A discussão sobre a jornada de trabalho no varejo alimentar ganhou força em 2026, com o avanço da PEC 148/2015 no Senado e com o anúncio de testes da escala 5×2 em grandes redes de supermercados, reacendendo o debate sobre produtividade, custos e qualidade de vida no setor.
O que é a escala 5×2 em supermercados e como ela funciona
A escala 5×2 em supermercados é um arranjo em que o trabalhador cumpre cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, dentro da carga máxima de 44 horas semanais prevista na legislação brasileira. Na prática, é feita uma redistribuição das horas ao longo da semana, com jornadas diárias um pouco mais longas.
No modelo 6×1, é comum que o colaborador trabalhe seis dias por semana com jornadas diárias menores. Na escala 5×2, o funcionário vai à empresa um dia a menos, mas permanece mais tempo em cada expediente, o que impacta deslocamento, organização da vida pessoal e forma como o cansaço se acumula.

A escala 5×2 já é tendência no varejo alimentar
A adoção da escala 5×2 no varejo alimentar ainda é majoritariamente experimental, com projetos-piloto em algumas unidades para medir efeitos sobre produtividade, absenteísmo, rotatividade e satisfação. Em geral, busca-se manter as 44 horas semanais, apenas ajustando a forma de distribuição, sem redução salarial.
Esse movimento acontece em paralelo à discussão da PEC 148/2015, que prevê dois dias de descanso remunerado e redução gradual da jornada máxima no país. Mesmo com o texto ainda em tramitação, o debate estimula empresas a se antecipar, testando novas combinações de dias trabalhados e folgas.
Quais são os principais impactos da escala 5×2 para empresas e trabalhadores
Os efeitos da escala 5×2 nos supermercados costumam ser avaliados na rotina do trabalhador, nos custos operacionais e na qualidade do atendimento. Dois dias de descanso bem distribuídos tendem a favorecer o planejamento de compromissos pessoais, estudo, cuidado com a família e recuperação física e emocional.
Por outro lado, jornadas diárias mais longas exigem atenção a pausas, intervalos, transporte e organização de turnos, sobretudo em lojas que funcionam aos domingos e feriados. Pesquisas internas mostram que parte dos funcionários prefere trabalhar em alguns fins de semana, quando isso garante folga em dia útil para resolver pendências.

Que desafios e oportunidades a escala 5×2 traz para o emprego e o atendimento
Estudos técnicos apontam que uma migração ampla da escala 6×1 para o modelo 5×2 pode pressionar custos e afetar vagas formais em setores com forte presença de trabalho presencial. Em supermercados, comércio em geral, construção e agro, mudanças estruturais de escalas exigem reorganização de quadros, revisão de turnos e, em alguns casos, contratações adicionais.
Ao mesmo tempo, empresas que apoiam a ampliação do descanso semanal defendem que maior previsibilidade de folgas e menos desgaste podem compensar parte dos custos. Para tornar essa transição viável, muitas redes analisam pontos como:
- Ajustes de turnos para garantir atendimento contínuo e evitar sobrecarga de equipes.
- Monitoramento de produtividade e qualidade do atendimento em jornadas mais longas.
- Estratégias de engajamento para reduzir faltas, afastamentos e rotatividade.
- Negociação com trabalhadores sobre preferência de folgas em fins de semana ou dias úteis.
Como a escala 5×2 pode transformar o futuro do trabalho em supermercados
Em 2026, o cenário combina testes práticos no chão de loja com negociações intensas no Congresso Nacional, e o resultado pode redefinir a forma de trabalhar no varejo alimentar. A incorporação da escala 5×2 em supermercados como padrão, exceção ou alternativa negociada dependerá do texto final da PEC 148/2015, da capacidade das redes de absorver custos e da resposta dos trabalhadores às novas rotinas.
Este é o momento de empresas, sindicatos e trabalhadores se posicionarem, testarem modelos e levarem dados concretos para o debate público. Se a sua rede ainda não discute a jornada 5×2, a hora de avaliar cenários, envolver as equipes e se preparar para mudanças estruturais é agora, antes que a decisão venha apenas “de cima” e sem espaço para adaptação.




