Imagine descobrir, séculos depois, que pessoas que viveram sem escova, pasta de dente e fio dental tinham dentes mais saudáveis do que muitos de nós hoje. Esse é o caso dos moradores da Roma Antiga, cuja dentição preservada surpreende pesquisadores. Em cidades como Pompeia, soterrada em 79 d.C., estudos em restos mortais mostram poucas cáries quando comparadas aos padrões atuais, levantando a pergunta: o que eles faziam de tão diferente?
Como era a higiene bucal na Roma Antiga
Mesmo sem os recursos modernos, os romanos se preocupavam com a limpeza diária da boca. Em vez de escovas, usavam palitos dentários chamados dentiscalpia, feitos de osso, madeira ou metal, para retirar restos de comida entre os dentes, numa função parecida com a do palito atual.
Além dos palitos, há registros do uso de panos ou pequenos tecidos para friccionar os dentes e língua. Em alguns casos, misturavam substâncias abrasivas de origem mineral ou vegetal para ajudar na limpeza. Textos da época também mencionam o hábito de enxaguar a boca após as refeições, o que mostra uma rotina simples, mas relativamente organizada.

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Por que os romanos tinham tão pouca cárie
O grande diferencial dos romanos não estava numa técnica milagrosa, mas na alimentação diária. A ausência de açúcar refinado na dieta fazia enorme diferença, já que as cáries são favorecidas por açúcares simples que alimentam bactérias produtoras de ácidos, capazes de desgastar o esmalte dental.
No lugar de doces e refrigerantes, o cardápio romano girava em torno de frutas, hortaliças, cereais integrais, leguminosas e pequenas porções de carne e peixe. Com menos alimentos processados e açucarados, havia menor proliferação de bactérias cariogênicas, o que explica crânios com arcadas bem preservadas e poucas lesões de cárie visíveis.
O que os romanos realmente comiam no dia a dia
A rotina alimentar romana era simples, baseada em itens frescos, locais e pouco processados, o que impactava diretamente na saúde da boca. Esses alimentos exigiam mastigação mais intensa, ajudando inclusive na limpeza mecânica dos dentes, algo muito diferente da textura macia de muitos produtos ultraprocessados atuais.
Entre os alimentos mais comuns, alguns se destacavam na mesa romana e ajudam a entender por que os dentes se mantinham relativamente saudáveis:
- Frutas frescas e secas, geralmente consumidas com moderação ao longo do dia;
- Legumes e verduras variados, muitas vezes colhidos em hortas locais;
- Grãos como trigo e cevada, base para pães rústicos e mingaus;
- Leguminosas como lentilhas e grão-de-bico, importantes fontes de energia;
- Peixes e carnes em porções menores, variando conforme região e classe social.
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Os romanos usavam mesmo urina para limpar os dentes
Por mais estranho que pareça hoje, fontes antigas relatam o uso de urina humana e animal em práticas de higiene, inclusive bucal. A explicação está na presença de amônia, um composto com efeito de limpeza e clareamento suave, liberado após a fermentação da urina.
Do ponto de vista atual, isso não é considerado seguro nem recomendado, mas naquele contexto era visto como um recurso acessível e funcional. Textos satíricos romanos mencionam esse costume, mostrando que ele era conhecido, praticado e até alvo de piadas, o que reforça sua presença no cotidiano urbano.
O que a rotina oral romana pode ensinar hoje
Comparar a vida romana com a nossa ajuda a refletir sobre como os hábitos modernos afetam a saúde dos dentes. Mesmo sem escovas e cremes com flúor, a combinação de uma dieta natural com métodos simples de limpeza resultava em arcadas relativamente preservadas, algo que contrasta com os altos índices de cárie atuais.
Hoje temos tecnologia odontológica avançada, mas também consumo frequente de doces, refrigerantes e ultraprocessados. Ao olhar para Roma, fica claro que reduzir açúcar, priorizar alimentos frescos e manter uma rotina básica de higiene bucal pode ser mais decisivo para a saúde dos dentes do que qualquer moda passageira, lembrando que escolhas diárias constroem o sorriso de longo prazo.




