Imagine entrar no Coliseu, olhar para aquele enorme “buraco” aberto na lateral e pensar: onde foi parar todo o resto? A impressão é de ruína inacabada, mas, na verdade, o que vemos hoje é o resultado de quase dois mil anos de mudanças históricas, desastres, abandono e reaproveitamento de materiais que um dia fizeram parte desse gigante de pedra.
O que aconteceu com o restante do Coliseu de Roma
Para entender por que tanta coisa sumiu, é preciso olhar para dois fatores principais: força da natureza e ação humana. Um grande terremoto em 1349 abalou Roma e derrubou boa parte da ala sul do anfiteatro, que já estava desgastada, fazendo rolar imensos blocos de travertino valioso para as áreas ao redor.
Sem nenhuma política de proteção, esse material virou “prêmio fácil” e começou a ser retirado para outras obras. Estima-se que cerca de 70% da estrutura original tenha se perdido, seja por terremotos, saques ou cortes planejados. O que permanece em pé é quase um esqueleto monumental, deixando à mostra corredores, arcos e vazios que antes eram cobertos por arquibancadas e fachadas imponentes.
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Como o Coliseu foi sendo desmontado ao longo dos séculos
Quando os combates de gladiadores e caçadas a animais terminaram, o anfiteatro perdeu sua função principal e a manutenção regular praticamente acabou. Cada incêndio, saque ou abalo sísmico deixava partes da estrutura mais frágeis, facilitando ainda mais o colapso de trechos inteiros e o aproveitamento de pedras, mármores e metais em outros pontos da cidade em transformação.
- Idade Média: parte interna ocupada por moradias, oficinas e pequenas estruturas defensivas.
- Terremoto de 1349: queda maciça da ala sul, gerando uma enorme quantidade de entulho aproveitável.
- Renascimento e Barroco: uso sistemático como “pedreira” para obras religiosas e civis.
- Séculos XIX e XX: início de escavações, reforços estruturais e políticas de preservação.
Para onde foram as pedras retiradas do Coliseu de Roma
Uma boa parte do antigo Coliseu está, hoje, “escondida à vista” em outros prédios de Roma. Mármore, travertino, ferro e tijolos foram aproveitados em igrejas cristãs, palácios nobres e edifícios públicos, especialmente durante o Renascimento, quando o monumento foi visto quase como um depósito prático de materiais nobres.
Basílicas importantes, palácios barrocos como o Palazzo Barberini e obras ligadas ao Vaticano incorporaram elementos vindos diretamente do anfiteatro. Até o ferro das grapas que uniam as pedras foi removido, deixando encaixes vazios bem visíveis, como cicatrizes que contam como o Coliseu foi literalmente desmontado e espalhado pela cidade.
Para você que quer conhecer mais a história do colisei, separamos um vídeo do canal Terra Vídeos com fatos e curiosidades desse monumento:
Por que o Coliseu nunca chegou a ser totalmente destruído
Mesmo com séculos de uso como pedreira urbana, uma parte considerável do anfiteatro sobreviveu. A associação simbólica com histórias de mártires cristãos, ainda que muitas sejam tardias, ajudou a mudar a forma como o monumento era visto. Alguns papas começaram a emitir ordens para proteger o que restava, proibindo novas remoções em um momento em que a memória histórica ganhava importância.
Do século XIX em diante, surgiu uma nova consciência de preservação. Arcos receberam escoras, paredes foram reforçadas com tijolos e áreas em ruína passaram a ser estabilizadas em vez de desmontadas. Passou-se a priorizar ações como escavar os níveis subterrâneos, estudar a complexa rede de corredores e abrir o anfiteatro à visitação, transformando-o em um grande símbolo de patrimônio mundial.
O que o restante do Coliseu representa nos dias de hoje
O que ainda está de pé funciona como um grande livro de pedra, mostrando várias camadas da história de Roma. As partes faltando na fachada, os vãos nas arquibancadas e os espaços abertos no interior revelam tanto o esplendor original quanto o longo período em que o monumento foi usado, cortado e reaproveitado como se fosse apenas mais uma fonte de material útil.
Pesquisadores conseguem identificar quais blocos são antigos, quais foram recolocados em restaurações recentes e onde ficavam elementos decorativos hoje presentes em outras construções. Assim, o “resto do Coliseu” não é só aquilo que falta: é também tudo aquilo que foi integrado silenciosamente a igrejas, palácios e basílicas, criando uma ponte física entre o Império Romano e a Roma contemporânea que os visitantes conhecem e exploram hoje com tanta curiosidade viva.




