Em janeiro de 2026, produtores de leite em SC receberam menos de R$ 2,10 por litro, com custo acima de R$ 2,40. Importações, custos elevados e preços imprevisíveis levaram ao abate de vacas e êxodo rural.
A crise da bacia leiteira de Santa Catarina chegou a um ponto crítico. Em janeiro de 2026, o preço pago ao produtor caiu abaixo do custo de produção, levando famílias rurais a vender vacas para abate e abandonar a atividade no Grande Oeste.
Por que a produção de leite ficou financeiramente inviável?
Na prática, a conta não fecha. Produzir um litro de leite custa, em média, entre R$ 2,40 e R$ 2,60, enquanto o valor recebido no laticínio gira abaixo de R$ 2,10, criando prejuízo contínuo para pequenos produtores.
Esse déficit obriga o produtor a usar reservas, atrasar pagamentos de ração e insumos ou liquidar o próprio plantel. O resultado é a sensação generalizada de que se está literalmente pagando para trabalhar.

Quais fatores derrubaram o preço do leite em Santa Catarina?
A crise é descrita como uma “tempestade perfeita”, resultado de fatores internos e externos que pressionam o mercado local, conforme apontam entidades do setor. Entre os principais elementos estão os listados a seguir.
- Importação de leite em pó: entrada de produto estrangeiro mais barato gerou concorrência desleal.
- Custos rígidos: ração, energia e medicamentos não recuaram na mesma proporção.
- Preço imprevisível: o produtor só conhece o valor após entregar o leite.
O que mostram os números da crise no início de 2026?
Dados de mercado indicam um rombo mensal crescente. Com preços médios abaixo de R$ 2,00 em algumas regiões, cada litro vendido amplia o prejuízo, especialmente para quem produz em pequena escala.
Além disso, o leite importado chega até 25% mais barato que o nacional, pressionando os valores internos e acelerando o abate de matrizes para geração imediata de caixa.

Como a Lei nº 19.685 tenta conter o colapso da bacia leiteira?
Diante da pressão de sindicatos e associações, o governo estadual aprovou uma resposta emergencial para proteger o produtor catarinense. A Lei nº 19.685/2026 busca reequilibrar o mercado com medidas diretas.
- Proibição de reconstituição: impede o uso industrial de leite em pó importado.
- Prioridade ao produto local: força a indústria a consumir leite catarinense.
- Fiscalização mais rígida: exige padrões iguais aos do produtor nacional.
Por que as vacas estão indo para o abate ou leilão?
A venda de vacas deixou de ser exceção e virou estratégia de sobrevivência. Em muitos casos, o valor obtido no abate supera meses de prejuízo mantendo o animal em lactação.
Somado ao desgaste emocional e à falta de sucessão familiar, o cenário aponta para um êxodo rural acelerado. Se o preço na porteira não reagir rapidamente, a bacia leiteira catarinense corre risco estrutural.




