Você já se sentiu cansado, com o corpo “desregulado”, sem saber bem o porquê? Muitas vezes, por trás de mudanças de peso, sono, humor e até do funcionamento do intestino, está uma pequena glândula no pescoço: a tireoide. Ela tem formato de borboleta, fica logo abaixo do “gogó” e produz dois hormônios principais, o T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina), que ajudam a controlar o gasto de energia, a temperatura do corpo, o coração, os músculos e vários outros órgãos.
O que é hipotireoidismo e como ele muda o ritmo do corpo
No hipotireoidismo, a tireoide produz menos hormônios do que o necessário e o metabolismo fica mais “devagar”. A pessoa passa a gastar menos energia, e é como se o corpo funcionasse em câmera lenta. É um problema comum, principalmente em mulheres, e muitas vezes começa com sinais discretos, que podem ser confundidos com estresse ou cansaço da rotina.
Entre os sintomas frequentes estão cansaço constante, ganho de peso leve a moderado, queda de cabelo, pele seca, intestino preso e sensação de frio em situações que outras pessoas consideram normais. Os batimentos cardíacos podem ficar mais lentos, e algumas pessoas relatam desânimo, falta de concentração e sonolência ao longo do dia, o que prejudica o trabalho e as atividades diárias.
- Cansaço e falta de energia, mesmo após dormir bem
- Ganho de peso sem grande mudança na alimentação
- Cabelos e unhas mais fracos, com maior queda e quebra
- Pele ressecada, intestino preso e sensação de frio constante
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Como o hipertireoidismo acelera demais o metabolismo
No hipertireoidismo, ocorre o contrário: a tireoide trabalha em excesso e libera hormônios demais. O metabolismo acelera e o corpo passa a queimar energia rapidamente, o que pode levar à perda de peso mesmo comendo bem, além de sensação de agitação e dificuldade para relaxar ou dormir.
Os sintomas podem incluir perda de peso sem explicação clara, sensação de calor constante, suor em excesso, tremores nas mãos, cabelo mais oleoso e batimentos cardíacos acelerados (taquicardia). A doença de Graves, outra condição autoimune, é uma causa conhecida desse quadro e pode, em alguns casos, também afetar os olhos, deixando-os mais saltados.
Como é o tratamento do hipotireoidismo e do hipertireoidismo
No hipotireoidismo, o tratamento costuma ser simples: reposição hormonal por meio de comprimidos que imitam o T4 produzido naturalmente pela tireoide. Geralmente o remédio é tomado em jejum pela manhã, com água, e é importante esperar um pouco antes de comer para garantir boa absorção. A dose é ajustada de tempos em tempos, com base em exames de sangue e avaliação do endocrinologista.
Já no hipertireoidismo, o objetivo é diminuir a produção de hormônios. O médico pode indicar remédios antitireoidianos, uso de iodo radioativo para reduzir a atividade da glândula ou cirurgia para retirar parte ou toda a tireoide. Quando a tireoide é destruída ou removida, o organismo passa a produzir pouco hormônio e surge o chamado hipotireoidismo induzido, que também é tratado com reposição hormonal e exige monitorização periódica com exames de laboratório.
Para você que gosta de se cuidar, separamos um vídeo do canal Tua Saúde com dicas para entender essa condição e tratar:
Qual é o papel do iodo do bócio e do câncer de tireoide
O iodo é um mineral essencial para a produção de T3 e T4. Por isso ele é adicionado ao sal de cozinha e também está presente em frutos do mar e alguns vegetais. Quando a falta de iodo é prolongada, a tireoide pode crescer para tentar compensar, formando o bócio, percebido como um aumento visível na região do pescoço.
A tireoide também pode desenvolver nódulos, que na maioria das vezes são benignos. Porém, em alguns casos existe risco de câncer de tireoide, como o carcinoma papilífero, que costuma ter crescimento lento e bom prognóstico quando diagnosticado cedo. Quando um nódulo é suspeito, o médico pode pedir exames de imagem e a PAAF (punção aspirativa por agulha fina), retirando algumas células para análise e definindo o melhor plano terapêutico.
Por que é tão importante prestar atenção nos sintomas da tireoide
Mudanças no peso, sono, cabelo, pele, intestino, humor e na frequência cardíaca podem ser sinais de que a tireoide não está funcionando bem. Esses sintomas são comuns a muitos outros problemas, por isso só os exames de sangue e a avaliação médica podem confirmar se há hipotireoidismo, hipertireoidismo ou nódulos na glândula.
Buscar ajuda ao notar algo persistente e fora do seu padrão é fundamental para diagnóstico precoce e tratamento adequado. O endocrinologista é o especialista que investiga essas alterações, orienta o melhor cuidado e acompanha a resposta do organismo, permitindo que a maioria das pessoas leve uma vida equilibrada e ativa, mesmo com doença da tireoide, desde que sigam o tratamento corretamente e mantenham consultas de acompanhamento.




