A atenção e a memória estão no centro de um debate que ganhou força com o uso constante do celular, sobretudo entre estudantes. Em salas de aula e ambientes de estudo, é comum a queixa de distração frequente, dificuldade para se concentrar em uma única tarefa e sensação de esquecimento de informações recentes, o que levanta questionamentos sobre o impacto real do smartphone na performance cognitiva.
Qual é a principal ligação entre atenção, memória e uso do celular
Separamos esse vídeo do @Drauzio Varella, onde mostra como o uso constante do celular interfere diretamente na atenção e na memória, explicando por que a simples presença do aparelho já pode prejudicar o foco, especialmente nos estudos e em tarefas que exigem concentração prolongada.
A palavra-chave central nesse debate é atenção, pois a memória depende diretamente da capacidade de manter o foco por um período razoável. Quando o celular permanece por perto, mesmo sem uso ativo, o cérebro tende a dividir recursos entre a tarefa principal e a expectativa de novas mensagens, alerta ou atualizações.
Pesquisas em universidades e centros de neurociência indicam que a simples visão do aparelho pode reduzir o desempenho em testes de raciocínio e retenção de informações. Esse estado de vigilância constante fragmenta o foco, prejudica o registro estável de conteúdos e torna o processo de memorização mais superficial.
Como o uso constante do celular afeta a memória no dia a dia
No cotidiano, o uso intenso do smartphone altera como a memória é utilizada, deslocando tarefas simples para o aparelho. Em vez de reter mentalmente números de telefone, endereços ou pequenas listas, muitas pessoas passaram a delegar essas funções à chamada memória externa ou memória digital.
A memória humana envolve diferentes sistemas, como a memória de longo prazo e a memória de trabalho, que lida com informações imediatas. É justamente essa memória operacional que mais sofre com interrupções constantes provocadas pelo celular, dificultando a consolidação do que acabou de ser lido ou explicado.
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O celular pode piorar a concentração e a sensação de esquecimento entre estudantes
Entre estudantes, a associação entre uso de celular, atenção fragmentada e queixas de esquecimento tem sido observada com frequência em contextos acadêmicos. Muitos jovens relatam sentir a memória “mais fraca”, apesar de, biologicamente, ainda apresentarem alta capacidade de retenção de informações.
Essa dinâmica favorece a chamada atenção parcial contínua: parte da mente permanece voltada para o que pode acontecer na tela. Assim, o cérebro recebe conteúdos em pequenos blocos, sem tempo suficiente para organizar, relacionar e armazenar o que é relevante, o que leva à sensação de que o conteúdo “não entrou” e precisa ser relido várias vezes.
Quais fatores ajudam a proteger a memória na era do smartphone

A relação entre saúde da memória e uso do celular também depende de fatores como sono adequado, alimentação equilibrada e prática de atividade física. A privação de sono dificulta a consolidação da memória, processo que ocorre na maioria durante determinadas fases do descanso noturno.
Além disso, a memória pode ser estimulada de forma ativa com exercícios de raciocínio e retenção de informações. Entre as práticas mais citadas estão atividades que fortalecem as conexões neurais e reduzem a dependência exclusiva dos registros digitais, como as listadas a seguir:
- Leitura regular de livros, artigos ou reportagens longas, com o celular afastado.
- Jogos de estratégia, quebra-cabeças, palavras-cruzadas e desafios de lógica.
- Memorização de poemas, trechos de músicas ou discursos curtos.
- Estudo de um novo idioma ou de conteúdos que exijam revisão periódica.
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Como organizar o uso do celular para preservar atenção e memória
Alguns ajustes simples no cotidiano podem diminuir o impacto do smartphone sobre a concentração e favorecer a atenção sustentada. Organizar o ambiente de estudo e reduzir estímulos concorrentes ajuda o cérebro a aprofundar o processamento das informações e a registrá-las com mais eficiência.
Entre as estratégias mais utilizadas estão ações práticas que limitam interrupções, priorizam momentos de foco e equilibram a presença do celular nas atividades diárias:
- Definir períodos específicos sem acesso ao celular durante estudos ou leituras.
- Desativar notificações desnecessárias, deixando ativas apenas as realmente urgentes.
- Manter o aparelho fora do alcance visual em tarefas que exigem alto nível de foco.
- Usar recursos de bloqueio temporário de aplicativos durante horários de trabalho intelectual.
- Estabelecer intervalos curtos para checar mensagens, em vez de consultas contínuas.




