4.200 habitantes e pico de 2.050 metros: o vilarejo da Mantiqueira eleito tendência a 160 km de São Paulo
No alto da serra, neblina densa cobre os vales quase todas as manhãs de inverno. Esse é o cotidiano de Córrego do Bom Jesus, vilarejo do sul de Minas Gerais que combina ar de cidade europeia, pousadas a mais de 1.400 metros e o silêncio que tem atraído famílias e nômades digitais cansados do barulho.
O reconhecimento internacional que colocou Córrego no mapa
O nome de Córrego do Bom Jesus apareceu na lista anual da Booking.com como um dos cinco destinos tendência do Brasil para 2025. A plataforma analisou o aumento anual de reservas feitas por viajantes brasileiros entre junho de 2023 e julho de 2024 e selecionou cinco destinos pouco explorados, ao lado de nomes como Praia dos Carneiros e Camaçari.
Segundo a própria plataforma, a cidade entrou na lista por oferecer descanso e contato com a natureza, com trilhas em matas preservadas, nascentes e mirantes como o da Pedra de São Domingos. O resultado foi um salto repentino na procura por hospedagem, especialmente entre paulistas em busca de um fim de semana sem multidão.
Quem busca um refúgio tranquilo nas montanhas com trilhas e cachoeiras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Pegamos Uma Estrada, onde os apresentadores mostram um roteiro completo de 3 dias em Córrego do Bom Jesus, no sul de Minas Gerais:
Como uma cidade de 4.200 habitantes virou tendência?
Córrego é um dos menores municípios da região, com cerca de 4.200 moradores e ruas onde ainda se vê o passar lento de carros de boi. A combinação de paisagens rurais preservadas, pousadas de conceito boutique e proximidade com São Paulo, a cerca de 160 km, foi o que chamou a atenção dos algoritmos de viagem e dos viajantes.
O vilarejo integra o Circuito Turístico Serras Verdes do Sul de Minas, certificado pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais. A região concentra cidades com altitude média acima de 1.200 metros, o que dá ao conjunto inverno frio, verão ameno e a vegetação típica da Mata Atlântica de altitude, com araucárias e perobas.
A história da capela que virou município mineiro
Conforme registros da Prefeitura Municipal de Córrego do Bom Jesus, o vilarejo nasceu da doação de um terreno feita por Joaquim Bueno de Morais para a formação do patrimônio de uma capela. A imagem do Senhor Bom Jesus foi esculpida em Portugal e chegou ao povoado em 1873, ainda no século XIX.
O lugar foi elevado a distrito em 1889, com o nome de Bom Jesus do Córrego, e só em 12 de dezembro de 1953 ganhou status de município, passando a se chamar Córrego do Bom Jesus. Até hoje, a comunidade preserva tradições católicas e religiosas que datam dessa fundação, com peregrinações anuais ao Santuário do Bom Jesus, no centro.
O que fazer em Córrego do Bom Jesus além de subir a Pedra?
Mesmo sendo pequena, a cidade reúne atrativos para mais de um fim de semana. O cardápio mistura aventura, contemplação e religiosidade:
- Pico de São Domingos: a 2.050 metros de altitude, é um dos pontos mais altos do sul mineiro. Do topo se avista Cambuí, Gonçalves, Monte Verde e até Campos do Jordão em dias claros, conforme dados do Circuito Serras Verdes.
- Pico da Raposa: tem 1.480 metros de altitude e é mais acessível de carro. Funciona como rampa de salto de parapente e oferece vista privilegiada da serra.
- Cachoeira do Nenê: queda d’água em meio à mata, ideal para um banho gelado e uma pausa silenciosa no roteiro.
- Cachoeira Três Irmãos: três quedas em sequência cercadas por vegetação nativa, citada pela própria Booking.com como um dos atrativos da cidade.
- Santuário do Bom Jesus: igreja matriz na praça central que guarda a imagem trazida de Portugal em 1873 e recebe peregrinos durante a festa de louvor.
- Centro de Informação Turística: jardim a céu aberto com esculturas que homenageiam personagens correguenses, como o leiteiro, o pescador e os pilotos de voo livre.
Quem busca a tranquilidade das montanhas e visuais surreais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal A 2 por aí, que conta com mais de 21 mil visualizações, onde Rai e André mostram um roteiro completo por Córrego do Bom Jesus, em MG, incluindo o Pico da Raposa e a Pedra de São Domingos:
A festa religiosa que toma o vilarejo todo verão mineiro
Entre 28 de julho e 6 de agosto, a cidade vive sua principal celebração: a Festa em Louvor ao Bom Jesus. São dez dias de novena, missas, procissões e barraquinhas que lotam a praça central e atraem fiéis e visitantes de todo o sul de Minas e do Vale do Paraíba paulista.
O período coincide com o auge do inverno serrano, quando a neblina costuma cobrir o vilarejo logo cedo e os termômetros podem se aproximar de zero nas áreas mais altas. É a janela em que Córrego ganha de vez o ar de cidade europeia que tem ajudado a viralizar o destino nas redes.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima de altitude marca a rotina do vilarejo: verões amenos, invernos frios e chuvas concentradas no início do ano. Veja o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao vilarejo a 160 km de São Paulo?
O acesso mais comum sai de São Paulo pela Rodovia Fernão Dias (BR-381), com saída para a região de Cambuí, e leva cerca de 2h30 a 3h de carro. Quem vem de Belo Horizonte percorre cerca de 450 km pela mesma BR-381 no sentido sul. A cidade não tem aeroporto próprio, e o terminal mais próximo é o de Pouso Alegre, com transfer rodoviário para o sul mineiro.
Suba a serra antes que todo mundo descubra
Córrego do Bom Jesus reúne altitude alta, pousadas íntimas, cachoeiras pouco visitadas e o tipo de silêncio que faz quem chega querer ficar. É uma vila pequena demais para virar Campos do Jordão, mas grande o bastante para acolher quem busca um respiro na rotina.
Você precisa subir a Pedra de São Domingos no fim do inverno e ver a neblina se desfazendo sobre o mar de montanhas da Mantiqueira.




