Uma torre que une sustentabilidade pode nascer de um material que quase ninguém imagina? Na Tailândia, o arquiteto Boonserm Premthada usou tijolos feitos com esterco de elefante para criar a Goya Tower, obra que liga reaproveitamento, cultura local e arquitetura.
O que torna a Goya Tower tão diferente?
A diferença está nos tijolos redondos feitos à mão com esterco de elefante. Cada peça tem 33 centímetros de diâmetro e 5 centímetros de espessura, depois seca ao sol antes de entrar na montagem.
Os tijolos ficam empilhados em hastes centrais de aço, formando colunas cilíndricas em alturas diferentes. O resíduo compõe as paredes e o desenho visual, enquanto o aço mantém as peças alinhadas durante a montagem.

Como o esterco de elefante vira parte da construção?
O material aproveita fibras vegetais que permanecem no esterco depois da alimentação do animal. O arquiteto pesquisa esse uso há anos, e seus tijolos de esterco de elefante fazem parte de uma coleção dedicada à relação entre arquitetura e terra.
Na Goya Tower, as peças são moldadas, secas ao sol e produzidas em 5 tons. O resultado aparece em faixas coloridas que sobem pelas colunas.
O processo pode ser resumido em etapas simples:

Como é possível caminhar dentro da torre?
A obra não funciona apenas como uma escultura vista de fora. O visitante entra, sobe por escadas e percorre passagens curvas entre as colunas, com aberturas que mostram a paisagem de Phang Nga.
O percurso cria mudanças de luz, sombra e visão conforme a pessoa sobe. Esse interesse pelos sentidos também aparece na trajetória de Boonserm Premthada, fundador do Bangkok Project Studio.
Durante a visita, a arquitetura oferece:
- escadas que levam aos níveis mais altos;
- passagens curvas entre colunas;
- aberturas para entrada de luz e vento;
- pontos de observação da área ao redor.
Assim, a torre mistura monumento, percurso e mirante sem esconder o modo como os tijolos foram montados.
Leia também: As maravilhas da China mostram pontes no mar, trens sobre montanhas e arquitetura futurista gigante
Quais detalhes ligam o projeto à cultura local?
A Goya Tower fica na entrada do projeto Matalay, em Phang Nga, no sul da Tailândia. A torre recebeu o nome de uma elefanta nascida na região, reforçando a ligação entre a obra, os animais e a memória do lugar.
A paisagem também tem peso no projeto. O marco natural Khao Chang lembra um elefante agachado e é apontado como símbolo da província pela página oficial de Phang Nga.
Os principais elementos da obra aparecem nesta comparação:

Por que a torre chama atenção além do material?
O projeto chama atenção porque não trata o resíduo apenas como curiosidade. Ele usa a matéria para criar forma, cor, percurso e uma ligação direta com a história de Phang Nga.
Esse caminho já ganhou reconhecimento internacional: uma estrutura do arquiteto feita com o mesmo tipo de tijolo recebeu menção especial na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025. A Goya Tower amplia essa pesquisa e mostra como um material rejeitado pode virar parte visível de uma obra contemporânea.




