Em várias regiões do país, especialmente em comunidades ribeirinhas e costeiras, o período de reprodução dos peixes muda completamente a rotina dos pescadores artesanais. Durante alguns meses, a pesca de determinadas espécies fica proibida, interrompendo a principal fonte de renda de muitas famílias. Para evitar que esse intervalo resulte em falta de sustento, a legislação brasileira prevê o seguro-defeso, um benefício temporário que, em 2026, pode chegar a cerca de R$ 1.621 por mês, pago por até cinco meses, garantindo uma renda mínima a quem realmente depende da pesca artesanal para viver.
O que é o seguro-defeso e qual sua importância para os pescadores?
O seguro-defeso é um benefício de caráter assistencial e trabalhista voltado a pescadores artesanais impedidos de atuar durante o período de defeso, quando órgãos ambientais proíbem temporariamente a captura de determinadas espécies. O objetivo é permitir a recuperação dos estoques pesqueiros e evitar a sobrepesca.
Sem a possibilidade de pescar legalmente, muitos profissionais ficariam sem qualquer renda, e o benefício funciona como um “salário substituto” limitado ao tempo de defeso. Em 2026, o valor pode chegar a até R$ 1.621 mensais, ajudando a proteger a renda das famílias e fortalecendo políticas de sustentabilidade ambiental ao reduzir a pressão pela pesca irregular.

Quem tem direito ao seguro-defeso de até R$ 1.621 mensais?
Para ter acesso ao seguro-defeso, não basta apenas pescar de forma habitual: é preciso comprovar que a pesca artesanal é a principal fonte de renda e atender a requisitos legais e cadastrais. Isso permite identificar o pescador profissional e reduzir fraudes no sistema de benefícios.
- Exercer pesca artesanal como principal meio de vida e renda;
- Ter Registro Geral da Pesca (RGP) ativo e atualizado;
- Entregar o Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), quando exigido;
- Manter inscrição no CadÚnico atualizada, com renda e composição familiar corretas;
- Residir em município abrangido pela portaria de defeso vigente;
- Comprovar que está impedido de pescar por norma ambiental em vigor.
Em regra, é proibido acumular o seguro-defeso com benefícios trabalhistas ou previdenciários incompatíveis, como algumas aposentadorias, seguro-desemprego urbano ou benefícios por incapacidade contínuos, além de não poder manter vínculo formal em outra atividade com carteira assinada.
Como funciona o período de defeso na prática?
O período de defeso é definido por portarias e instruções normativas de órgãos ambientais, que analisam o ciclo de vida das espécies e as condições dos ecossistemas aquáticos. O calendário varia conforme a região, o tipo de peixe e o ambiente, podendo durar de poucos meses até quase metade do ano.
Nesse intervalo, a captura, o transporte, o armazenamento e até a comercialização de determinadas espécies podem sofrer restrições, com reforço da fiscalização para coibir a pesca ilegal. Quando o defeso começa, barcos ficam ancorados, equipamentos são guardados e o seguro-defeso passa a ser essencial para custear despesas básicas das famílias pescadoras.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Ricardo Azevedo | Advogado falando sobre o seguro-defeso e como pescadores artesanais podem ter acesso ao benefício.
Como solicitar o seguro-defeso sem correr risco de negativa?
O pedido do benefício costuma ser feito em canais oficiais do governo federal, como unidades do Ministério do Trabalho e Emprego, do INSS ou plataformas digitais indicadas em portarias. Para evitar indeferimentos, o pescador precisa reunir e apresentar corretamente a documentação exigida, dentro dos prazos.
- Verificar se a região e a espécie estão cobertas por portaria de defeso no período;
- Checar se RGP e, quando aplicável, REAP estão regulares;
- Conferir se o cadastro no CadÚnico está atualizado;
- Reunir documentos pessoais, comprovante de residência e registros da atividade pesqueira;
- Acompanhar o calendário oficial de pagamento e eventuais chamados para complementação de dados.
Se houver pendências como ausência de registros, inconsistências de informações ou falta de atualização cadastral, o benefício pode ser bloqueado ou negado, exigindo a procura imediata dos órgãos responsáveis, como o Ministério da Pesca e Aquicultura, para regularização.
Quais são os impactos do seguro-defeso e por que agir agora?
O pagamento de até R$ 1.621 mensais por cinco meses movimenta a economia de pequenas cidades pesqueiras, garantindo renda mínima para famílias e fortalecendo comércios e serviços locais. Ao mesmo tempo, o programa integra a gestão sustentável dos recursos pesqueiros, reduzindo a pesca ilegal em períodos críticos e preservando as espécies para o futuro.
Se você vive da pesca artesanal, não espere o defeso começar para se organizar: regularize seus cadastros, atualize documentos e confirme se sua região está coberta pelas normas de defeso. Procure imediatamente os órgãos competentes e garanta seu acesso ao seguro-defeso antes do prazo, para não correr o risco de ficar sem renda justamente quando sua família mais precisa.




