Em 1889, enquanto o resto do país ainda vivia sob luz a gás, Juiz de Fora já tinha ruas iluminadas por eletricidade. O feito colocou a cidade na vanguarda do continente e moldou um jeito de viver que mistura orgulho histórico com qualidade de vida invejável.
A Manchester Mineira que acendeu a América Latina
O industrial Bernardo Mascarenhas visitou a Exposição Universal de Paris em 1878 e voltou com uma ideia: usar as águas do Rio Paraibuna para gerar eletricidade. Em 5 de setembro de 1889, inaugurou a Usina de Marmelos, considerada a primeira hidrelétrica de uso público da América Latina, segundo estudos do Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) reconhecidos pelo Ministério de Minas e Energia.
Cento e oitenta lâmpadas iluminaram as ruas naquele primeiro ano. Dois anos depois, mais de 700 lâmpadas chegavam às casas. O pioneirismo industrial rendeu à cidade o apelido de “Manchester Mineira”, comparação com o centro têxtil britânico que simbolizava modernidade. A usina original foi tombada como patrimônio municipal em 1983 e hoje abriga o Museu Marmelos-Zero, administrado pela UFJF.

O que fazer na Princesinha de Minas
A cidade concentra atrações históricas, áreas verdes e cultura a poucos minutos do centro. O Guia de Atrativos Turísticos da Prefeitura de Juiz de Fora lista os principais pontos.
- Museu Mariano Procópio: primeiro museu de Minas Gerais e segundo maior acervo imperial do país, com mais de 45 mil peças entre trajes da família real, mobiliário e pinturas. O parque ao redor, projetado pelo paisagista francês Auguste Marie Glaziou, já foi chamado de “Paraíso dos Trópicos”.
- Cine-Theatro Central: inaugurado em 1929, é considerado um dos dez melhores teatros do Brasil em infraestrutura e valor cultural, com capacidade para cerca de duas mil pessoas. Aberto à visitação gratuita.
- Morro do Imperador: batizado após visita de Dom Pedro II em 1861, o mirante a 930 metros de altitude oferece vista panorâmica de toda a cidade. Há trilhas, ciclismo e acesso de carro todos os dias.
- Parque da Lajinha: uma das maiores áreas verdes urbanas da cidade, com lago, trilhas ecológicas e remanescente de Mata Atlântica. Refúgio favorito dos juiz-foranos nos fins de semana.
- Museu Marmelos-Zero: a casa de força restaurada da usina original, com máquinas, fotos e o livro de contabilidade da Companhia Mineira de Eletricidade. Uma visita a 6 km do centro pela Estrada União e Indústria.
Quem planeja visitar a princesinha de Minas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 305 mil inscritos, onde Tati Marmon mostra 10 atrações imperdíveis em Juiz de Fora:
Como é viver na cidade de porte médio mais próxima do Rio
Juiz de Fora fica a 181 km do Rio de Janeiro e a 260 km de Belo Horizonte, posição que atrai famílias e profissionais em busca de estrutura de capital com ritmo de interior. A UFJF movimenta a cidade acadêmica e culturalmente, com campus aberto à comunidade para caminhadas, ciclismo e eventos gratuitos o ano todo.
O cotidiano passa pelo Calçadão da Rua Halfeld, ponto de encontro para café e compras no centro histórico, pelos museus com entrada gratuita e por uma cena de bares e cervejarias artesanais que cresceu muito na última década. O Parque Halfeld e a Praça Antônio Carlos funcionam como palcos de eventos populares e shows ao ar livre. Para quem tem filhos, a cidade oferece boa rede de escolas públicas e privadas e o campus da UFJF foi escolhido como Centro de Treinamento Olímpico em 2016, recebendo delegações do Canadá e da China.

A capital nacional do torresmo e o que mais comer por aqui
A gastronomia da Manchester Mineira é mineira de alma e universitária no ritmo. Petiscos e bares de boteco são a marca da cidade, que em 2024 entrou para o RankBrasil ao fritar a maior porção de torresmo do mundo: 506,5 kg em um único evento. O feito colocou o apelido de capital nacional do torresmo no mapa.
- Tutu de feijão com costelinha: prato clássico da cozinha mineira, presente em restaurantes do centro e bairros tradicionais como Mariano Procópio.
- Torresmo de boteco: servido crocante e acompanhado de cerveja gelada, é o petisco símbolo da cidade em dezenas de bares espalhados pelos bairros.
- Cerveja artesanal: a cena de cervejarias cresceu com rótulos premiados e visitas guiadas; a Zona da Mata produz estilos variados com destaque para as com influência europeia trazida pelos imigrantes alemães e italianos.
- Festival Comida di Buteco: evento anual em que bares competem com pratos criativos, movimentando a gastronomia de rua da cidade por semanas.
Quando o clima favorece cada programa
Juiz de Fora tem clima tropical de altitude, famoso pela instabilidade: moradores dizem que é possível viver as quatro estações em um único dia. O inverno seco é a janela ideal para trilhas e passeios culturais, enquanto o verão chuvoso exige programação coberta à tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Juiz de Fora merece mais do que uma parada
A cidade que iluminou o continente antes das capitais cresceu sem perder o jeito mineiro de receber. Patrimônio imperial, gastronomia de boteco, parques urbanos preservados e uma universidade que pulsa no centro da vida cotidiana fazem de Juiz de Fora um destino que surpreende quem espera apenas uma cidade de passagem na BR-040.
Vá além da estrada e passe ao menos um fim de semana na Manchester Mineira: você vai entender por que quem chega para estudar raramente quer ir embora.




