As mudanças anunciadas pelo governo federal para o Imposto de Renda da Pessoa Física a partir de 2026 redefinem quem terá que declarar e quem efetivamente pagará o tributo, com destaque para a ampliação da faixa de isenção até R$ 5.000 mensais e novos mecanismos de tributação mínima para altas rendas e investidores.
Quem fica isento do Imposto de Renda em 2026
A principal novidade é a ampliação da faixa de isenção para rendimentos de até R$ 5.000 por mês (R$ 60.000 anuais), já considerando os descontos legais, como INSS. Nessa faixa, o imposto devido zera, e o desconto na fonte deixa de aparecer no contracheque, beneficiando milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas.
A estimativa oficial é que cerca de 16 milhões de brasileiros passem a ficar livres do pagamento do IRPF sobre salários, pró-labores e aposentadorias que se enquadrem nesse limite. Mesmo assim, a isenção não elimina automaticamente a necessidade de declarar, pois outros critérios de obrigatoriedade continuam valendo.

Quem não precisa declarar Imposto de Renda em 2026
Apesar da isenção sobre rendimentos até R$ 5.000 mensais, a obrigação de entregar a declaração anual permanece para quem se enquadra em requisitos paralelos. Por isso, é essencial entender quais perfis realmente podem ficar dispensados do envio da declaração em 2026.
Em geral, não precisam declarar os contribuintes que se mantêm dentro da nova faixa de isenção e não se enquadram em outros critérios da Receita, como patrimônio elevado ou operações financeiras específicas. Nesses casos, a dispensa costuma atingir quem:
- tem rendimentos tributáveis dentro do limite de isenção anual;
- não possui bens ou direitos acima do valor mínimo previsto em norma da Receita;
- não realizou operações em bolsa nem obteve ganhos de capital relevantes;
- não recebeu rendimentos isentos ou exclusivamente na fonte acima dos limites oficiais.
Como funciona na prática a isenção até R$ 5.000 e o “efeito R$ 5.000”
O chamado “efeito R$ 5.000” não altera as alíquotas nominais da tabela progressiva, que seguem em 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. O que muda é a criação de um redutor adicional sobre o imposto calculado, que reduz parcial ou totalmente o valor devido para quem está na faixa de menor e média renda.
Na prática, até R$ 5.000 por mês, o efeito combinado da tabela e do redutor leva o imposto a zero. Entre R$ 5.000 e cerca de R$ 7.350, há um benefício gradual, que diminui à medida que a renda aumenta, até desaparecer. Acima desse valor, o contribuinte volta a pagar o imposto integralmente pela tabela, impactando diretamente o desconto no contracheque e o acerto anual.
Como fica a tributação de altas rendas e dividendos a partir de 2026
Para compensar a ampliação da isenção sobre salários mais baixos, a reforma introduziu o IRPF Mínimo (IRPF-M), que estabelece uma carga mínima efetiva para quem possui rendimentos globais elevados. A ideia é evitar situações em que altos rendimentos, somados a muitas deduções, resultem em tributação muito baixa.

Nesse contexto, rendas anuais acima de R$ 600.000 podem ser alcançadas por uma tributação mínima, e rendas superiores a R$ 1,2 milhão ficam sujeitas a uma alíquota efetiva mínima de 10%, desconsiderando aplicações isentas específicas. Além disso, a partir de 2026, lucros e dividendos deixam de ser totalmente isentos: permanecem livres até R$ 50.000 por mês por fonte pagadora, e o excedente sofre incidência de 10% de IR retido na fonte, com discussões jurídicas envolvendo empresas do Simples Nacional.
Por que acompanhar as regras da Receita Federal é fundamental
Mesmo com a ampliação da isenção, o sistema de Imposto de Renda continua complexo e baseado em múltiplos critérios de obrigatoriedade. Quem recebe acima de R$ 5.000, investe em bolsa, tem patrimônio elevado ou distribui lucros precisa acompanhar de perto as normas anuais da Receita para não cair na malha fina.
Organizar comprovantes, informes de rendimentos, registros de operações financeiras e documentos de bens desde já é decisivo para enfrentar o ano-base de 2026 com segurança. Não deixe para depois: comece hoje a se preparar, consulte um especialista se necessário e garanta que, quando chegar o prazo da declaração em 2027, você estará no controle da sua situação fiscal, e não refém de surpresas da Receita Federal.




