Durante décadas, o Playcenter foi sinônimo de diversão em São Paulo e virou cenário de excursões escolares, primeiros encontros e grandes shows. Por trás das filas das montanhas-russas e do famoso “passaporte da alegria”, porém, existe uma trajetória marcada por decisões ousadas, acidentes, mudanças econômicas e uma falência que ainda desperta curiosidade — e ajuda a entender como o entretenimento mudou no Brasil.
Como o Playcenter nasceu e se tornou um fenômeno em São Paulo
A história do Playcenter começa no fim dos anos 1960, quando Marcelo Gutglas decidiu trazer ao Brasil um parque fixo inspirado nos modelos europeus e norte‑americanos. Em 1971, uma versão experimental em frente ao Ginásio do Ibirapuera mostrou que havia enorme curiosidade e demanda por esse tipo de lazer moderno.
Em 27 de julho de 1973, o parque foi inaugurado oficialmente na Barra Funda, em um terreno de cerca de 32 mil m² com 15 atrações principais. Rapidamente, excursões escolares, famílias e turistas transformaram o lugar em ponto de encontro da capital, consolidando o Playcenter como o maior parque de diversões do Brasil na época.

Quais atrações marcaram o auge do Playcenter nos anos 80 e 90
Na década de 1980, o parque entrou em fase de forte expansão, com novos brinquedos radicais e temáticos que marcaram uma geração. Atrações como a Looping Star, o Enterprise, o Labamba, a Montanha Encantada, o Castelo Mal-Assombrado, o King Kong animatrônico e a Monga, a Mulher-Gorila criavam um clima de espetáculo e adrenalina.
Nos anos 1990, o Playcenter chegou a cerca de 200 mil m², com cerca de 1,6 milhão de visitantes por ano e atrações como Turbo Drop, Kamikaze, Evolution e Double Shock. As famosas Noites do Terror anteciparam a cultura de Halloween no Brasil e tornaram o parque presença constante na mídia, com shows, gravações e participações de artistas.
Quais problemas de imagem e de custo começaram a afetar o Playcenter
Entre 1984 e 1988, o Orca Show, com as orcas Nandu e Samoa, atraiu público e mídia, mas também crescentes críticas sobre o cativeiro de animais. A morte de Nandu em 1988 e a posterior transferência de Samoa reforçaram o debate ético e começaram a desgastar a imagem do parque junto a parte da opinião pública.
Acidentes também tiveram impacto relevante, como o incidente grave no Space Loop em 1995 e problemas na Looping Star e no Double Shock em 2010. Ao mesmo tempo, a crise cambial de 1999 encareceu importações de equipamentos e peças, elevando custos e dívidas, que passaram de R$ 145 milhões e colocaram forte pressão no modelo de negócios.
Quais fatores explicam o fechamento do maior parque de diversões do Brasil
Com o passar dos anos, o Playcenter vendeu partes do terreno e reduziu sua área para tentar manter a operação, enquanto a concorrência se intensificava com shoppings, cinemas, parques temáticos e entretenimento digital. O público também mudou seus hábitos de consumo de lazer, exigindo experiências mais tecnológicas, tematização avançada e segurança cada vez mais rigorosa.
Esse cenário combinou fatores econômicos, operacionais e de reputação que, juntos, explicam a queda do Playcenter e ajudam a entender os desafios de parques urbanos no Brasil:
- Dívidas elevadas com endividamento acima de R$ 145 milhões em um ambiente econômico instável.
- Custos operacionais altos de manutenção, importação de peças e atualização tecnológica constante.
- Impacto dos acidentes na confiança do público e na percepção de segurança das atrações radicais.
- Concorrência crescente de novos formatos de lazer e do entretenimento digital.
- Redução de área e reestruturações que dificultaram manter o porte e o encanto de um grande parque.
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O que sobrou do Playcenter e por que sua história ainda importa
O parque da Barra Funda encerrou suas atividades em 29 de julho de 2012, após quase 40 anos e mais de 60 milhões de visitantes, dando lugar a empreendimentos imobiliários. A marca, porém, seguiu viva em iniciativas como o Playcenter Family no Shopping Aricanduva e, mais recentemente, na aquisição pela Cacau Show, que planeja um novo parque temático no interior paulista.
A trajetória do Playcenter mostra como um ícone do lazer pode crescer, se transformar e desaparecer diante de crises, mudanças culturais e erros de gestão. Se você viveu essa época — ou quer entender melhor o futuro dos parques no Brasil — aproveite para registrar suas lembranças, acompanhar os novos projetos e não deixar essa história se perder no meio de tantas telas e distrações.




