Por trás das vitrines coloridas e dos anúncios de rádio, as Lojas Brasileiras construíram uma das trajetórias mais curiosas do varejo nacional: nasceram como símbolo de modernidade, rivalizaram com gigantes, dominaram o país e, em poucas décadas, desapareceram quase sem barulho, deixando um legado de consumo popular que ainda vive na memória de quem cresceu passeando pelos seus corredores.
Como nasceram as Lojas Brasileiras para rivalizar com as Americanas
As Lojas Brasileiras surgiram em 1944, no centro de São Paulo, quando loja de departamento ainda era novidade para a classe média. O fundador, Adolfo Basbon, imigrante judeu polonês, apostou em um modelo direto: reunir em um só endereço tudo o que uma família precisava, com preços acessíveis.
O nome Lojas Brasileiras foi escolhido como resposta às Lojas Americanas, já conhecidas no país. A proposta era oferecer roupas, calçados, brinquedos, eletrodomésticos e utilidades em um único espaço, transformando a compra em passeio. A unidade da Rua Direita colocou a marca no coração do comércio nacional.
Para você entender melhor sobre o assunto, selecionamos o vídeo do Canal 90 que faz sucesso no YouTube com seus vídeos:
Como as Lojas Brasileiras viraram símbolo de modernidade no país
Entre os anos 1950 e 1970, com a urbanização e o aumento do consumo pós-guerra, a rede entrou em forte expansão. Abriu unidades em vários estados, muitas vezes ao lado das Lojas Americanas, e investiu pesado em rádio e TV para reforçar a imagem de “empresa do povo”.
Durante o milagre econômico dos anos 70, já tinha mais de 300 lojas em 20 estados, cerca de 6 mil funcionários e faturamento estimado em 500 milhões. Para muitas famílias, visitar as Lojas Brasileiras era um programa social, com vitrines, crediário e sensação de pertencimento.
O que mudou quando a Marisa assumiu o controle da rede
Em 1982, quase quarenta anos após a fundação, Adolfo Basbon vendeu o controle da empresa para a família Goldfarb, dona das Lojas Marisa. A prioridade do grupo mudou: a Marisa passou a receber mais investimentos e foco em expansão, enquanto as Lojas Brasileiras seguiram em operação, mas perdendo ritmo de atualização.
As unidades ficaram grandes, caras de manter e visualmente ultrapassadas diante de um varejo que modernizava vitrines, layout e atendimento. Embora ainda conhecidas, começaram a perder apelo entre os mais jovens, e em muitos pontos a sensação era de que o tempo tinha parado dentro das lojas.
Por que as Lojas Brasileiras não resistiram às mudanças dos anos 90
A década de 1990 foi decisiva para o futuro da marca, com estabilização da economia, abertura para importados e chegada de concorrentes mais modernos. O que antes era vantagem estrutural virou peso nas contas, pressionando margens, estoques e operação.

Essas mudanças apareceram na prática de várias formas, acelerando a queda da rede e evidenciando a falta de adaptação a um novo cenário de consumo e tecnologia:
- Economia estabilizada: o fim da hiperinflação reduziu ganhos com reajustes constantes; estoques grandes passaram a gerar prejuízo.
- Importados baratos: brinquedos, eletrônicos e utilidades inundaram o mercado, permitindo que camelôs e pequenas importadoras vendessem mais barato.
- Concorrência estruturada: Americanas investindo em e-commerce, supermercados oferecendo de tudo e shoppings virando novo ponto de encontro.
- Falta de inovação: a Lobras não entrou no comércio eletrônico, não modernizou logística e manteve lojas grandes e caras.
Quais lições o fim das Lojas Brasileiras deixa para o varejo atual
Em 1998, a empresa ainda tentou uma virada: reduziu produtos de baixo giro e apostou em eletrônicos mais caros, mas acumulou prejuízos e encerrou as atividades em 1999, com poucas lojas e uma grande liquidação final. A marca, que já teve mais de 300 unidades, encerrou sem grande alarde, mas ficou registrada como pioneira na popularização das lojas de departamento no Brasil.
A história das Lojas Brasileiras mostra que nenhuma gigante está protegida de mudanças tecnológicas, novos hábitos de consumo e concorrentes ágeis. Se você atua ou quer atuar no varejo, use esse caso como alerta: questione hoje se seu negócio está realmente preparado para o próximo salto do mercado e comece a agir agora, antes que vire apenas lembrança em histórias de bastidores do comércio.




