Os supermercados do Espírito Santo estão entrando em contagem regressiva para uma mudança histórica nas operações. Faltando menos de um mês para o fechamento obrigatório aos domingos, o setor comercial já começa a se organizar para adaptar escalas de trabalho e reforçar equipes. A expectativa é que o fluxo de clientes exploda aos sábados e segundas-feiras, exigindo planejamento estratégico para não perder vendas nem deixar consumidores insatisfeitos.
Quando começa o fechamento aos domingos?
A partir de 1º de março de 2026, os supermercados capixabas não poderão mais abrir as portas aos domingos. Restam apenas três domingos com funcionamento liberado antes da regra entrar em vigor definitivamente. A medida foi estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho assinada em novembro do ano passado entre o Sindicomerciários e a Federação do Comércio do Espírito Santo.
O fechamento dominical vale exclusivamente de março a outubro de 2026, funcionando como período experimental. Após 31 de outubro, os pontos acordados perdem automaticamente a eficácia, salvo se houver prorrogação expressa mediante novo instrumento coletivo entre as partes. Essa janela de testes permite avaliar os impactos econômicos e sociais da medida antes de torná-la permanente.
Como os supermercados estão se preparando?
Cada rede está adaptando a realidade conforme o perfil das lojas e a região onde atuam. O superintendente da Associação Capixaba de Supermercados, Hélio Schneider, explica que inicialmente haverá tendência natural do consumidor antecipar compras para o sábado ou adiar para a segunda-feira. Esses dois dias devem absorver o movimento que antes estava distribuído em sete dias da semana.
Estratégias sendo implementadas pelas redes de supermercados:
- Reorganização completa das escalas de trabalho para concentrar funcionários nos dias de maior movimento previsto
- Abertura de processos seletivos para preencher vagas em aberto e criar quadros de reforço estratégico
- Treinamento de equipes para agilizar atendimento em caixas e repositores de mercadoria nos horários de pico
- Monitoramento dos primeiros meses para ajustar estratégias conforme o comportamento real dos consumidores

Quais mudanças práticas nas equipes de trabalho?
O diretor do grupo Carone, William Carone Junior, está reorganizando completamente as escalas dos mais de 600 funcionários da rede. Com o fim do trabalho dominical, as folgas que antes eram distribuídas durante a semana para quem trabalhava aos domingos agora serão eliminadas. A escala de segunda a sábado ficará completa com todos os funcionários disponíveis.
A rede também aproveita o momento para preencher o déficit histórico de pessoal. Segundo Carone Junior, atualmente existem mais de 600 vagas abertas que deverão ser preenchidas, com reforços especialmente concentrados nos sábados e segundas-feiras. O objetivo é agilizar atendimento e ampliar a capacidade operacional nos dias críticos sem perder qualidade no serviço.
Como ficam as pequenas mercearias e mercadinhos?
A convenção coletiva não determina fechamento obrigatório de estabelecimentos, mas regulamenta especificamente o trabalho dos funcionários contratados. Na prática, isso significa que mercearias familiares e pequenos mercados onde o atendimento é realizado exclusivamente pela família proprietária poderão continuar abrindo aos domingos normalmente.
Essa brecha na regra beneficia o comércio de bairro e as famílias que dependem do faturamento dominical para sobreviver. O superintendente Schneider esclarece que se o dono de uma mercearia optar por trabalhar com sua família no domingo, ele pode abrir as portas legalmente. A restrição se aplica apenas quando há relação de emprego formal com trabalhadores contratados.

Qual impacto esperado para consumidores e trabalhadores?
O presidente do Sindicomerciários, Rodrigo Rocha, acredita que as vendas do domingo serão transferidas principalmente para a segunda-feira. Consumidores que deixam compras para o último dia do fim de semana precisarão se adaptar, antecipando para o sábado ou postergando para o início da semana seguinte.
Para os trabalhadores, a mudança representa conquista significativa de qualidade de vida. Rocha sugere que as empresas adotem jornada 5×2, proporcionando mais uma folga para compensar jornadas maiores nos dias de pico. O descanso dominical permite convívio familiar, participação religiosa e lazer que antes eram impossíveis para milhares de comerciários capixabas que passavam todos os domingos trabalhando.



