A 60 km do Recife, uma vila do litoral sul pernambucano guarda piscinas de água morna que surgem na maré baixa, entre recifes de coral. Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, foi eleita dez vezes consecutivas a melhor praia do Brasil e carrega um nome com origem incômoda.
A origem sombria por trás de um nome aparentemente simples
Antes de receber o apelido atual, a região era chamada de Porto Rico, pela abundância de pau-brasil. A mudança veio no século XIX, depois que a Lei Feijó, de 7 de novembro de 1831, declarou ilegal o tráfico transatlântico de africanos escravizados e obrigou os contrabandistas a procurar pontos de desembarque fora do radar do Porto do Recife.
Nos navios que chegavam à costa pernambucana, engradados de galinhas-d’angola eram usados para disfarçar a chegada clandestina de pessoas. A senha que anunciava o desembarque virou frase histórica: tem galinha nova no porto. A ressignificação do nome veio décadas depois, com o artista piauiense Gilberto Carcará, que esculpiu galinhas coloridas em troncos de coqueiro distribuídos pelas praças e calçadas da vila.

Por que essa vila virou sinonimo de aquario natural
O cartão-postal aparece pontualmente, quando o mar recua. Os recifes ficam a poucos metros da areia e formam piscinas rasas de fundo transparente, onde peixes coloridos nadam a centímetros da superfície. O trajeto até elas é curto e feito em jangadas conduzidas por jangadeiros locais credenciados pela Prefeitura de Ipojuca.
Consultar a tábua das marés antes de reservar o passeio é indispensável, porque é o nível do mar que decide se as piscinas vão estar ou não à mostra naquele dia. A temperatura da água morna o ano inteiro completa o cenário que transformou a vila no destino mais premiado do turismo brasileiro.

Reconhecimento nacional e projeção internacional da vila
A consagração do destino chegou por uma sequência rara de votações populares. Os principais selos estão reunidos abaixo:
- Melhor Praia do Brasil: dez títulos consecutivos pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, conforme registrado pela Prefeitura de Ipojuca.
- Cerca de 670 mil visitantes por ano: dado divulgado pela Secretaria de Turismo do Estado de Pernambuco e referenciado pela prefeitura municipal.
- Argentina como principal emissor internacional: aproximadamente 150 mil argentinos desembarcam no destino por ano, segundo a mesma secretaria estadual.
- Destaque na passagem da Tocha Olímpica: em reportagem de infraestrutura do Ministério do Turismo, a vila foi apresentada como um dos cenários paradisíacos do revezamento em Pernambuco.
Entre 2011 e 2012, plano de manejo, parcerias com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e eventos como o Visit Pernambuco Travel Show consolidaram a vila como vitrine do turismo nordestino no mercado internacional.
O que fazer na vila pernambucana alem das piscinas
O distrito reúne mais de 18 km de litoral em sequência, com perfis bem diferentes em poucos minutos de carro. Os principais programas da região são:
- Piscinas naturais da Praia da Vila: o cartão-postal, com travessia de jangada na maré baixa para nadar entre peixes e corais vivos.
- Praia de Muro Alto: barreira natural de recifes que cria uma piscina gigante de água parada, ideal para caiaque e stand up paddle.
- Praia do Cupe: faixa de areia longa, com ondas mais fortes em alguns trechos e procurada por surfistas.
- Pontal de Maracaípe: encontro do rio com o mar, onde acontece o passeio de observação de cavalos-marinhos no manguezal.
- Projeto Hippocampus: centro de pesquisa e educação ambiental dedicado à proteção dos cavalos-marinhos do litoral pernambucano.
- Feira de Artesanato e Rua das Sombrinhas: núcleo comercial aberto do centro da vila, com peças de couro, renda e as famosas galinhas de Carcará.
A gastronomia reforça o motivo da fama. Os pratos mais comuns servidos pelos restaurantes e barracas de praia são:
- Bobó de camarão: preparado com mandioca, leite de coco e dendê, servido com arroz branco e farofa.
- Moqueca pernambucana: feita com peixe branco, coentro e azeite, versão local mais leve que a capixaba.
- Peixe na telha: pargo ou dourado assado em telha de barro, acompanhado de pirão de camarão.
- Casquinha de siri: petisco clássico das barracas da orla, servido na própria carapaça do crustáceo.
- Tapioca na praia: recheio doce ou salgado feito na hora, disponível nas barracas da Praia da Vila.
Quem sonha em visitar Pernambuco, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 118 mil visualizações, onde Bruna e Adriano mostram um roteiro completo por Porto de Galinhas, com dicas de hospedagem, preços de passeios e as famosas piscinas naturais:
Qual a melhor época para viajar ate Porto de Galinhas
O clima tropical mantém temperaturas altas praticamente o ano inteiro, mas a transparência da água e a formação das piscinas dependem do período. Veja como o calendário se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ate a vila de aguas mornas do litoral pernambucano
O ponto de partida natural é o Aeroporto Internacional do Recife, a cerca de 60 km da vila. De carro, o trajeto pela BR-101 e depois pela PE-060 leva em torno de uma hora. Transfers, vans e ônibus executivos saem tanto do aeroporto quanto do Terminal Cais de Santa Rita, no Recife, com partidas diárias durante todo o ano.
Conheça a praia mais premiada do pais
Porto de Galinhas entrega, na mesma faixa de areia, peixes coloridos, jangadas pintadas à mão e uma história que a vila decidiu não esconder. É o raro encontro entre beleza natural, infraestrutura madura e memória preservada em forma de arte.
Você precisa atravessar de jangada até as piscinas naturais pelo menos uma vez e entender por que esse pedaço de Pernambuco virou o destino de praia mais premiado do Brasil.




