Depois dos 40 anos, muitas mulheres começam a estranhar o próprio corpo: a fome muda, o desejo por doce aparece com mais frequência e aquele pãozinho do fim da tarde passa a parecer obrigatório. Em vez de culpar falta de disciplina, a explicação mais consistente está no próprio organismo: alterações hormonais e metabólicas dessa fase mexem com a ansiedade, a saciedade e como o corpo lida com os carboidratos, influenciando diretamente o controle de peso.
Por que a vontade por doces aumenta após os 40 anos
Separamos esse vídeo do @Valdirene Jácomo, onde mostra por que a vontade por doces após os 40 não é falta de disciplina, mas resultado direto das mudanças hormonais que afetam serotonina, insulina e o controle dos carboidratos.
Na transição da fase reprodutiva para a menopausa, a queda de hormônios, especialmente o estradiol, altera a forma como o cérebro percebe fome, bem-estar e ansiedade. Esse hormônio participa da regulação da serotonina, neurotransmissor ligado à sensação de calma e estabilidade emocional.
Quando o estradiol cai, a serotonina tende a acompanhar, abrindo espaço para mais irritabilidade, inquietação e aquela vontade de “beliscar algo doce” para aliviar o desconforto. Ao mesmo tempo, é comum surgir ou piorar a resistência à insulina, favorecendo o acúmulo de gordura e o aumento do desejo por carboidratos simples.
Como a vontade de doce interfere no emagrecimento depois dos 40
Quando o consumo de açúcar e farináceos se torna frequente, instala-se um ciclo vicioso de fome e queda de energia. A pessoa come algo bem doce ou um carboidrato muito refinado, a glicose sobe rápido, a insulina dispara e logo em seguida essa glicose é retirada do sangue com a mesma velocidade.
O resultado é uma nova sensação de fome em pouco tempo, muitas vezes acompanhada de cansaço e irritabilidade, levando a mais um pedaço de bolo, biscoito ou chocolate. Esse padrão alimenta a sensação de perda de controle e dificulta o emagrecimento sustentável, especialmente se não houver planejamento alimentar.
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Qual é a diferença entre carboidrato simples e carboidrato complexo
Um ponto-chave para reduzir a compulsão por doce após os 40 é entender que nem todo carboidrato se comporta da mesma forma no organismo. Os carboidratos simples são rapidamente digeridos e absorvidos, causando picos de glicose e insulina que favorecem mais fome em pouco tempo.
Já os carboidratos complexos têm mais fibras e estrutura mais “trabalhosa” para o organismo, o que faz a digestão ser mais lenta e os níveis de glicose subirem de forma gradual. Quando são priorizados, a fome fica mais espaçada e a vontade por doces tende a diminuir, ajudando no controle de peso.
Como organizar os carboidratos no dia a dia para emagrecer

Em vez de cortar carboidrato de maneira radical, uma estratégia mais coerente para quem quer emagrecer após os 40 é distribuir pequenas porções ao longo do dia. Sempre que possível, elas devem ser combinadas com proteínas e gorduras boas para reduzir o impacto glicêmico e prolongar a saciedade.
Para aplicar isso na rotina, vale seguir alguns princípios simples de composição de prato e escolha de alimentos, que facilitam o controle de fome e melhoram a resposta metabólica:
- Manter proteína em todas as refeições (ovos, carnes magras, queijos, iogurte natural, feijão, grão-de-bico, lentilha).
- Incluir carboidrato em porções moderadas, preferindo versões integrais ou ricas em fibras, como arroz integral, aveia e frutas inteiras.
- Adicionar pequenas quantidades de gorduras boas, como azeite de oliva, castanhas, sementes, abacate ou coco.
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Qual é o papel das gorduras boas, do jejum e dos hormônios no emagrecimento
As chamadas gorduras boas têm papel importante na saciedade e na estabilidade emocional, ajudando a reduzir a vontade de beliscar doces o tempo todo. O ponto de atenção é o tamanho da porção, pois a densidade calórica é alta e exageros podem atrapalhar o déficit energético necessário para perder peso.
Em algumas mulheres após os 40, jejum prolongado pode aumentar a ansiedade, favorecer episódios de compulsão e piorar o controle sobre carboidratos. Em vez de enxergar o corpo como “sabotador”, é mais útil entender que ele tenta se sentir seguro em meio às mudanças de estradiol, insulina, leptina e serotonina, permitindo ajustar a alimentação com mais estratégia e menos culpa.



