Nas últimas décadas, a experiência de ir ao cinema mudou radicalmente. Com o avanço das plataformas de streaming, lideradas por empresas como a Netflix, o público passou a ter acesso quase imediato a lançamentos em casa, e o debate sobre reduzir o tempo de exclusividade dos filmes nas salas ganhou força, reacendendo dúvidas sobre o futuro do cinema tradicional.
O que significa a janela de exibição para o futuro do cinema
A chamada “janela de exibição” é o período em que um filme fica disponível exclusivamente nos cinemas antes de chegar ao streaming ou ao vídeo sob demanda. Antes, esse intervalo podia levar meses, dando fôlego para a bilheteria, o boca a boca e a estreia em diferentes mercados ao redor do mundo.
Com a expansão do streaming, grandes estúdios passaram a testar janelas mais curtas. Após a aquisição de ativos da Warner Bros. Discovery, ventilou-se a ideia de uma janela de cerca de 17 dias em cartaz, bem abaixo dos 45 dias defendidos por grandes redes de cinema, o que antecipa o acesso em casa e pressiona o modelo tradicional.

Como a Netflix impulsiona a disputa entre cinema e streaming
Nesse debate, o papel da Netflix vem como agente de mudança no mercado audiovisual, ao consolidar um modelo focado no consumo doméstico. Muitos filmes e séries são lançados diretamente na plataforma, com passagens limitadas ou simbólicas pelas salas, apenas para atender a exigências de premiações ou acordos específicos.
Durante a pandemia, vários estúdios testaram janelas de cerca de 17 dias antes de migrar filmes para o PVOD, com aluguel digital premium. No modelo avaliado para a Netflix, depois desse curto período nos cinemas, o filme passa a integrar o catálogo da plataforma sem custo extra para milhões de assinantes, reforçando a ideia de que o acesso rápido ao streaming deve se tornar prioridade estratégica.
As salas de cinema correm risco real de desaparecer
A possibilidade de uma janela de apenas 17 dias levanta a questão sobre a sobrevivência das salas de cinema, com impacto que varia conforme o tipo de filme, a região e o perfil do público. Especialistas apontam que o cenário tende a ser mais crítico para produções médias e independentes, que dependem de tempo para ganhar tração.
Nesse contexto, analistas destacam algumas possíveis consequências para o mercado exibidor, especialmente em regiões com menor demanda e redes de menor porte:
- Perda de faturamento em bilheteria: filmes com estreia modesta teriam menos tempo para crescer com o boca a boca.
- Fechamento de salas: redes pequenas poderiam ter dificuldade para manter operações regulares.
- Redução de produções de grande orçamento: projetos que dependem de bilheterias globais podem ser revistos.
- Concentração de mercado: poucos blockbusters e grandes redes dominariam os horários mais disputados.

Quais cenários se desenham para o mercado de cinema e streaming
Diante desse cenário, o mercado audiovisual projeta caminhos em que cinema e streaming não se excluem, mas se reorganizam em um novo equilíbrio. Em vários países, o cinema segue forte como experiência coletiva, especialmente para franquias, animações familiares e filmes de heróis.
Entre os modelos discutidos, ganham espaço um formato híbrido com janelas menores, a segmentação por tipo de filme, parcerias para pré-estreias exclusivas e a valorização da experiência nas salas, com conforto, tecnologia, eventos especiais e sessões temáticas para manter o público interessado.
Qual é o papel do público na sobrevivência das salas de cinema
A discussão em torno da Netflix, da Warner Bros. e da janela de exibição faz parte de uma mudança maior no consumo de entretenimento. A forma como você distribui seu tempo e dinheiro entre a telona e o streaming em casa influencia diretamente as decisões da indústria daqui para frente.
Se valoriza a experiência coletiva do cinema, o momento de agir é agora: priorize estreias nas salas, apoie produções que quer ver mais vezes e convide outras pessoas a fazer o mesmo. Cada ingresso comprado hoje ajuda a manter vivo um espaço cultural que pode não estar mais disponível amanhã se a escolha pelo sofá prevalecer sem questionamento.




