Fechamento do restaurante Gostinos, após 23 anos em Bogotá, reflete inflação de insumos, alta de aluguéis e mudança de consumo. Caso simboliza gentrificação gastronômica e pressão sobre casas tradicionais da capital.
Janeiro de 2026 marca um momento de luto gastronômico em Bogotá. Restaurantes que moldaram o paladar da capital por décadas fecharam as portas, com destaque para o Gostinos, na La Macarena. O adeus a esses ícones expõe mudanças profundas no mercado e nos hábitos urbanos.
Por que o fechamento do Gostinos abalou Bogotá?
O Gostinos, localizado no bairro La Macarena, encerrou suas atividades após 23 anos de funcionamento, tornando-se símbolo de uma geração. Mais do que um restaurante, era um ponto de encontro afetivo que atravessou crises econômicas e transformações culturais.
Conhecido por pratos como cazuelas de mariscos, langostinos ao coco e o tradicional suco de corozo, o espaço oferecia sabores do Caribe e do Pacífico colombiano no coração da capital, criando uma identidade culinária difícil de substituir.

Quais fatores explicam a queda desses restaurantes tradicionais?
O fechamento de casas históricas como Gostinos, La Cocina de Pepina e Yukiro Sushi reflete uma combinação de pressões econômicas que desafiam a sustentabilidade do modelo tradicional, como mostram os principais fatores a seguir.
- Inflação de insumos: aumento expressivo nos custos de frutos do mar e ingredientes importados, reduzindo margens.
- Pressão imobiliária: alta nos aluguéis em regiões consolidadas como La Macarena e Zona G.
- Mudança de consumo: concorrência com dark kitchens e modelos híbridos de menor custo fixo.
O que é a chamada gentrificação gastronômica?
A gentrificação gastronômica ocorre quando negócios tradicionais não conseguem sustentar operações artesanais em áreas valorizadas. Mesmo com clientela fiel, a exigência de alta rotatividade e redução de custos torna inviável manter propostas de cozinha lenta.
Quando um restaurante com mais de duas décadas fecha, perde-se também um ecossistema. Técnicas culinárias, fornecedores locais e memórias coletivas desaparecem, deixando lacunas culturais que não são preenchidas por operações padronizadas.

Como preservar a memória gastronômica da cidade?
Apesar do fechamento das sedes físicas, algumas marcas buscam novas formas de sobreviver e manter viva sua identidade. As principais estratégias observadas no setor incluem as opções abaixo.
- Transformação digital: migração para consultorias, eventos pop-up e venda de produtos autorais.
- Consumo consciente: preferência do público por restaurantes históricos como forma de preservação cultural.
- Releituras do legado: chefs mantendo receitas clássicas em novos formatos e parcerias.
O que o futuro reserva para o cenário gastronômico de Bogotá?
O mercado caminha para um equilíbrio delicado entre inovação e tradição. Modelos mais enxutos ganham espaço, enquanto cresce a valorização simbólica de restaurantes com história e identidade própria.
Para Bogotá, o desafio é manter viva sua memória culinária sem ignorar as novas dinâmicas econômicas. O fechamento do Gostinos não é apenas o fim de um endereço, mas um alerta sobre o futuro do sabor na capital.



