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O Governo proíbe os bancos de emitir cartões de crédito e de aumentar os seus limites sem o pedido do cliente

Gabriel Martins Por Gabriel Martins
11/04/2026
Em Economia
O Governo proíbe os bancos de emitir cartões de crédito e de aumentar os seus limites sem o pedido do cliente

Novas regras exigem pedido do cliente para emissão de cartões

Nas discussões mais recentes sobre crédito ao consumidor, uma mudança específica ganhou força: bancos deixam de poder emitir cartões de crédito ou aumentar limites por conta própria, sem que o cliente tenha feito um pedido claro. A regra vale para novos cartões, para a ampliação de limite em cartões já usados e para linhas de crédito associadas a outros produtos. A lógica é direta: o primeiro passo precisa vir do consumidor, e não da instituição financeira, trazendo mais controle e reduzindo o risco de endividamento desnecessário.

Por que governos estão proibindo cartão e aumento de limite sem pedido do cliente

A motivação central dessa mudança é a proteção do consumidor. Autoridades econômicas identificaram que a ampliação automática de crédito aumentava o risco de dívidas acima da capacidade de pagamento, muitas vezes sem que a pessoa percebesse o impacto no seu orçamento.

Nesse novo cenário, o banco ainda pode divulgar ofertas, enviar propostas personalizadas e informar que determinado cliente tem perfil para contratar um cartão ou empréstimo. O que passa a ser vedado é transformar essa oferta em contrato sem um pedido inequívoco, e o silêncio do cliente não pode mais ser interpretado como aceitação.

O Governo proíbe os bancos de emitir cartões de crédito e de aumentar os seus limites sem o pedido do cliente
Governos proíbem limites automáticos para evitar o endividamento excessivo dos cidadãos

Como funciona o consentimento expresso na nova lei de crédito ao consumidor

A nova lei de crédito ao consumidor, em discussão e implementação na União Europeia e adotada por países como a Espanha, gira em torno do consentimento expresso. Para que um cartão seja emitido ou um limite seja ampliado, o cliente precisa receber informações claras e manifestar sua vontade por um canal identificado.

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Para tornar essa lógica prática no dia a dia, a legislação determina etapas mínimas que os bancos devem cumprir antes de liberar o crédito:

  1. Receber informações claras sobre juros, tarifas, forma de pagamento e riscos do produto;
  2. Manifestar sua vontade por canal identificado (aplicativo, internet banking, telefone gravado ou presença física);
  3. Ter esse consentimento registrado pela instituição, de forma a permitir comprovação posterior.

Esse padrão também vale para cartão de crédito rotativo, cheque especial e descoberto em conta, em conjunto com limites ao custo total do crédito. Além disso, bancos, financeiras, plataformas digitais e empresas de tecnologia que oferecem crédito passam a seguir padrões semelhantes de transparência, avaliação de risco e registro de consentimento.

Como pequenas empresas e trabalhadores independentes são impactados

As mudanças no crédito ao consumo dialogam com outros ajustes regulatórios na Europa. Bruxelas, por exemplo, tem pressionado pela adaptação das regras de IVA, permitindo que determinados pequenos trabalhadores independentes sejam isentos do imposto se permanecerem abaixo de um limite anual de faturamento, reduzindo burocracia e carga tributária.

No comércio, as regras delimitam com mais clareza quando há simples parcelamento e quando há crédito ao consumo. Para cobrar juros, o financiamento precisa ser operacionalizado por uma instituição financeira autorizada ou intermediário regulado, e não diretamente pelo estabelecimento sem supervisão.

  • Lojas podem continuar dividindo compras em parcelas sem juros por conta própria.
  • Para cobrar juros, é obrigatória parceria com banco, financeira ou plataforma regulada.
  • O consumidor passa a saber com transparência quem está, de fato, concedendo o crédito.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Advogado Ricardo Reis falando sobre a situação de pessoas que possuem nome limpo, porém não conseguem aumentar seu limite nos bancos.

Qual é a situação atual do crédito ao consumidor no Brasil

No Brasil, muitas dessas questões já existem, ainda que com formato próprio. O envio de cartão de crédito não solicitado é prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor e por normas do Banco Central, e o cliente não precisa pagar anuidade nem qualquer cobrança associada a um cartão que não pediu.

O aumento de limite, porém, está em transição: contratos ainda costumam prever reajuste automático com base no histórico de pagamento e renda estimada, mas cresce a pressão por mais transparência. Aplicativos bancários já permitem definir limite máximo, recusar aumento automático, solicitar redução e visualizar com destaque os juros do rotativo e do parcelamento, enquanto o Banco Central dificulta a permanência prolongada no crédito rotativo.

Quais são os efeitos do novo modelo de crédito para consumidores e mercado financeiro

O impacto imediato para o consumidor é a necessidade de decisão ativa: em vez de simplesmente “ganhar” um novo cartão ou limite maior, a pessoa precisa escolher conscientemente se quer assumir esse compromisso, avaliando renda, despesas fixas e imprevistos. Para o mercado financeiro, o desafio está em adaptar sistemas, contratos e estratégias comerciais para depender cada vez mais de autorizações claras e comprováveis.

Em um contexto de juros altos e orçamentos apertados, entender como funciona o consentimento expresso e quem está oferecendo crédito é essencial para evitar armadilhas. Se você tem cartão, limite pré-aprovado ou ofertas constantes no aplicativo, este é o momento de revisar suas condições, ajustar limites para um nível confortável e, se necessário, buscar orientação financeira antes que a dívida fique fora de controle.

Tags: Crédito ao consumidorcréditosproteção ao consumidor

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