de imagem.
- Carteira de trabalho: Comprovação da qualidade de segurado no momento do diagnóstico.
- Relatório funcional: Descrição das dificuldades enfrentadas para realizar o trabalho atual.
- Receituários: Lista de medicamentos controlados utilizados no tratamento contínuo.
O que fazer se o INSS negar o pedido de aposentadoria?
Se a perícia administrativa nega aposentadoria por invalidez, o segurado tem o direito de apresentar um recurso administrativo em até 30 dias. Caso a negativa persista, a via judicial torna-se o caminho mais eficaz para obter uma avaliação por peritos especialistas nomeados pelo juiz.
A jurisprudência brasileira tem seguido o exemplo internacional, reconhecendo que a incapacidade vai além da presença do tumor, englobando o desgaste psicológico e físico. Manter toda a documentação organizada é a chave para reverter decisões injustas e assegurar que o paciente foque exclusivamente em sua recuperação plena.




