A dor causada por pedra nos rins está entre as mais intensas na prática médica, e por isso qualquer avanço em prevenção e tratamento chama atenção. Uma das novidades é o desenvolvimento, para uso no SUS, de um fitoterápico industrializado à base de quebra-pedra, que busca transformar um recurso tradicional da medicina popular em medicamento padronizado, com controle de qualidade e uso guiado por protocolos oficiais.
Quebra-pedra realmente ajuda na prevenção de pedra nos rins?
Quando se fala em quebra-pedra para pedra nos rins, muita gente imagina que o objetivo seja dissolver cálculos grandes já formados. Na prática, o foco principal está na prevenção e no manejo de pequenos cristais, antes que eles cresçam e causem crises mais graves.
Estudos indicam que extratos de Phyllanthus niruri podem interferir em etapas da formação das pedras, dificultando a cristalização e a agregação de partículas minerais na urina. Em pacientes com histórico de recidiva, o fitoterápico tende a atuar como aliado para reduzir novos episódios, sem substituir tratamentos consolidados.

Diferença entre chá de quebra-pedra e fitoterápico usado no SUS
Uma mudança importante trazida pelo projeto é a distância entre o chá caseiro e o medicamento fitoterápico de quebra-pedra. Preparos artesanais variam muito em concentração, podem usar espécies vegetais trocadas e ter risco maior de contaminação no manuseio doméstico.
Já o fitoterápico produzido em laboratório público passa por padronização de dose, controle de qualidade e estudos de estabilidade. Isso permite maior previsibilidade de efeito, mais segurança e possibilidade de uso orientado em protocolos clínicos oficiais.
- Chá caseiro: preparo informal, sem dose definida, dependente da quantidade usada e do tempo de infusão.
- Fitoterápico padronizado: cápsula, comprimido ou solução com concentração conhecida do extrato.
- Uso popular: baseado em tradição, sem acompanhamento sistemático de efeitos.
- Uso em serviço público: guiado por diretrizes, com indicação específica e monitoramento.
Benefícios e limites da quebra-pedra no tratamento de cálculos renais
As evidências disponíveis até 2025 sugerem efeito da quebra-pedra no tratamento de cálculos renais principalmente como medida preventiva. Pesquisas experimentais indicam ação na inibição da formação de cristais, na redução da adesão às paredes das vias urinárias e leve efeito diurético, ajudando a “lavar” o trato urinário.
Em pacientes com litíase de repetição, isso pode significar menos crises ao longo dos anos, sobretudo associando o uso do fitoterápico a hidratação adequada, ajustes alimentares e controle de alterações metabólicas. Faltam, porém, grandes ensaios clínicos randomizados que definam com precisão o tamanho desse benefício em diferentes perfis de pacientes.
Como será o acesso ao fitoterápico de quebra-pedra no SUS
A incorporação do fitoterápico de quebra-pedra no SUS depende de etapas técnicas e regulatórias bem definidas. O desenvolvimento ocorre em instituições como Farmanguinhos/Fiocruz, em parceria com organismos internacionais e o Ministério do Meio Ambiente, valorizando a biodiversidade e o conhecimento tradicional.

Após a produção de lotes-piloto, o medicamento passa por estudos de estabilidade, testes de qualidade e montagem de um dossiê para envio à Anvisa. Só depois da avaliação regulatória é que se definem registro, indicações, faixa etária, formas de uso e a possível inclusão em protocolos clínicos para distribuição nas unidades de saúde.
Segurança, necessidade de acompanhamento médico e conclusão
Mesmo sendo de origem vegetal, o uso da quebra-pedra em forma de medicamento requer cautela, pois “natural” não significa isento de riscos. Relatos clínicos mencionam possíveis efeitos gastrointestinais e interações com fármacos como diuréticos e medicamentos para controle de glicemia, exigindo avaliação individualizada, especialmente em gestantes, lactantes, crianças e pessoas com múltiplas comorbidades.
Se você tem ou já teve pedra nos rins, não espere a próxima crise para buscar ajuda: procure o quanto antes um urologista ou nefrologista pelo SUS ou na rede privada, faça a investigação do tipo de cálculo e discuta a possibilidade de uso de fitoterápicos padronizados dentro de um plano de cuidado completo. Dor intensa, febre, sangue na urina ou dificuldade para urinar são sinais de alerta que exigem atendimento imediato; adiar essa consulta pode custar função renal e qualidade de vida.




